Solidariedade com os sindicalistas assassinados em Aragua, Venezuela
Recebam nossa solidariedade.
Repúdio ao assassinato dos dirigentes sindicais da União Nacional dos Trabalhadores (UNT) Richard Gallardo, Luis Hernández e Carlos Requena!
Exigimos justiça e punição para os culpados!
Pela nacionalização sob controle operário de fábrica Alpina e de todas as grandes empresas de laticínios da Venezuela!
Nós, do Movimento das Fábricas Ocupadas do Brasil, recebemos a notícia de assassinato desses companheiros com indignação e revolta.
É evidente que se trata de um crime político a mando da patronal contra a liberdade e autonomia sindical, contra o direito de greve e contra a luta pelos empregos, salários e direitos dos trabalhadores venezuelanos.
Os companheiros foram emboscados enquanto organizavam a tomada e a ocupação da fábrica de laticínios Alpina e exigiam sua expropriação sob controle dos trabalhadores, como continuidade da luta em defesa dos empregos ameaçados, após os patrões anunciarem o fechamento da unidade de Cagua (Aragua).
Por isso, prestamos nossa solidariedade e exigimos justiça e punição aos culpados pelo assassinato de Richard Gallardo, Luis Hernández e Carlos Requena!
Podem contar com nosso apoio na luta pela nacionalização das fábricas, bancos e grandes empresas sob controle operário! Pela vitória do socialismo na Venezuela!
Serge Goulart
Movimento das Fábricas Ocupadas do Brasil
Esquerda Marxista
Trabalhadoras de Gotcha tomam sua fábrica
Trabalhadoras de Gotcha: foi tomada na segunda-feira, 22 de setembro de 2008, como medida de ação definitiva, já que não é a primeira vez que tomamos a empresa como medida de pressão, frente as arremetidas do Sr Wilson Balaquera, patrão da empresa. Em 2006, nos vimos na necessidade de permanecer nas instalações da empresa durante quatro meses. Isso ocorreu porque, como se sabe, o problema da fábrica Flanelas Gotcha é que tem como norma a mudança de denominação (mudança de razão social - NT) a cada 6 ou até 3 meses, desde o ano de 1999 e, portanto, as trabalhadoras têm que mostrar juridicamente a fraude trabalhista ou a unidade econômica (isto é, que trabalham na mesma fábrica - NT).FRETECO: O que o patrão violou para que vocês tomarem essa decisão?
Trabalhadoras de Gotcha: primeiramente, o fato da mudança de denominação servir com o fim de evasão de impostos e não pagamento de benefícios, tais como férias e vales-alimentação, prêmio por anos trabalhados... Em 2005, no momento da legalização de nosso sindicato, foram despedidas todas as trabalhadoras, o que gerou a ocupação em 2006. Em junho de 2006, tendo em vista os trâmites burocráticos para poder conseguir uma providência administrativa de um dos tantos nomes da empresa e posteriormente reivindicar nos tribunais trabalhistas os direitos retidos, tivemos que suspender a ocupação e chegar a um acordo com uma das empresas para retomar as atividades, o pagamento dos salários atrasados, a discussão para um contrato de trabalho e mais algum benefício. Acordos que a empresa não cumpriu em nenhum momento. Venceu o projeto de convenção coletiva e tivemos que introduzir um novo projeto em 2007, com o qual a empresa tampouco quis sentar para discutir. Esgotamos toda a via conciliatória, ao contrário do patrão que atacou os trabalhadores com demissões injustificadas, violando garantias trabalhistas por discussão de contrato de trabalho, por decreto presidencial, entre outras. O que nos obrigou a retomar as ações de luta revolucionárias, não pelas reivindicações e sim pelo controle total da empresa, já que não queremos seguir sendo enganados e explorados por um patrão sem consciência.
FRETECO: o que as trabalhadoras de Gotcha irão fazer?
Trabalhadoras de Gotcha: como já esgotamos todas as vias administrativas e conciliatórias possíveis, as trabalhadoras de Gotcha temos claro que as injustiças e a exploração das quais somos vítimas, não só as trabalhadoras de Gotcha, mas toda a classe operária mundial, sabemos que a única saída é a eliminação da propriedade privada dos meios de produção e como solução é nacionalização das empresas sob controle operário, como única saída para a construção do verdadeiro socialismo bolivariano.
FRETECO: De onde receberam apoio e o que pedem ao Estado?
Trabalhadoras de Gotcha: Temos que reconhecer a solidariedade da FRETECO, da Corrente Marxista Revolucionária (CMR), das empresas recuperadas e tomadas, como INAF, Transporte MDS, INVEVAL, Sindicato Venirauto, Seravian, Iberia, Giralda, Laboratórios Murfi... E fazemos um chamado de apoio aos demais sindicatos da UNT Aragua e UNT nacional.
As trabalhadoras de Gotcha solicitamos a expropriação (declaração de utilidade pública a serviço da nação do meio de produção) das empresas ocupadas INAF, MDS e Gotcha, as quais devem servir de exemplo e modelo ao resto da classe trabalhadora de Venezuela e do mundo, que tem claro o que quer, mas lamentavelmente não têm um modelo a seguir porque os reformistas e burocratas atuam para trancar e frear as lutas dos trabalhadores, como por exemplo, no caso da Sidor, onde o antigo ministro do Trabalho estava freando a luta.
Sim à expropriação de INAF, MDS, Gotcha sob controle operário!
Sim ao socialismo, não ao capitalismo!
Mais vídeos sobre os conflitos sociais na Bolívia
É um vídeo-documentário que mostra as ocupações e saques feitos pelos bandos fascistas ao Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA), à ENTEL (empresa de telefonia nacionalizada pelo governo Evo Morales) e à TV Boliviana (canal público). Mostra também a resistência popular, principalmente do bairro Plan 3000 de Santa Cruz. O link é esse (dividido em 2 partes):
Parte 1:
Massacre de camponeses em Pando (Bolívia)
Esse vídeo explica quem é Leopoldo Fernandes, prefeito do departamento de Pando (governador do estado de Pando), responsável por mandar reprimir uma manifestação pacífica de camponeses, que resultou em um massacre, com dezenas de mortos, feridos e desaparecidos, incluindo mulheres e crianças.
O vídeo denuncia o massacre, mostra a prisão do prefeito pelo Exército e a resistência armada de bandos fascistas que haviam tomado o aeroporto da capital Corija. Por fim, mostra a incapacidade da justiça burguesa em punir Leopoldo Fernandes por genocídio, como exigiam as organizações sociais e os familiares das vítimas do massacre.
Parte 01:
Declaração da Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia aos bolivianos que vivem no Brasil
Só os mineiros salvarão a revolução na Bolívia!
Por Serge Goulart
Nenhum acordo com os fascistas! A unidade e a mobilização independente dos operários e camponeses pode derrotar o fascismo e abrir caminho para o socialismo.
Os fascistas da “Meia-Lua” na Bolívia, valentes com as reuniões e o apoio do embaixador dos EUA, organizaram um levante tomando prédios públicos, destruindo repartições, sabotando gasodutos, tomando aeroportos, perseguindo, humilhando, golpeando e assassinando indígenas camponeses e trabalhadores. Em Pando organizaram um verdadeiro massacre com dezenas de mortos.
Este movimento fascista, organizado e articulado pelos governadores da região dita “Meia Lua” se baseia na pequena burguesia local manipulada e instigada por supostas defesas das riquezas da região que estariam sendo “sugadas” pela Bolívia pobre e indígena assim como na defesa da etnia “Camba” (descendentes de espanhóis e guaranis da região) contra qualquer mistura ou “invasão” dos “Collas” (descendentes dos Aymarás e Queshuas) do altiplano. Tem seu ponto mais avançado na União Juvenil Crucenha (de Santa Cruz), organização armada abertamente racista e violenta. E deve ser caracterizado como fascista, não por suas ações violentas e pela quantidade de ataques que organiza, mas fundamentalmente por seu objetivo de destruir as organizações operárias e camponesas. É isto a alma do fascismo, e por isso é inútil toda tentativa de acordo com eles. O MAS é uma organização pequeno-burguesa de tipo “parlamentar-democrática”. Já o fascismo não pode consolidar seu poder senão destruindo as organizações operárias e camponesas e o próprio “parlamento-democrático”. O fascismo surge exatamente porque a burguesia boliviana foi incapaz de controlar e reverter a revolução até agora por meios policiais e repressivos “normais”.
Seu objetivo central é derrubar o governo de Evo Morales, revogar todas as nacionalizações feitas, e em curso no país, e afogar em sangue a revolução boliviana. O que eles temem é que a revolução se desenvolva e venha a liquidar o regime da propriedade privada dos grandes meios de produção.
A responsabilidade maior de todos os socialistas é neste momento organizar e ajudar a constituição da unidade das forças operárias e camponesas para combater a ameaça fascista e derrotá-la através da mobilização. Sem comprometer-se com a política de Evo Morales a tarefa dos revolucionários é defender as nacionalizações, as conquistas e o aprofundamento da revolução boliviana, único meio de combater realmente a burguesia fascista a serviço do imperialismo. Mobilizações e atividades precisam ser organizadas em todos os países mostrando que o povo boliviano e sua revolução não estão sozinhos, mas que sua luta é a luta de todos os trabalhadores pelo fim de toda opressão e exploração.
A defesa do governo de Evo contra a ameaça fascista não se confunde, porém, e não pode ser confundida pelos marxistas, com a defesa das instituições do estado burguês em crise na Bolívia. Contra a ameaça fascista é preciso responder com os métodos da classe trabalhadora, com unidade, organização e mobilização enfrentando os fascistas onde tudo se decide: nas ruas. Os únicos métodos eficazes para derrotar o fascismo são os métodos da revolução proletária e a classe operária não pode cair na arapuca tradicional de stalinistas e reformistas de “defender a república” contra o fascismo. Como explicava Trotsky sobre a revolução espanhola: “A aliança política dos dirigentes operários com a burguesia se cobre com o pretexto da defesa da ‘república’. A experiência espanhola demonstra claramente em que consiste esta defesa. A palavra ‘republicano’ assim como a palavra ‘democracia’ revela o palavrório consciente que serve para dissimular as contradições de classe.” (Trotsky, “Defesa da república ou revolução proletária”). A única orientação revolucionária conseqüente é combater o fascismo lutando pela revolução proletária, o que significa neste momento a mobilização armada e a auto-organização das massas proletárias bolivianas.
A origem da crise atual
As insurreições de 2003 e 2005 desmantelaram o estado burguês na Bolívia. Nestas duas ocasiões os mineiros e a COB (central sindical) tiveram o poder ao alcance da mão, mas não concretizaram este movimento porque não havia na direção da insurreição um partido marxista, bolchevique. O resultado é que o corpo do estado burguês decapitado não foi enterrado e assim ainda teve a capacidade, ajudado por todo tipo de pequeno-burgueses, de lançar uma corda de salvação convocando eleições.
Era tal a desmoralização e a incapacidade da burguesia de apresentar-se como saída para a crise que o deputado do MAS, Evo Morales, se lança e conquista a presidência apoiado pelas amplas massas trabalhadoras do campo e da cidade. A COB que havia sido incapaz de tomar o poder depois de ter desmontado o estado burguês, agora aprofunda o erro e boicota a eleição em nome da independência de classe. Mas, sua consigna não foi seguida nem mesmo pelos mineiros que em sua ampla maioria votou Evo.
Evo se apresenta, no governo, como candidato a reconstruir o estado burguês e “fazer as instituições funcionarem”. Para este fim convoca uma Constituinte justamente no momento que o conjunto das organizações ligadas à COB, retomando a experiência de 1971, havia aprovado a convocatória de Assembléias Populares “para estabelecer o poder originário”. A Constituinte de Evo, as hesitações da COB, aliadas aos seus erros anteriores, esvazia as Assembléias Populares que acontecem apenas em alguns poucos lugares e sem força. Assim a crise que continua foi sendo transferida para dentro da Constituinte com uma agudização dos enfrentamentos entre a maioria do MAS, sob pressão das massas, e a oposição burguesa. Quando os meios parlamentares fracassaram surgiu com força a solução fascista pela mão dos governadores da “Meia Lua” apoiados e empurrados pela embaixada dos EUA.
Esta é uma diferença muito importante entre Evo e Chávez. Evo chega ao governo com o estado burguês desmantelado quando o único poder real no país havia estado nas mãos da COB e se empenha na reconstrução do estado capitalista. Se Evo vai conseguir é outra coisa.
Já Chávez chega ao governo de um estado burguês, em crise, mas “funcionando normalmente” e com suas ações provoca e amplia sem cessar a crise do Estado burguês na Venezuela até o ponto de fraturá-lo profundamente. Por isso, Chávez é um elemento de avanço da revolução na Venezuela, enquanto Evo é um elemento permanente de obstáculo à revolução na Bolívia, até este momento.
Mas, isso pode mudar. Foi sobre pressão das massas que Evo anunciou as primeiras nacionalizações, e como foi inviabilizado um acordo com a oposição burguesa no parlamento, não lhe restará muito espaço para manobrar. Sua única salvação é apoiar-se nas massas proletárias da Bolívia e avançar.
Os fascistas só chegaram até aqui por responsabilidade central de Evo Morales e sua política pequeno-burguesa de divisão da nação propondo transformar a república boliviana em uma federação de etnias. Evo pretende estabelecer uma espécie de descentralização do país, chegando ao cúmulo de propor a instituição de “justiças regionais baseadas nas tradições indígenas” e outros tantos absurdos, que só podem provocar o esfacelamento e destruição da república boliviana.
Uma política pequeno-burguesa não leva ao socialismo
A política fundamental de Evo é o desenvolvimento do “capitalismo andino” teorizado e divulgado por seu vice-presidente, o ex-guerrilheiro Álvaro Linera, convertido à socialdemocracia, ou seja, ao capitalismo em sua fase imperialista.
E não se pode esquecer que Evo Morales, que era sindicalista, foi expulso da COB, em 2004, por trair a luta pela nacionalização do petróleo e do gás. Como deputado nacional, Evo apoiou o acordo de exportação de gás para a Argentina, através da Repsol e Pluspetrol, feito pelo governo boliviano, ao preço “solidário” de US$ 0,98 o milhar de pés cúbicos de gás, enquanto o Brasil estava pagando US$ 2,30.
As nacionalizações realizadas durante o governo Evo Morales foram fruto direto das lutas dos mineiros e dos trabalhadores através da FSTMB (Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia) e da COB. Só tomou medidas sob intensa pressão e quando não havia outra maneira de manter-se no governo. Odiado pela burguesia porque seu governo nasce como subproduto das insurreições de 2003 e 2005 que destroçaram o estado burguês na Bolívia, Evo não tem a menor possibilidade de governar sem o apoio do movimento operário e camponês e suas organizações. Mas, sua política permanente é de reconstrução do estado burguês e de recomposição das instituições reacionárias do capital.
Como expressão da pequena burguesia desesperada em meio a uma situação revolucionária, Evo Morales utiliza a legítima vontade dos camponeses de sair da miséria tenebrosa a que foram submetidos sempre pelas classes dominantes para tentar lançá-los contra o movimento da classe operária e esgrima uma “política moderna” de divisão das classes trabalhadoras da Bolívia através da política de divisão étnica do povo trabalhador. Seu programa político é uma árvore de natal de ONGs, de propostas de políticas compensatórias do Banco Mundial, das propostas “antiglobalização” e de defesa do capital.
A nomeação do chefe das cooperativas reacionárias de mineiros, manipuladas e de fato controladas pelas multinacionais, como Ministro das Minas provocou e permitiu enfrentamentos sangrentos daqueles contra os mineiros assalariados que defendem a estatização e o controle operário das minas. O ataque dos cooperados contra Huanuni (a maior mina estatal), em 2006, para tentar tomá-la na base da bala e da dinamite causou dezenas de mortos e feridos. Durante semanas o governo a tudo assistia passivamente. Evo só agiu quando o massacre se intensificou, a resistência também ameaçando se estender em manifestações em todo o país e se tornou um escândalo público internacional.
Acontece que em situações de guerra, catástrofe econômica ou revolução, mesmo os partidos pequeno-burgueses podem ser levados muito mais longe do que pretendiam e serem obrigados a uma ruptura, que não desejam, com a burguesia. Assim, Evo, pressionado, foi muito mais longe do que pretendia com as nacionalizações de gás e petróleo e isto realimentou o movimento da classe trabalhadora que se sente ainda mais forte. Mas, continuou insistindo em sua política de defesa das instituições burguesas e de divisão étnica da Bolívia. E agora está provando de seu próprio veneno.
Xenófobos, racistas e fascistas
O movimento da burguesia de Santa Cruz, Pando, Tarija e Beni (chamados estados [departamentos] da “meia-lua”, ou do “oriente”) tem como objetivo esmagar a revolução. Eles estiveram no governo por décadas e jamais falaram em autonomia e separação da “Meia-Lua”. O que agora organizam de fato é uma tentativa de golpe de estado, utilizando e manipulando setores da pequena burguesia com políticas racistas e xenófobas. Instigam o ódio contra os “collas” (indígenas Aymarás e Quechuas do altiplano) e se reivindicam “cambas” (mestiços dos brancos espanhóis com os índios Guaranis).
O Movimento Nação Camba, baseado em Santa Cruz de La Sierra, explica sua posição: "Em geral, se conhece a Bolívia como um país fundamentalmente andino, encerrado em suas montanhas, uma espécie de Tibet Sul-americano constituído majoritariamente pelas etnias aymará-queschua, atrasado e miserável, onde prevalece a cultura do conflito, comunalista, pré-republicana, não-liberal, sindicalista, conservadora, e cujo centro burocrático (La Paz) pratica um execrável centralismo colonial de Estado que explora suas colônias internas, se apropria de nossos excedentes econômicos e nos impõe a cultura do subdesenvolvimento, sua cultura.”... “Esta ‘outra Nação’ constitui ‘a outra versão’ da Bolívia e cujo Movimento aspira conquistar a autonomia radical desta nação oprimida." (http://www.nacioncamba.net/index2.htm).
A política de federação de etnias e de descentralização entra como uma luva para alimentar este tipo de lixo político.
A burguesia é republicana enquanto a república defenda a propriedade privada
Apesar de ter sido reafirmado por 67% dos votos no referendo de 10 de Agosto, Evo faz o contrário do que lhe pedia o povo, na praça, no dia da vitória, aos gritos de “Mano Dura! Mano dura!”. Ele insiste num impossível dialogo nacional com os fascistas. A oposição burguesa entende sua fraqueza política, sua hesitação e paralisia e responde cercando o presidente em aeroportos, fazendo-o retirar-se de cidades e até mesmo tendo que por algumas horas refugiar-se numa base aérea brasileira. Os dirigentes da União Juvenil Crucenha recorrem o país tentando organizar e armando bandos para derrubar o governo. Como ele não reage, nem mesmo perseguido fisicamente, os grupos fascistas, encorajados pelo governo EUA, organizam o levante fascista.
Evo já não sabe o que fazer. Apela à ordem e legalidade. Tenta dar ordens ao exército para retomar o controle, mas o exército se faz de desentendido. E nos locais onde havia tropas, os grupos fascistas destroem os prédios públicos e empresas estatais assistidos passivamente pelos soldados. É isto que leva Chávez a declarar que o exército boliviano estava em greve contra Evo.
É neste momento de crise aguda, crucial, que o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, em 9/9/2008, declara:
"Estamos analisando a forma como o governo boliviano poderá garantir a integridade da rede de gasodutos" e acrescentou que o governo brasileiro está disposto a "abrir os contatos diretos com os governadores do Oriente, se necessário." (Washington Post, 9/9/2008). Ou seja, encorajando e “reconhecendo” a autonomia e separação de fato destes estados da Bolívia.
A burguesia de todo o continente esfrega as mãos e festeja a queda iminente do governo de Evo. A sabotagem e explosão de gasodutos, o lockout dos setores patronais divisionistas, a ocupação de edifícios e empresas públicas, tudo foi saudado pelos mesmos que esbravejam contra qualquer manifestação operária. Tivemos neste momento uma prova absoluta que quando os interesses dos poderosos são tocados ou ameaçados eles não recuam frente a nenhuma consideração “democrática”.
As leis, as ditas instituições democráticas, não têm a menor importância para a burguesia quando se trata de salvar seus interesses fundamentais. Para eles, constituição, leis, etc., é somente papel. As leis servem para enredar os explorados, mas nunca para conter o instinto de sobrevivência os exploradores.
O jornal “O Estado de SP” declara cinicamente em editorial: “Nos últimos dois anos, na Bolívia não há lei a respeitar nem instituições que funcionem regularmente. O país está à mercê do arbítrio de um presidente que insiste em instituir uma forma de governo sui generis, baseado numa ideologia nacional-indigenista anacrônica e irresponsável, e um regime autoritário, à semelhança do que seu mentor Hugo Chávez vem praticando na Venezuela. A oposição, por sua vez, não tendo instituições às quais apelar, está compreensivelmente reagindo nos termos em que Evo Morales colocou a disputa: com atos de arbítrio, a mobilização dos movimentos cívicos e políticas de fatos consumados.” (OESP, 10/9/2008, grifos nossos).
Esta é a burguesia “democrática” brasileira, que para defender seus interesses não hesita em rasgar as leis, desconhecer suas próprias instituições e agir de armas na mão.
A reação das massas começa a virar o jogo
Ameaçado diretamente Evo, finalmente, expulsa o conspirador Philip Goldberg da embaixada dos EUA na Bolívia. Chávez faz o mesmo na Venezuela em solidariedade. O embaixador dos EUA, Philip Goldberg, girava pelo país conspirando. Em 10/9/2008, reuniu-se com a prefeita de Chuquisaca, Savina Cuellar, em Sucre, e com a organização ultra-racista Comitê Interinstitucional, que em 24 de Maio humilhou vários camponeses desnudando-os e fazendo-os pedir perdão de joelhos na praça principal da cidade. Dias antes este embaixador dos EUA se reuniu em Santa Cruz com o prefeito Rubén Costas, o chefe público da conspiração reacionária e fascista. Assim, teve toda razão Evo Morales em expulsar o chefe da conspiração, o embaixador Philip Goldberg.
As mobilizações de camponeses e de trabalhadores urbanos começam a se espalhar contra o golpe. Milhares de camponeses e trabalhadores marcham em direção a Santa Cruz e bloqueiam as entradas e saídas da cidade provocando desabastecimento e pondo em pânico os “valentes” bandidos pequeno-burgueses organizados pelos governadores. As organizações populares começam a se articular em frentes únicas para enfrentar os fascistas e outros milhares de camponeses decidem marchar até o centro de Santa Cruz. Nem mesmo Evo pode controlar a radicalização deste movimento. É o látego da contra-revolução fazendo avançar a revolução.
O medo começa a tomar conta dos fascistas e o governador de Tarija “responde” ao apelo ao diálogo aplainando o caminho para um grande pacto entre Evo e os governadores de oposição. É preciso a todo custo parar o movimento das massas que não se deterá em recuperar os edifícios públicos, mas vai castigar os culpados e fazer avançar com “Mano Dura” a revolução.
Entra em ação o governo Lula, agora para “buscar o diálogo entre as partes e garantir as instituições da democracia”, ou seja, o estado burguês na Bolívia. E como tentou fazer com a Venezuela no passado tratou de montar a nova versão dos “Amigos da Bolívia” reunindo a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) para fazer pesar sobre as partes (Evo e governadores) a responsabilidade de salvar as instituições combalidas. Os irresponsáveis governadores despertaram um monstro que não vão conseguir derrotar e Evo não está fazendo o suficiente para levar o monstro de volta para a caverna.
A UNASUL unanimemente respalda o “governo legal” de Evo e se pronuncia contra qualquer golpe civil contra ele e em defesa das “instituições democráticas”.
Concessões aos fascistas ameaçam a revolução
Mas, Evo precisa do apoio do movimento operário e vai buscar o acordo da COB para um pacto de defesa da democracia. Assina um “Pacto de Unidade” com a COB cujo centro está nos pontos 2 e 3 do documento:
2. “Defender a democracia que custou luto e sangue aos trabalhadores e ao povo em geral, pois esta conquista está sendo ameaçada por terroristas e fascistas que atentam contra a institucionalidade e a vida dos bolivianos.
3. Respaldamos e defendemos este processo revolucionário de mudanças em busca da equidade, igualdade e justiça social que é liderado por nosso irmão, presidente Evo Morales Ayma, para construir uma pátria nova com a aprovação de uma nova Constituição Política do Estado”.
Assim, alguns dos principais dirigentes da COB, sem consultar nenhum sindicato, assinam a defesa da “democracia” e da “institucionalidade”, reconhecem a “liderança” de Evo Morales e aprovam a nova Constituição que ao fim e ao cabo destroçará a Bolívia como nação e vai balcanizá-la para impedir a revolução. O Estado burguês foi destruído nas insurreições de 2003 e 2005. Todo esforço de Evo é no sentido de reconstruí-lo, mas é incapaz de fazer isso se não tiver antes a capitulação dos dirigentes do movimento operário.
Assinado o pacto com a COB, Evo pode então capitular abertamente e assinar um documento de pacto com os governadores. Neste documento Evo aceita todas as exigências dos governadores fascistas e ainda se compromete a desmontar as mobilizações que cercavam Santa Cruz e ameaçavam os fascistas. A seguir os principais pontos do documento:
“Depois de sessões sucessivas de trabalho iniciadas no dia 12 de Setembro, Sexta-Feira, destinadas a desenhar um processo de diálogo, lembram-se as seguintes bases para atingir um ‘Grande Acordo Nacional’:
- O Governo Nacional reconhece, conforme as leis vigentes, o direito dos departamentos a receber o Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH);
- O Governo Nacional expressa seu respeito ao direito à autonomia departamental de Pando, Beni, Tarija e Santa Cruz;
- O processo de diálogo contará com o acompanhamento de facilitadores e testemunhas. Lembra-se convidar como tais a Unasul, Igreja Católica, União Européia, OEA e ONU;
- Restituição imediata dos escritórios públicos e instalações petroleiras ocupadas à raiz do conflito por pessoas alheias às mesmas, a fim de restabelecer os serviços públicos;
- Iniciar conversas sobre a nova administração territorial das instituições, considerando a implementação constitucional da autonomia departamental;
- Lembra-se também o levantamento de todos os bloqueios de caminhos no território nacional;
- As partes deverão iniciar o processo de pacificação do país, restabelecendo plenamente a convivência pacífica entre os bolivianos e fazendo os esforços necessários para frear de maneira imediata a violência em todo o território nacional;
- Esclarecer os fatos ocorridos no departamento de Pando, através de organismos nacionais e internacionais imparciais e uma comissão congressual que se deslocará de imediato ao local dos fatos;
- Em caso que os mencionados organismos estabeleçam indícios de responsabilidade, garante-se o direito ao devido processo. Garante-se também a integridade pessoal de autoridades, dirigentes cívicos e sociais de Pando;
- Não impulsionar ações judiciais que tenham conotação política contra dirigentes cívicos, sociais e autoridades dos departamentos mobilizados que tenham atuado pelas reivindicações departamentais e sociais que precederam a este Acordo; como também paralisar a campanha midiática de desprestigio de autoridades, atores cívicos e sociais.”
A classe operária reage para salvar a revolução e a COB
Mas, isto provoca uma reação imediata dos mineiros assalariados da FSTMB. Assembléias são realizadas e os mineiros rejeitam o acordo assinado pela COB condenando seus dirigentes. A FSTMB solta uma declaração condenando a assinatura do pacto e se insurge contra ele.
Guido Mitma, secretário executivo da combativa Federação dos Mineiros (FSTMB), declara que a ação da direção da COB foi “unilateral e inorgânica” e que “compromete a independência política dos trabalhadores e seu ideário socialista”.
Nas assembléias de Huanuni, os mineiros e a FSTMB proclamaram:
“As minorias esmagadas em 2003 e 2005 devem definitivamente ser eliminadas porque são as financiadoras deste estado de anarquia e ilegalidade montado sobre o grande show das autonomias.
Nossa luta deve ser dirigida a arrebatar a fonte do poder econômico desta minoria oligárquica e latifundiária. Isso significa lutar pelo cumprimento das Agendas de 2003 e 2005 nacionalizando as empresas multinacionais e recuperando as empresas privatizadas. Assim ferimos de morte os ‘gamonales’ (oligarcas), freamos o saque, geramos fontes de trabalho e superamos nos fatos a pobreza ancestral a que nos há submetido o capitalismo e o neoliberalismo.
O governo já não pode contornar irresponsavelmente este caminho. Basta de conciliar com os conspiradores e sabotadores do verdadeiro processo de mudanças. A mudança não deve ser frase oca, mas mudança estrutural para recuperar nossos recursos naturais e explorá-los através do Estado sob controle social. Nacionalizar e industrializar nossas riquezas deve ser o objetivo imediato. A experiência demonstrou que só o povo através do Estado pode fazê-lo.”
Esta sim é uma resposta revolucionária às ações dos fascistas e reacionários. Honra e glória aos mineiros assalariados da Bolívia organizados na FSTMB! Eles constituíram sua Federação em 1944, criaram a COB e fizeram a revolução de 1952 - a primeira revolução proletária das Américas. Levantaram o povo oprimido e derrubaram vários governos assassinos e entreguistas como Sanches de Losada (Goni) e outros. Agora eles apontam o caminho para uma saída positiva da espantosa crise em que se encontra a Bolívia.
Sua reação foi tão forte e tão sentida que em seguida a direção da COB teve que sair a público condenando o diálogo de Evo com os governadores e rejeitando qualquer acordo com os fascistas. A COB retoma assim sua independência política. Agora deve dar conseqüência a isto mobilizando as massas para liquidar o fascismo.
Situação e perspectivas
A vida vai fazer Evo escolher definitivamente seu caminho. Mas de uma coisa é certa: Sem o movimento operário Evo não sobreviverá aos ataques dos fascistas a serviço do imperialismo. E para ficar com as massas vai ter que romper esta tentativa ignóbil de pacto nacional com os golpistas e romper com o capital, entrando na via do socialismo. Se escolher outro caminho, junto com os oligarcas e contra as massas, Evo não sobreviverá e o caminho será muito mais doloroso para as massas e para toda Bolívia.
Os golpistas não recuarão e cada vez vão exigir mais. Vão exigir o que Evo não pode dar e ele será levado à parede.
Todas as forças estão tensionadas ao máximo. Em 22/9/2008, as organizações populares bolivianas decidiram reforçar os bloqueios e o cerco a Santa Cruz de la Sierra com cerca de 50 mil camponeses e trabalhadores demonstrando que sabem que só sua mobilização independente pode conduzir à vitória. Enquanto isso o governo brasileiro abriga em hotéis do Acre cerca de 100 fascistas assassinos de camponeses que se refugiaram no Brasil escapando do castigo pelo massacre cometido em Pando. E Bachelet, do Chile, convoca nova reunião da Unasul, desta vez em Nova York (!), para ampliar a pressão sobre Evo.
As mobilizações internacionais em defesa da revolução boliviana mal começaram. E devem se estender o mais amplamente possível a exemplo da que foi realizada em São Paulo em 18/9/08, com cerca de 300 presentes.
Na Bolívia é preciso ajudar a organizar e mobilizar as massas proletárias sob a direção dos mineiros, ajudando-os a se constituir em partido político e se dotar de uma direção marxista bolchevique. Esta tarefa tem que ser realizada no meio da atual tempestade lutando para constituir as organizações de unidade e de combate das massas, retomando o fio de continuidade das Assembléias Populares de 1971, esmagando a reação fascista com os métodos do proletariado e preparando a tomada do poder pela classe trabalhadora. Não há outra saída para os trabalhadores do campo e da cidade deste extraordinário país que é a Bolívia a não ser o caminho do socialismo.
Bolívia: ante a fúria fascista, a resposta é a ira popular em legítima defesa
Publicamos aqui a declaração de todas as organizações populares e operárias da cidade de Santa Cruz, que se organizam para combater os fascistas. Este é o caminho! E têm todo apoio da Campanha Internacional "Tirem as Mãos da Venezuela"!O resultado nas urnas assim como uma vez mais a maravilhosa resistência do Plan 3.000 de Santa Cruz às hordas fascistas, e a radicalidade expressa nas resoluções do Comitê Nacional pela Mudança (CONALCAM), demonstram que as arremetidas e a ousadia da direita e a própria direita e a burguesia nacional somente puderam sobreviver, reviver e representar um estorvo com o apoio do imperialismo. O referendo revogatório e dois anos de experiência, entre sabotagem política e econômica em todos os setores produtivos, demonstram que os latifundiários e empresários bolivianos e o imperialismo são profundamente minoritários na sociedade.
Saudamos com extremo apoio e como um completo acerto, o Decreto Supremo que, finalmente, convoca o referendo constitucional. O governo começa a mover-se de maneira mais firme sob a pressão de sua base social, da classe trabalhadora e do campesinato mobilizado, como demonstra a convicção manifestada pelo presidente Evo Morales: que a partir de hoje o verdadeiro observador de qualquer diálogo é o povo.
Seremos o voto definidor sobre o verdadeiro tema em disputa: a posse da terra. Reduzir a 5.000 ou 10.000 hectares a superfície máxima concedida ao latifúndio, é desferir um duro golpe à estrutura agrária – financiadora do capitalismo boliviano e à oposição alocada no leste, com a consigna “mais terra para repartir, menos poder para a oligarquia”. A desobediência civil e as medidas de fato, pela oposição e os cívicos do leste, é a defesa da atual estrutura de posse e exploração da terra. A nova CPE afeta interesses muito fortes, os interesses dos criadores de gado, dos barões da soja e de seus amos e sócios imperialistas. Por tudo isso a resistência destes é com toda clareza violenta, defenderão com todos os meios sua visão patrimonial sobre a terra e em conseqüência do Estado.
O referendo revogatório de 10 de Agosto foi a enésima manifestação de força e grande combatividade das massas bolivianas. Mostrou que os trabalhadores e camponeses da Bolívia não estão dispostos a entregar o que ganharam com a sua luta desde a Guerra da Água, muito pelo contrário, seguem alimentando grandes expectativas de mudança. Desde a carta das Nações Unidas até os códigos e leis do país, é reconhecido como um direito legal e legítimo ante qualquer ataque ou abuso contra pessoas, instituições ou países, o direito à legítima defesa, quando são violados seus direitos elementares, recomendando-se sempre que em tal defesa se respeite o principio da “Proporcionalidade” (Exemplo: Um soco terá como resposta proporcional outro soco).
O que está acontecendo na Bolívia, especialmente em Santa Cruz e em outros departamentos, como Tarija, Beni e Pando é de fato uma afronta não só ao país, como ao mundo inteiro, que vê com assombro as imagens de grupos de delinqüentes fascistas pagos, que obedecendo a consignas dos governadores e comitês cívicos opositores ao Presidente Evo Morales, agridem mulheres, idosos e massacram qualquer um que atravesse seu caminho; e o mais grave de tudo isso, é a impunidade com que atuam, nesta terra, que segundo os fascistas, é deles e de ninguém mais.
A polícia, como o organismo encarregado de manter a ordem e, sobretudo resguardar a vida dos cidadãos, foi rebaixada e as agressões seguem acontecendo. Até quando? Não sabemos, mas quando observamos toda esta variedade de atos criminais, o que estamos vivendo é um ultraje a dignidade humana e não é que seja apenas contra mulheres usando pollera (roupa tradicional), seja quem for é um ato de indignidade humana pela qual, como bolivianos, temos que sentir vergonha.
Não é suficiente denunciar os fatos em tom de lamento cúmplice, isto tem de ter limite, o povo já não suporta mais. Ao povo só resta responder com a ira popular em nome de SUA LEGÍTIMA DEFESA! Diremos uma vez mais, nem tudo se acerta com os votos, pois estes não bastam para conseguir a paz.
Portanto resolvemos:
- Denunciar que as máfias empresariais dos Comitês Cívicos e departamentais, que se apropriaram de grandes extensões de terra e recursos naturais da Bolívia, preferem destruir o Estado boliviano a perder seus privilégios econômicos.
- Manifestamos nosso repúdio absoluto às ações fascistas Cívico-departamentais, com saques e destruição de nossas Instituições Públicas, executados por grupos financiados pela direita.
- Pedimos à classe trabalhadora, camponeses, agremiações, associações comunitárias e à população organizada, Declarar Mobilização Nacional em defesa da unidade Boliviana e defesa de nossos irmãos bolivianos, que sofrem agressões e massacres no leste boliviano, por parte dos Comitês Cívicos e dos governadores.
- Que o povo boliviano se expresse nas ruas sobre o perigo de um golpe de estado, preparado por empresas nacionais e estrangeiras junto a militares traidores da pátria, que querem, mais uma vez, dar de presente nossas empresas e recursos naturais, para endividar o Estado boliviano.
- Que as Organizações Sociais da Bolívia sejam os atores diretos, por qualquer meio e recursos necessários, da solução dos conflitos do país. (Que não sejam os confrontos de pequenos grupos que solucionem o processo de mudança).
Santa Cruz de La Sierra, 13 de Setembro de 2008
Assinam: Central Obrera Departamental de Santa Cruz; Asociación de Juntas Vecinales de la Ciudad Santa Cruz; Asociaciones Gremiales del Mercado Abasto de la Ciudad de Santa Cruz; Asociaciones Gremiales del Mercado La Ramada de la Ciudad de Santa Cruz; Asociaciones Gremiales del Mercado Mutualista de la Ciudad de Santa Cruz; Mercado del Plan Tres Mil (Plan 3000) de la Ciudad de Santa Cruz; Organización Marcelo Quiroga Santa Cruz; Organización Andrés Ibáñez (Los Igualitarios); Organización Cañoto; Comité Cívico Popular del Departamento de Santa Cruz; Organización Ignacio Warnes; Organización Avanzada Che Guevara; Organización Antonio José de Sucre; Unión Juvenil Popular del Departamento de Santa Cruz; El Movimiento Universitario Social (MUS) de la U.A.G.R.M.; Trabajadores Sociales del Departamento de Santa Cruz.
Vídeos sobre a situação na Venezuela e Bolívia
1 - Pronunciamento do presidente Hugo Chávez para a manifestação em apoio ao governo e contra a tentativa de golpe: http://www.manosfueradevenezuela.org/index.php?option=com_content&task=view&id=513&Itemid=1
2- Trabalhadores e soldados venezuelanos se confraternizam contra plano golpista
http://www.youtube.com/watch?v=nQl4PVL1p5c
3 - Manifestações fascistas em Santa Cruz (Bolívia): http://bolivia.indymedia.org/node/16798/play
Venezuela: derrotar a nova conspiração golpista contra a revolução!
Por Yonie Moreno, Corrente Marxista Revolucionária (CMR) da Venezuela
Quarta-feira, 17 de setembro de 2008
À conciliação oferecida pelos reformistas, a burguesia responde preparando outro golpe
Nos últimos dias, foi descoberto um novo complô por parte de um grupo de militares reformados e da ativa na Venezuela, segundo revelou em seu programa de televisão "La hojilla" da quinta-feira passada, o candidato a governador de Carabobo pelo PSUV, Mario Silva, em várias gravações a mando dos militares reformados. Hora depois eram detidos vários deles. Segundo relatava Aporrea (www.aporrea.org):
“No vídeo se escutam conversas telefônicas entre o General de Divisão do Exército Wilfredo Barroso Herrea; o Vicealmirante Millán Millán e o General de Brigada da Aviação Eduardo Báez Torrealba.
Os envolvidos falam de tomar o Palácio de Miraflores e assinalam como objetivo principal, dirigir todos os esforços até onde esteja “este senhor”, referindo-se ao presidente Hugo Chávez. “Se está em Miraflores até lá faremos o esforço”, se escuta nas conversações sustentadas pelos organizadores do golpe.
Ouve-se também: “vamos tomar o Palácio de Miraflores, vamos tomar as emissoras de televisão. O objetivo tem que ser um só (...) esse esforço de unidade tem que ser até o Palácio de Miraflores, porque é a unidade de combate”.
Entre os planos destes militares está garantir o controle do Comando da Armada, de acordo com as conversações sustentadas por eles no vídeo. Na conversa, eles dividem a operação em três zonas, a do oriente, ocidente e central.
Propõem fazer “uma possível operação” na chegada do presidente Chávez de alguma viagem. Uma das operações poderia ser em vôo, capturá-lo com aviões no ar (...) ou seja, haveríamos de armá-lo bem”, indicam.
Assinalam nas conversas que contam com comandantes, coronéis e pilotos - um com mil horas de vôo em F-16 - dispostos a seguir instruções.
“Assim o mais importante são os pilotos. Há um piloto que tem mil horas de vôo em F-16 e outro é instrutor, que são os que vão decolar os aviões. Esse comandante, que é um instrutor, tem outros muchachitos abaixo, uns capitães e uns maiores que deram instruções que também estão dispostos a seguir-lo, e esse é o homem de segurança dentro da Base Libertador que está conosco”, continua a conversa.
“Ele me disse: eu ponho os pilotos e os coloco em um avião. Ele é o comandante, a ele não vão questionar, nem nada. É o comandante da polícia ali (...)”, se ouve também na gravação (http://www.aporrea.org/actualidad/n120419.html).
Evidentemente, este é um complô em grande escala em que estão envolvidos não somente militares reformados e sim também da ativa. Vários dos participantes nesta conspiração já foram detidos. Na tarde de quinta houve concentração das bases revolucionárias em Miraflores e ocorreram mobilizações de massa em todo o país, em resposta a esses planos.
Este novo complô coincide no tempo com a nova ofensiva do imperialismo e a oligarquia contra a revolução boliviana em uma tentativa de derrubar o governo de Evo Morales e que resultou de imediato, em oito mortes e dezenas de feridos pelas mãos de grupos fascistas e paramilitares organizados pela burguesia e o imperialismo.
Em resposta ao papel instigador do governo dos EUA na tentativa de golpe na Bolívia, o governo de Evo Morales expulsou o embaixador dos Estados Unidos.
Horas mais tarde o governo do presidente Chávez, em solidariedade com a Bolívia, expulsava o embaixador norte-americano. Também o presidente Chávez declarava: “Sem ânimo de ingerência em assuntos internos da Bolívia, faço um chamado aos militares da Bolívia. Se derrubam Evo, se matam Evo, acreditem que me estariam dando luz verde para apoiar qualquer movimento armado em Bolívia”. Em um discurso transmitido em cadeia de rádio e televisão, Chávez indicou que “se a oligarquia e os ‘mini-ianques’ dirigidos, financiados, armados pelo império, derrubam algum governo nosso, teríamos luz verde para iniciar operações de qualquer tipo”.
Fracasso da política de conciliação com a burguesia impulsionada pelos reformistas
Desde o começo do governo nacional, sob a pressão dos setores reformistas e stalinistas dentro do movimento bolivariano, foram feitos chamados à oposição e à burguesia para dialogar. Como em outras ocasiões, isso não tem servido para nada – nem no terreno do investimento produtivo, nem no político – e os reacionários se dedicam a conspirar com redobrada força. Como após o 11 de abril de 2002, os chamados ao diálogo foram interpretados pela oposição como sinais de debilidade e prepararam o paro petroleiro. A debilidade convida à agressão. O mesmo ocorreu em 2004. Os chamados ao diálogo após a derrota da oposição do paro petroleiro conduziu a outra acometida: o referendo revogatório. De novo a mobilização do povo, e não aos chamados à conciliação, foi o que salvou a revolução.
Quem são os culpados desta intentona golpista? José Vicente Rangel em seu programa de televisão assinalava: “Isto está estimulado por setores da oposição que não têm nenhuma fé no sistema democrático, já demonstraram reiteradamente, estamos em um quadro que é delicado e que tem que ser levado em consideração. É por isso que em meu programa de televisão, desde mais ou menos 4 semanas, venho denunciando o que se está planejando e também na coluna que tenho no diário "Últimas Notícias”. E por acaso há setores da oposição que tenham fé no sistema democrático? A oposição, como demonstra 10 anos de revolução, assim como o imperialismo, vão recorrer a todo tipo de métodos legais e ilegais para tirar Chávez e derrotar a revolução. Não há dois setores da burguesia, um democrático patriota e outro golpista. A oligarquia venezuelana em sua imensa maioria é contra-revolucionária. A burguesia aceita o parlamentarismo enquanto a luta de classes não ameace a propriedade privada. Se os capitalistas vêem em perigo seu domínio, se esquecem da "democracia". A experiência da revolução chilena em 1973, que completa 35 anos, é eloqüente. Também a situação atual na Bolívia, onde pese a legitimação democrática obtida por Evo Morales no último referendo revogatório, a burguesia e o imperialismo despreza a vontade das massas quando seus interesses estão em perigo. Chegado o momento decisivo para defender seus privilégios, a oposição e a burguesia abandonam o traje democrático, demasiado estreito para quebrar a cabeça dos trabalhadores e pobres e esmagar a revolução.
A impunidade anima a reação
A lei de anistia de 31 de dezembro de 2007 está sendo utilizada pelos reacionários para preparar uma nova conspiração. Sob o conselho dos reformistas, oferecemos a mão e, uma vez mais, querem aproveitar para cortar nosso braço.
Enquanto os reacionários que participaram no golpe de 2002 puderem andar livremente pelas ruas de Caracas haverá conspirações e novas tentativas de golpe de estado: a oligarquia não se dará por vencida. Ao mesmo tempo, enquanto mantiverem o poder econômico, terão os meios e recursos para sabotar a revolução e se organizar. A medida fundamental contra os reacionários é cortar-lhes o braço econômico de seu apoio. As nacionalizações vão ao caminho adequado sempre que forem na via da nacionalização dos meios de produção para planificar a economia. "Não se pode planificar o que não se controla e não se pode controlar o que não se possui", assinala Alan Woods em seu livro "Reformismo ou Revolução".
As bases revolucionárias não podemos confiar na fiscalização e no aparato judicial que demonstra ser completamente incapaz de atuar contra os conspiradores. É necessário que a democracia participativa chegue também à justiça. Sobre a base dos conselhos comunais e conselhos de fábrica desde a base trabalhadora da revolução, é necessário que o próprio povo julgue os golpistas através de tribunais populares.
Há que revogar as leis de anistia de dezembro de 2007 e processar todos os culpados do golpe de 2002 e do paro petroleiro. Se estes conspiradores vencessem, alguém acredita que os golpistas iam anistiar o povo revolucionário, os ativistas do PSUV, os sindicalistas, os camponeses revolucionários? Sabemos qual é o caminho, o de Chile ou Argentina e de muitas outras revoluções afogadas em sangue pela burguesia.
Também mostra que a Força Armada bolivariana está corroída por contradições de classe, atuando em seu seio a luta entre revolução e contra-revolução. Esses comandantes do exército que estavam reformados tinham antes posições de comando importantes. Quantos oficiais existem dentro do exército que têm dúvidas ou estão abertamente com a reação? Quantos novos Baduel nos reserva o futuro? A única garantia de que o exército esteja do lado do povo é através de uma união cívica militar efetiva, que passe pela entrada da política nos quartéis, que os militares possam estar filiados no PSUV, assembléias de soldados onde se eleja democraticamente os comandos, o armamento geral do povo com o desenvolvimento da reserva em todas as fábricas, bairros, comunidades, etc.
Como assinalou recentemente o presidente Chávez, a principal lição da derrota da revolução chilena é que uma revolução deve estar armada. A única garantia frente a qualquer tentativa contra-revolucionária é o povo estar vigilante, armado e que a revolução leve suas tarefas até o fim, expropriando a burguesia e desenvolvendo uma economia nacionalizada e planificada para terminar com as pragas da anarquia capitalista na Venezuela.
Delegação entrega carta no Consulado da Venezuela propondo II Encontro Latino Americano de Empresas Recuperadas pelos Trabalhadores

Trabalhadores e jovens se solidarizam com a revolução boliviana
Confira no site www.handsoffvenezuela.org as atividades que ocorreram na Inglaterra, Espanha, Bélgica, Canadá... Abaixo, um relato da Esquerda Marxista sobre o ato público realizado em frente ao Consulado da Bolívia em SP:
Atos em solidariedade à luta do povo boliviano e ao Governo de Evo Morales contra os ataques fascistas da oligarquia golpista, acontecem em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Cerca de 50 militantes e apoiadores da Esquerda Marxista engrossaram o ato de 300 pessoas convocado por centrais sindicais, movimentos sociais, partidos e organizações de esquerda em frente ao consulado da Bolívia em São Paulo, ontem (18/9) a partir das 17h (foto).
O Cônsul Geral da Bolívia, Jayme Valdivia, recebeu os manifestantes e participou do ato na calçada da Av. Paulista. Ele também recebeu uma declaração de solidariedade firmada por todas as entidades que convocaram o ato.
Além da forte presença da Esquerda Marxista, a Juventude Revolução (organização de jovens da EM) esteve presente com uma grande faixa e bandeiras. Também marcou presença uma delegação da campanha mundial em solidariedade à revolução venezuelana “Tirem as Mãos da Venezuela”, com a maior faixa do ato. Os militantes e apoiadores da EM distribuíram mil panfletos para os participantes do ato e transeuntes que passavam pelo local. O Cônsul Jayme Valdivia também recebeu. O panfleto trazia a nova declaração da EM (leia mais abaixo) e, no verso, o pronunciamento das diversas organizações populares e operárias que organizam o cerco à cidade de Santa Cruz, contra os fascistas (leia aqui).
O camarada Caio Dezorzi tomou a palavra no ato em nome da EM e transmitiu a saudação dos camaradas de El Militante, da Bolívia. Identificando-se como petista, sua fala não poupou críticas à postura do Governo Lula que trabalha para o “diálogo entre as partes” na Bolívia. “O presidente Lula não pode abrir diálogo com os fascistas da Bolívia que querem derrubar o Governo eleito e referendado com enorme apoio popular!”, afirmou. “A única saída positiva que pode ser dada é pela organização dos trabalhadores bolivianos como fazem os companheiros que mantém o cerco a Santa Cruz. E os trabalhadores no Brasil devem apoiar e estar solidários com estas iniciativas! Só o povo em armas e a luta pelo socialismo podem resolver positivamente a situação!”, concluiu.

Ao fim do ato, por volta das 19h, o agrupamento da EM que se formou puxava palavras de ordem, como: "Brasil, Venezuela! Bolívia e Argentina! Fora imperialismo da América Latina!"
Hoje, 19/9, o ato é no Rio de Janeiro, às 16h, na Av. Rui Barbosa, 664, em frente ao consulado da Bolívia (foto).
Leia abaixo a nova declaração da Esquerda Marxista:
Toda solidariedade à luta do povo boliviano!
Nenhum acordo com os golpistas-fascistas!
Jorge Chávez, um líder da oposição do estado boliviano de Tarija, deu a seguinte declaração na semana passada: “Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”. Nessas poucas palavras ele resumiu as reais intenções dos bandos fascistas, organizados pela burguesia boliviana e o imperialismo norte-americano, que têm praticado nos últimos dias atos de violência contra o povo de nosso país vizinho.
No Estado de Pando, ocorreu um verdadeiro massacre de camponeses. Foram barrados por bandos pagos e treinados pelo governador do Estado, Leopoldo Fernandéz, quando se dirigiam a uma assembléia popular. Os golpistas logo abriram fogo contra os camponeses. “De repente escutamos disparos e algumas pessoas caíram feridas. Homens, mulheres e crianças correram para todos os lados para salvar suas vidas, mas muitos ficaram feridos ou foram capturados a força para serem torturados”, lembra Roberto Tito, testemunha presencial do massacre. Foi divulgado o número de 30 mortos no conflito e vários desaparecidos, mas esse número pode ser bem maior.
A intenção desses fascistas que iniciaram uma tentativa de golpe contra o governo de Evo Morales é a de frear o avanço da revolução que se aprofunda na América Latina. Diante do aprofundamento do processo na Bolívia, com o resultado do referendo revogatório de 10 de Agosto, no qual Evo ganhou com mais de 67% dos votos, a oposição partiu diretamente para a violência e o golpe. Já vimos este filme. Na semana passada, em 11 de Setembro, fez 35 anos que a burguesia chilena, com o apoio do governo dos EUA, assassinou o presidente Salvador Allende e iniciou uma das mais sangrentas ditaduras do mundo. É isto que o governo Bush e os governadores dos departamentos orientais da Bolívia pretendem. E se o governo de Evo Morales não tomar as medidas corretas, é o que pode ocorrer na Bolívia.
Se Evo acertou em expulsar o embaixador americano do país e em mandar prender o reacionário governador do Estado de Pando, errou em não mobilizar o povo trabalhador e os camponeses para enfrentar os ataques dos golpistas e em conceder mais negociações à oposição.
Nenhum trabalhador brasileiro pode aceitar que o Governo Lula se disponha a negociar com fascistas. Lula ofereceu-se desde o início para mediar um “diálogo entre as partes”. Esse péssimo conselho de conciliação entre as partes foi a linha tirada pela reunião da UNASUL e, infelizmente, é o que Evo Morales tem seguido.
As últimas notícias relatam um “pré-acordo” no qual a suspensão dos bloqueios de estradas e a desocupação de prédios públicos por parte dos oposicionistas foi acordada diante da instauração de um diálogo nacional para solucionar os conflitos, no qual participariam a Igreja Católica, a União Européia, a ONU, a OEA e a UNASUL. Em troca Evo Morales respeitaria o “direito à autonomia departamental” e suspenderia por um mês as discussões no Congresso sobre o referendo constitucional.
Mas, ceder não fará parar os fascistas! A verdade é que essa situação só pode ser decidida para um dos dois lados: ou a oligarquia, com a ajuda do imperialismo norte-americano, sai vitoriosa e a Bolívia é afundada em outra ditadura militar sangrenta; ou os trabalhadores e camponeses completam a revolução expropriando o poder político e econômico da oligarquia. Os trabalhadores bolivianos já demonstraram enorme garra e coragem no decorrer da história. Sexta-Feira as organizações populares e da classe trabalhadora de Santa Cruz deram um bom exemplo. É preciso fortalecer as organizações dos trabalhadores, organizar Assembléias Populares e colocar o povo em armas para enfrentar a burguesia, para assim controlar democraticamente a sociedade. Essa é a única saída que interessa à classe trabalhadora.
Viva a Revolução na Bolívia, na América Latina e no mundo!
São Paulo, 18 de Setembro de 2008
Esquerda Marxista
Declaração da Esquerda Marxista ao presidente Lula sobre Bolívia
Ao Ministro Celso Amorim
1. Com surpresa e indignação tomamos conhecimento das declarações do Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, no último dia 9 de Setembro, sobre os acontecimentos na Bolívia:
"Estamos analisando a forma como o governo boliviano poderá garantir a integridade da rede de gasodutos" e acrescentou que o governo brasileiro esta disposto a "abrir os contatos diretos com os governadores do Oriente, se necessário." (Washington Post, 9/9/2008).
A isto se soma uma absurda iniciativa de se dispor a mediar um “diálogo entre as partes” como se não se tratasse de ações fascistas das oligarquias bolivianas contra um governo com enorme apoio popular. Tratar os bandos fascistas de igual para igual com o governo da Bolívia é tentar dar-lhes legitimidade e ajudar a dividir a Bolívia.
2. Qualquer sindicalista, trabalhador, socialista e democrata pode se perguntar: Como é possível o governo brasileiro abrir dialogo com os representantes da oligarquia boliviana fascista e golpista?!
3. Estes golpistas fascistas que iniciaram uma tentativa de golpe contra o governo de Evo Morales são os mesmos que estão tentando dividir a Bolívia para impedir o avanço da revolução que se aprofunda na América Latina.
4. Seu objetivo é liquidar as conquistas que a luta dos trabalhadores bolivianos impôs, como a nacionalização do gás e do petróleo.
5. O recente resultado do referendo revogatório de 10 de Agosto foi uma demonstração de força e combatividade das massas bolivianas que não aceitam um retrocesso após os grandes combates de 2003, 2005 e da vitória eleitoral de Dezembro de 2005.
6. A realidade é que após ser derrotada no referendo, a burguesia boliviana, com o apoio do governo dos EUA, abriu uma ofensiva contra o governo de Evo Morales, saindo da propaganda de divisão do país e se transformando em um combate aberto e violento.
7. O embaixador dos EUA, Philip Goldberg, se reuniu na quinta, 10/9/2008, com a prefeita de Chuquisaca, Savina Cuellar, em Sucre, e com a organização ultra-racista Comitê Interinstitucional, que em 24 de Maio humilhou vários camponeses desnudando-os e fazendo-os pedir perdão de joelhos na praça principal da cidade. Dias antes o embaixador dos EUA se reuniu em Santa Cruz com o prefeito Rubén Costas, o chefe público da conspiração reacionária e fascista. Assim, tem toda a razão Evo Morales em expulsar o chefe da conspiração, o embaixador Philip Goldberg.
8. O objetivo do imperialismo e da oligarquia boliviana é claro. Já vimos este filme. Em 11/9/2008 fez 35 anos que a burguesia chilena, com o apoio do governo dos EUA, assassinou o presidente Salvador Allende e iniciou uma das mais sangrentas ditaduras do mundo. É isto que o governo Bush e os governadores dos departamentos orientais da Bolívia pretendem.
9. A sabotagem e explosão de gasodutos, o lockout dos setores patronais divisionistas e forças reacionárias na Bolívia são a prova que quando os interesses dos poderosos são tocados ou ameaçados eles não recuam frente a nenhuma consideração “democrática”.
10. O jornal “O Estado de SP” declara cinicamente em editorial: “Nos últimos dois anos, na Bolívia não há lei a respeitar nem instituições que funcionem regularmente. O país está à mercê do arbítrio de um presidente que insiste em instituir uma forma de governo sui generis, baseado numa ideologia nacional-indigenista anacrônica e irresponsável, e um regime autoritário, à semelhança do que seu mentor Hugo Chávez vem praticando na Venezuela. A oposição, por sua vez, não tendo instituições às quais apelar, está compreensivelmente reagindo nos termos em que Evo Morales colocou a disputa: com atos de arbítrio, a mobilização dos movimentos cívicos e políticas de fatos consumados.” (OESP, 10/9/2008 – grifos nossos). Esta é a burguesia “democrática” brasileira que para defender seus interesses não hesita em rasgar as leis, desconhecer suas próprias instituições e agir de armas na mão.
11. O governo brasileiro tem a obrigação mínima de rechaçar qualquer tentativa de negociação direta com os governadores golpistas e de reafirmar a soberania da Bolívia sustentando o governo Evo Morales contra toda tentativa de golpe.
Nenhum acordo com os golpistas fascistas da Bolívia!
Todo apoio ao governo Evo Morales contra os golpistas e o imperialismo EUA!
Viva a revolução do povo boliviano!
Envie cópia dessa declaração:
Para o Itamaraty:
celsoamorim@mre.gov.br
Para a Presidência da República:
protocolo@planalto.gov.br
gabpr@planalto.gov.br
São Paulo, 12 de Setembro de 2008
Esquerda Marxista
Bolívia: nova ofensiva da oligarquia. É hora de contra-atacar!
Por Jorge Martín - www.marxist.com
11/09/2008
Em Tarija, um grupo de 50 funcionários do governador da região atacou os escritórios da Superintendência de Hidrocarbonetos e a invadiram. Estas ações se repetiram em Tarija, Beni e Pando, onde bandos de mercenários dirigidos por funcionários dos governadores regionais e pelos parlamentares da oposição ocuparam o Instituto de Reforma Agrária (INRA), os pedágios das estradas, os escritórios da alfândega, aeroportos, etc.
Em Santa Cruz, depois de invadir vários escritórios governamentais partiram em direção aos meios de comunicação que não estão controlados pela oposição de direita. Saquearam e destruíram o equipamento das instalações da Rádio Patria Nueva (abriram fogo nos equipamentos) e da Televisão Boliviana Canal 7. Também forçaram a emissora da rádio comunitária Radio Alternativa a encerrar sua transmissão. Alguns dias antes, quatro emissoras de rádio de Cobija, em Pando, também foram obrigadas a parar de transmitir.
Além de ocupar os edifícios públicos e meios de comunicação, a ofensiva da oligarquia também teve como objetivo as organizações de massa dos trabalhadores e camponeses. Na Quinta-Feira, 4 de Setembro, no meio da noite, incendiaram a casa do secretário executivo da Central Obrera Departamental (COD) [seção estadual da COB, nota do Tradutor] em Santa Cruz, enquanto dormiam sua esposa e seus cinco filhos. Também foram saqueadas e incendiadas as salas da ONG pelos direitos dos indígenas CIJES em Santa Cruz e as instalações da Confederação dos Povos Indígenas da Bolívia (CIDOB). Finalmente, em Santa Cruz, estes grupos de mercenários armados ocuparam várias praças públicas e feiras livres em regiões de forte apoio ao MAS.
Como parte desta ofensiva também houve um ataque a um oleoduto de gás na fronteira com Argentina e a ocupação de um campo de gás em Chuquisaca, que segundo algumas informações ameaçaram cortar as exportações de gás para o Brasil e Argentina, o que provocaria um sério dano à economia boliviana.
Isto não foi uma série de “ações espontâneas”, e sim parte de um plano bem preparado e coordenado contra o poder do governo de Evo Morales. Estas ações foram discutidas e decididas no dia 4 de Setembro na reunião do CONALDE (uma coalizão de governadores da oposição e ditos comitês “cívicos” - na prática, o alto comando da oligarquia). O latifundiário e líder do partido da oposição PODEMOS no parlamento, Antonio Franco, aplaudiu publicamente a ocupação dos edifícios públicos em Santa Cruz.
Também estava implicada a asquerosa mão dos EUA. Rompendo todo protocolo diplomático, no dia 25 de Agosto, o embaixador norte-americano Goldberg teve uma reunião de portas fechadas com um dos principais dirigentes da oposição, o governador de Santa Cruz Rubén Costas. Uma semana depois se reuniu com a governadora opositora de Chuquisaca, Sabina Cuellar. Segundo os artigos publicados nos meios de comunicação bolivianos, também se reuniu com os governadores de Tarija, Beni e Pando. O rico latifundiário Branko Marinkovic, chefe do comitê Cívico de Santa Cruz e um dos principais representantes da oligarquia, também fez uma visita aos EUA na semana passada. Não é preciso ser um astrofísico para ver que se trata de uma repetição da história do golpe de abril de 2002 na Venezuela e do golpe contra Allende no Chile que completou trinta e cinco anos.
Muito acertadamente, na Quarta-Feira, dia 10, Evo Morales declarou o embaixador norte-americano Goldberg pessoa não-grata e deu ordens ao ministro de assuntos exteriores, Choquehuanca, que lhe pedisse para deixar o país. Contudo, a expulsão do embaixador estadunidense por si só não deterá a conspiração golpista.
O posicionamento do Brasil
Segundo algumas informações, o fechamento de uma válvula de gás, em Tarija, na Quarta-Feira, dia 10, fruto da ação da oligarquia, provocou um aumento de pressão e um gasoduto explodiu. O presidente da empresa estatal de gás, Ramírez, declarou que como resultado desta situação, as exportações de gás para o Brasil foram reduzidas em 10%, a 27 milhões de toneladas cúbicas diárias. Bolívia fornece ao Brasil 50% de seu gás.
O ministro das relações exteriores do Brasil, Celso Amorim, em uma declaração escandalosa, disse que se o governo de Evo Morales não for capaz de garantir o suprimento de gás para o Brasil, então estaria disposto a abrir negociações diretas com os governadores regionais da oposição.
Isto significaria que o Brasil reconheceria de fato a independência das regiões orientais e não reconheceria mais o governo boliviano. O dito governo de “esquerda” de Lula, uma vez mais, está assumindo o trabalho sujo de agente do imperialismo norte-americano.
A resposta do governo
Evo Morales e outros ministros de seu governo, muito acertadamente, descreveram estes movimentos como um golpe. Infelizmente, responderam fazendo um chamado à legalidade burguesa. O ministro da presidência, Juan Ramón Quintana, declarou que o “promotor público deve implementar ações contra os responsáveis e levar-lhes ante um tribunal”. O pequeno problema é que o promotor público do estado em Santa Cruz responde aos interesses da oligarquia.
Segundo notícias que recebemos de Santa Cruz, o governo pediu às organizações de massas que detivessem seus planos de bloquear as estradas de Santa Cruz contra a oligarquia; e os dirigentes locais do MAS não estão dando nenhuma direção ao movimento. O ambiente entre os apoiadores do MAS é de fúria. Inclusive setores importantes da classe média de Santa Cruz se queixam em chamadas telefônicas à rádio pela falta de ação do governo frente a estes atos violentos e ilegais.
Esta é uma situação muito perigosa. Não se pode combater a ofensiva da oligarquia dentro dos limites das instituições democráticas burguesas, a oligarquia já demonstrou que não tem intenção de respeitá-las. Sabem que são minoria, como o referendo claramente demonstrou em 10 de Agosto. Evo Morales ganhou com mais de 67% dos votos e venceu em 95 das 112 cidades do país. Por isso recorreram a métodos violentos e ilegais, utilizando todo seu poder econômico e político (nos governos regionais) para desestabilizar e finalmente derrotar o governo de Evo Morales.
A oposição na Bolívia representa os interesses dos grandes grupos empresariais, o setor bancário e os grupos agro-capitalistas em aliança com as multinacionais estrangeiras e o Imperialismo EUA. Temem perder importantes parcelas de seu poder econômico e político. Acreditam que já perderam o controle do governo central e são conscientes de que a aprovação da nova constituição (por isso o governo convocou um novo referendo para o próximo dia 7 de Dezembro) poderia ser o início de uma reforma agrária que afetaria seriamente suas propriedades. Desde seu ponto de vista, o que está em jogo é muito importante, não terão dúvidas em utilizar todos os meios à sua disposição, legais ou ilegais.
O problema é que os dirigentes do MAS e o governo querem utilizar somente os métodos estritamente legais e institucionais. A luta de classes não é como um jogo de xadrez, onde os oponentes respeitam as regras do jogo. Se parece mais com uma luta de boxe onde seu adversário utiliza todo tipo de truque sujo e ainda por cima controla o juiz. Se o governo do MAS quiser continuar jogando xadrez, enquanto a oligarquia luta boxe, fica claro quem vai ganhar o combate.
É o momento de contra-atacar
Como dissemos em um artigo anterior:
“É o momento de tomar medidas decisivas contra a oligarquia. Se eles sabotam a distribuição de alimentos contra a vontade democrática da população, então sua terra, fazendas, fábricas de processamento de alimentos e empresas de transporte devem ser ocupadas pelos camponeses e trabalhadores e devem ser expropriadas pelo governo. Se eles ocupam os campos de gás e petróleo, como ameaçam, então os trabalhadores e camponeses devem recuperá-los. Se bloqueiam estradas, os trabalhadores e camponeses devem se organizar para reabri-las”. (Bolívia: uma nova ofensiva da oligarquia, as massas respondem nas ruas. 23/8/2008).
Frente à passividade dos representantes do governo, as organizações de massa devem tomar a iniciativa. A reunião da Coordinadora Nacional de Organizaciones por el Cambio (Conalcam) celebrada semana passada em Santa Cruz, decidiu fazer bloqueios de estradas em Santa Cruz e uma marcha nacional ao parlamento. Estes planos devem ser acelerados e postos em prática de imediato.
Em Santa Cruz, o movimento Marcelo Quiroga Santa Cruz, fez um chamado à Central Obrera Departamental (COD), às organizações camponesas e vicinais para celebrar um cabildo abierto (reunião de massas) no Plan 3.000 e começar a organizar a resposta das massas contra as bandas fascistas. Em Potosí, os companheiros da Corrente Marxista Internacional – El Militante – estão tentando organizar uma reunião de urgência na COD com a presença de todas as organizações de massa para coordenar uma resposta efetiva.
A oligarquia é uma minoria, mas está bem armada, financiada e está na ofensiva. O governo, por outro lado, vem atuando de maneira débil, sem responder aos ataques. Este fato pode ter um efeito desmoralizador sobre as massas de trabalhadores e camponeses que apóiam o MAS e o governo. A única maneira de responder ao golpe oligárquico que estamos vendo ante nossos olhos é através da mobilização massiva da população nas ruas.
A Confederação Obrera Boliviana (COB) e as organizações camponesas e indígenas deveriam organizar reuniões de massas em todas as cidades e áreas rurais para discutir o golpe que está em processo. Nestas reuniões devem ser organizadas assembléias populares e comitês de autodefesa para defender as organizações operárias e camponesas, para limpar das ruas os bandos fascistas. Deveriam exigir a aprovação imediata de um decreto de expropriação das propriedades e riqueza de todos aqueles que colaboram, participam e financiam o golpe da oligarquia. A implementação deste decreto não deveria ser deixada nas mãos dos promotores públicos, juízes ou oficiais da polícia, a maioria dos quais não são confiáveis, mas, sim implementado diretamente pelas organizações operárias e camponesas sob a autoridade das assembléias populares de massas.
As massas de trabalhadores e camponeses na Bolívia demonstraram sua coragem e determinação revolucionária durante estes últimos anos e ao longo da história. Podem em questão de dias varrer a classe dominante, se estiverem armados com um programa claro e organizados com um plano de luta preciso. Em Abril de 1952, os trabalhadores mineiros sozinhos esmagaram o exército burguês e tomaram o poder na Bolívia. Esta façanha pode ser repetida. A ameaça é muito séria. O momento não é de hesitação, é momento de contra-atacar e destruir o poder econômico e político da oligarquia!
Chávez recebe contundente apoio popular após expulsar embaixador dos EUA
Por isso, anunciou que o embaixador dos EUA na Venezuela, Patrick Duddy, “tem 72 horas para abandonar o país”. Em cadeia nacional, o presidente disse ainda que “não haverá outro embaixador americano no país até que se instale um governo que comece respeitando a dignidade da Venezuela e da América Latina”.
Ao mesmo tempo, mandou trazer de volta o embaixador venezuelano em Washington, Bernardo Alvarez, “antes que o tirem de lá”.
O presidente também afirmou que já há vários detidos por envolvimento em um plano de magnicídio, que militares venezuelanos, da ativa e aposentados, preparavam contra ele.
A medida também foi entendida como ato de solidariedade com o governo Evo Morales da Bolívia, que se encontra ameaçado pelas recentes manifestações fascistas desencadeadas pela oligarquia boliviana, com apoio do embaixador americano naquele país, Philip Goldberg (expulso ontem pelo presidente Morales).
Chávez disse que “o governo Bush está por trás de todas as conspirações contra nossos povos” e advertiu que “defenderemos a unidade de nossos povos até as últimas conseqüências”.“Há muita gente na rua e isso é uma pequena demonstração da atitude alerta que tem nosso povo, por isso, convençam-se, ianques, de nunca mais voltar à Venezuela”!
URGENTE: intrigas golpistas na Venezuela e na Bolívia!
A tentativa de golpe que está acontecendo neste momento na Bolívia continua, ontem oito camponeses foram assassinados em uma emboscada feita pelas bandas fascistas da oligarquia. No bairro operário Plan 3.000 de Santa Cruz, a população expulsou as bandas fascistas que tentavam entrar no bairro para semear o terror. Como resultado destas provocações Evo Morales expulsou o embaixador norte-americano.
Na tarde do dia 11 de setembro foi descoberto um complô golpista na Venezuela. A população imediatamente se concentrou a frente do palácio Miraflores e Chávez se dirigiu a multidão anunciando a expulsão do embaixador estadunidense. Foi celebrada uma assembléia de massa com ativistas e dirigentes do PSUV no forte de San Carlos e decidiu-se por convocar, para hoje, uma marcha nas cercanias do forte Tiuna, o principal quartel da cidade; e manifestações em todas as capitais regionais para amanhã, sábado.
É o momento de dizer basta. As oligarquias na Venezuela e na Bolívia demonstraram uma vez mais sua falta de respeito pela vontade democrática da maioria da população.
Necessitamos organizar a solidariedade. Celebrar urgentemente assembléias para organizar um plano de ação de solidariedade em todo o mundo. Convocar atos de protesto em frente às embaixadas ou consulados norte-americanos, fazer assembléias públicas para discutir a situação e coordenar a ação.Há que se colocar em contato com as embaixadas da Venezuela e da Bolívia em todo o mundo que ajudem e participem desta mobilização.
É o momento de agir.
Não aos golpes reacionários na Bolívia e na Venezuela.
Não ao imperialismo.
Viva a revolução boliviana e bolivariana.
Adiante rumo ao socialismo.
“Há que acabar com a exploração em Sidor e em todas as empresas”
O Sindicato Único da Indústria Siderúrgica e Similares (SUTIS) explicou que a reivindicação é um compromisso assumido pela empresa logo após a nacionalização, há quatro meses atrás, quando foi assinado o contrato coletivo de trabalho
A incorporação dos terceirizados beneficiará cerca de 8 mil trabalhadores que hoje não têm os mesmos direitos, sendo que todos (diretos e indiretos) foram igualmente importantes na luta contra o consórcio ítalo-argentino Techin
A paralisação foi aprovada de forma contundente pela assembléia geral, em frente ao portão IV da siderúrgica. De lá, cerca de mil trabalhadores marcharam até o edifício administrativo II, onde se instalaram para esperar uma resposta da empresa.
Com a mobilização dos trabalhadores, ficou marcada a instalação de uma mesa técnica entre direção da empresa, representantes dos trabalhadores e Ministério do Trabalho para começar a incorporação dos terceirizados.
Durante a manifestação, os trabalhadores foram enfáticos:
“Aqui, desde o pessoal que limpa até os da manutenção são inerentes e conexos”, assinalou Richard Romero, representante dos trabalhadores diretos. “Estamos cansados de ser marginalizados... esta é uma das empresas onde os trabalhadores são mais explorados”, afirmou Hugo Bastardo, representante dos terceirizados.
Já Juan Valor, do SUTIS, concluiu:
“Há que acabar com a exploração em Sidor e em todas as empresas”.
Techin ameaça recorrer
O consórcio ítalo-argentino que controlava a siderúrgica ameaçou recorrer ao tribunal de arbitragens do Banco Mundial, após a ruptura das negociações com o governo venezuelano, que pretendia comprar as ações da companhia.
“Chávez decidiu arbitraria e unilateralmente romper a negociação e avançar à expropriação. Nos causou surpresa porque se estava nas etapas finais das negociações”, disse um representante da empresa.
Porém, os trabalhadores ficaram contentes ao saber da notícia: “Estamos satisfeitos porque já era hora do governo dar as costas aos argentinos. Eles tiveram por 10 anos a empresa e foi muito pouco o que fizeram por ela e seus trabalhadores. Espero que essa decisão permita que se cumpra a totalidade do prometido com a nacionalização”, assegurou José Luis Alvarez, trabalhador da Sidor.
Setor de cimento é nacionalizado pelo governo Chávez
Durante 60 dias ocorreram negociações para a compra da francesa Lafarge, da suíça Holcim e da mexicana Cemex. As empresas européias aceitaram vender a maior parte das ações para o Estado, já a Cemex resistiu e suas instaladas foram ocupadas pela Guarda Nacional e militantes socialistas.
O governo Chávez pagou US$ 552 milhões para comprar 89% das ações da Lafarge e US$ 267 milhões por 85% das ações da Holcim. Juntas, as empresas são responsáveis por metade do cimento produzido no país.
Governo Chávez ocupa Cemex
Já a Cemex - responsável pelos outros 50% da produção de cimento no país - pediu um valor exagerado por seu pacote acionário e o governo, então, decidiu ocupar as instalações. "A Cemex, o país todo sabe, tem problemas ambientais, de atraso de tecnologia, o que significa que não pode ser um valor muito acima do que estamos adquirindo hoje em dia", afirmou o vice-presidente Ramón Carrizalez.
Já o ministro de Energia e Petróleo, Rafael Ramírez, explicou desta maneira a tomada de um das instalações da Cemex (no estado de Anzoátegui): “ativamos um decreto de expropriação e a estabilidade trabalhista dos trabalhadores está garantida pelo Estado. Além do interesse comercial, temos o interesse dos venezuelanos”.
Agora, as três fábricas de cimento, 33 fábricas menores de concreto, 10 centros de distribuição terrestre e quatro terminais marítimos que pertenciam à Cemex passam a ser propriedade pública. A empresa mexicana, porém, não desistiu e irá processar a Venezuela junto ao Banco Mundial.
O corrupto governo de Felipe Calderón no México, títere do imperialismo americano, apóia a resistência da Cemex, ao afirmar que tem o objetivo de “velar pelos interesses mexicanos na empresa e, em particular, assegurar que o processo levado a cabo pelas autoridades da Venezuela se apegue ao marco legal aplicável”.
O presidente Chávez respondeu à altura: “toda a vegetação está coberta de pó, porque os irresponsáveis da Cemex nunca investiram em tecnologia para eliminar isso. Eles não se importam em contaminar pessoas, praia, vegetação, animais, tudo. O que eles querem é lucro, dinheiro, mas não para investir aqui e sim para levar embora, saqueando a riqueza do país, vendendo o cimento mais caro do mundo”.
Estatal de cimento vai unificar produção no país
E concluiu: “vamos demonstrar que o Estado nacional pode ser, é e será vitorioso na administração de todas essas empresas, muito mais do que foi o setor privado”.
A criação da estatal “Corporação de Cimentos da Venezuela”, sem dúvida, é um passo importante para planificar e melhorar a produção de cimento, impulsionando a construção civil para a população.
Mas, para que a gestão não cai nas mãos de antigos gerentes e burocratas, é preciso estimular os conselhos de trabalhadores para controlar a administração e as instalações, conforme campanha levantada pela FRETECO.
Novas medidas podem reativar a produção na Invepal e Inveval
E após campanha internacional de moções desenvolvida por FRETECO (Frente Revolucionária de Trabalhadores em Empresas em Co-gestão e Ocupadas), que exigia a reativação produtiva de Invepal e Inveval (fábrica de válvulas)...
O presidente Chávez anunciou o investimento de 266,8 milhões de bolívares fortes (cerca de R$ 125 milhões) para impulsionar a produção de papel no país e alcançar o crescimento projetado para o setor nos próximos dois anos.
Segundo o governo, através de um crédito proveniente do Tesouro Nacional, será desenvolvido um plano para incrementar em 56% a produção nacional de papel e 36% a de produtos derivados, como cadernos, caixas, pacotes, etc.
O plano permitirá a geração de 690 novos empregos e propiciará a geração de uma rede social de reciclagem que contará com cerca de 2200 trabalhadores.
Após uma avaliação realizada em Invepal, cuja capacidade instalada de produção é de 316 mil toneladas de papel ao ano, o presidente Chávez disse que, entre as medidas previstas, está a instalação de uma empresa processadora de polpa de papel na zona norte do Oniroco. A medida é importante para substituir as importações do produto, que serve de matéria-prima à Invepal.
A produção de Invepal alcançou em 2005 cerca de 7 mil toneladas, incrementada em cinco mil toneladas no ano seguinte. Em 2007, situou-se em 27 mil 691 toneladas, o que representou o emprego de 8,7% da capacidade instalada. Com os investimentos, espera-se aumentar a produtividade para 82% da capacidade instalada, em dois anos.
Inveval
O presidente Hugo Chávez anunciou que a fábrica de válvulas Inveval, controlada atualmente pelos trabalhadores e o Estado, após a expropriação de seus donos privados, passará a ser uma empresa mista com PDVSA (estatal petrolífera).
Inicialmente, PDVSA aprovou um recurso de R$ 27 milhões de bolívares fortes (cerca de R$ 13 milhões) para atualização e estabilização da empresa, valor considerado modesto pelo presidente.“No futuro vamos substituir as importações e também exportaremos válvulas petroleiras”, afirmou Chávez.
Solidariedade com os trabalhadores das Fabricas da Venezuela
FRETECO
28 de Agosto de 2008
SIM AO CONTROLE OPERÁRIO, SIM AO CONTROLE CAMPONÊS, SIM AO CONTROLE DOS CONSELHOS COMUNAIS!!!!!!!!!!!!
SIM AO PODER POPULAR PARA DAR IMPULSO À REVOLUÇÃO!!!!!!!!!!!
1. Não à remoção dos trabalhadores da empresa ocupada INAF!
O empresário da Indústria Nacional de Artículos de Ferretería (INAF) ameaçou expulsar os trabalhadores desta empresa no dia 30 de agosto de 2008. Estes trabalhadores entenderam que era necessário ocupar a fábrica em agosto de 2006, para poder preservar seus postos de trabalho e manter o sustento de seus familiares. Os trabalhadores responderam à sabotagem do patrão. Os trabalhadores da INAF deram um exemplo à classe trabalhadora nacional e internacional de que os trabalhadores podem administrar as empresas; que o Controle Operário, sim, é possível na revolução bolivariana. O controle Operário é uma ferramenta fundamental para levar a revolução em direção ao verdadeiro socialismo.
2. Sim a reativação produtiva da Inveval!
Os trabalhadores da Inveval (empresa expropriada pelo Governo Bolivariano em 2005) administraram a empresa sob controle operário de maneira exitosa recuperando por completo a infra-estrutura e a maquinaria, mesmo sem possuir a matéria prima fundamental (as carcaças) que são fornecidas pela Acerven (esta empresa segue fechada desde a greve patronal petroleira de 2003). Para abastecer de válvulas a indústria petroleira é necessário, também, expropriar a Acerven e proceder sua reativação sob controle operário.
3. Outras empresas que foram ocupadas e recuperadas pelos trabalhadores se encontram hoje em situações similares.
Os patrões estão sabotando a economia do país escondendo os produtos alimentícios de primeira necessidade, fechando empresas, demitindo injustamente os trabalhadores, aumentando a exploração dos trabalhadores, etc.
Por tudo o que expomos acima os abaixo assinantes demandam:
1. A expropriação da INAF sob Controle Operário e construir uma verdadeira Empresa Socialista.
2. A expropriação de Acerven sob Controle Operário para a reativação produtiva da Inveval e assim poder suprir as válvulas para a PDVSA.
3. Expropriação da empresa de transporte MDS sob Controle Operário.
4. A expropriação da empresa têxtil Gotcha.
Fazemos um chamado de solidariedade à luta dos Conselhos comunais, Batalhões do PSUV, Sindicatos, Movimentos Camponeses, Cooperativas, organizações revolucionárias e reafirmamos que é necessário nos unir para alcançar a vitória e conseguir levar nossa revolução em direção ao Socialismo.
SIM À EXPROPIAÇÃO DE INAF, ACERVEN, TRANSPORTE MDS, FRANELAS GOTCHA SOB CONTROLE OPERÁRIO.
SIM AO CONTROLE OPERÁRIO NAS EMPRESAS NACIONALIZADAS COMO: SIDOR, CEMENTERAS LAFARGE- CEMEX- HOLCIM, LUZ ELECTRICA, CANTV.
SIM À CONFORMAÇÃO DOS CONSELHOS DE FÁBRICA E DE TRABALHADORES.
DEVEMOS LUTAR POR:
· DIGNIFICAR A VIDA DO TRABALHADOR.
· REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO.
· NÃO À EXPLORAÇÃO DOS TRABALHADORES.
· SIM AO SOCIALISMO SOB CONTROLE DO PODER POPULAR.
Assine esta resolução e a envie para:
Presidência da República drsociales@presidencia.gov.ve
Ministério da Indústria Ligeira e Comércio (MILCO) mariruta@gmail.com
Enviar cópia para: frentecontrolobrero@gmail.com
A nacionalização do Banco de Venezuela (Grupo Santander)
1º de agosto de 2008
No dia 31 de julho em um programa de televisão transmitido para todo o país, o presidente Chávez anunciou a nacionalização do Banco de Venezuela, banco venezuelano propriedade da multinacional bancária espanhola Grupo Santander. “Vamos nacionalizar o Banco de Venezuela. Faço um chamado aos senhores donos para que venham e comecemos a negociar”.
E acrescentou: “Há alguns meses nos interamos, graças a fontes de inteligência, de que os proprietários espanhóis iriam vender o banco, que esteve privatizado durante anos; que existia um acordo assinado entre o Grupo Santander e um banco privado venezuelano, o banqueiro venezuelano precisava da permissão do governo para comprar o banco, não se trata de operação pequena (...), então enviei uma mensagem ao banqueiro espanhol e ao venezuelano, para dizer-lhes que o governo queria comprar o banco, queremos recuperá-lo. Então um dos proprietários disse: ‘não, não queremos vendê-lo! ’. Então eu disse: ‘Não, comprá-lo-ei, quanto custa? Vamos pagar por ele e vamos nacionalizar o Banco de Venezuela’”. O presidente continuou: “A partir desse momento começará a campanha dos meios de comunicação espanhóis e internacionais. Dirão que Chávez é um autocrata, que Chávez é um tirano, não me importa, apesar de tudo, vamos nacionalizar o banco”. “Os cães ladram, mas a caravana passa”, disse, citando o Dom Quixote.
“Existe algo de obscuro nisso tudo, seus donos estavam, a princípio, desesperados para vender o Banco de Venezuela, inclusive tentaram me pressionar. Agora, de repente, não querem vendê-lo. Mas agora estou interessado em comprá-lo e vamos nacionalizar o Banco de Venezuela para colocá-lo a serviço do povo venezuelano”. Acrescentou que o banco controla milhões de bolívares que pertencem ao “povo venezuelano e também ao governo venezuelano”.
“Necessitamos de um banco deste tamanho. Porque este é o Banco de Venezuela, este banco gera grandes lucros, mas estes se vão para o exterior”.
Chávez também assegurou que os depósitos dos poupadores estão garantidos assim como os empregos dos trabalhadores, cujas condições melhorarão “como aconteceu com a nacionalização de Sidor”.
Chávez agradeceu aos administradores privados do banco por tê-lo convertido em uma instituição muito eficiente, mas acrescentou que o banco deixará de ser um banco capitalista para tornar-se um banco socialista: “o lucro não será de um grupo, e sim será investido no desenvolvimento social-socialista. O socialismo, cada dia com mais força!”.
Super lucros
O Banco de Venezuela é um dos bancos mais importantes da Venezuela, detém 12% do mercado de empréstimos e obteve um lucro de 170 milhões de dólares no primeiro semestre de 2008, 29% maior em relação ao mesmo período de 2007, e depois dos lucros já terem aumentado cerca de 20%. Possui 285 agências e três milhões de clientes.
O Banco de Venezuela foi nacionalizado em 1994 depois de uma generalizada crise bancária que provocou a quebra de 60% do setor bancário, só para ser privatizado em 1996 e comprado pela multinacional bancária Grupo Santander por apenas 300 milhões de dólares. Em apenas nove meses, o Grupo Santander recuperou seu investimento inicial. Os ativos do banco estão calculados, hoje, em cerca de 891 milhões de dólares. Em 2007, apenas, obteve um lucro de 325,3 milhões de dólares, mais do que aquilo que haviam pagado pelo banco em 1996.
Este não é o único exemplo de negócios escandalosos por parte dos banqueiros espanhóis na Venezuela. O Estado venezuelano também adquiriu o Banco Provincial em 1994 e depois o vendeu em 1996 à multinacional bancária espanhola Grupo BBVA. Como resultado destas operações, o setor bancário venezuelano está dominado por quatro grupos: duas multinacionais espanholas, BBVA e Santander, e dois bancos venezuelanos, Mercantil e Banesco. Hoje, o espanhol Grupo Santander é o maior banco da América Latina com 4.500 agências; um terço dos lucros do Grupo Santander, em 2007, foram oriundos da América Latina. Este é só um exemplo de como as multinacionais estrangeiras saqueiam os recursos do continente.
Hipocrisia
Este é um excelente exemplo da hipocrisia dos defensores das grandes empresas. Como estes cavalheiros podem falar da suposta eficiência dos banqueiros privados, quando todo mundo sabe que os grandes bancos, nos EUA e em outros países, há décadas estão implicados em uma generalizada e criminosa especulação, que levou ao colapso um grande banco após o outro nos últimos doze meses, ameaçando colapsar o sistema financeiro mundial?
Não faz muito tempo o Federal Reserve (o banco central americano) de Nova Iorque teve que ceder 29 bilhões de dólares à Bear Stearns Companies Inc., um importante banco de investimento estadunidense, para assim facilitar sua compra por parte de outro grande banco, JP Morgan Chase & Co. Este é um exemplo da “eficiência” dos banqueiros privados, que obtiveram lucros fabulosos durante anos de especulação criminosa no mercado imobiliário norte-americano, e que agora pedem a ajuda do Estado para que lhes dê bilhões de dólares do dinheiro dos contribuintes. Ao invés de mandá-los para cadeia por seus crimes, que só no mês de maio provocou o despejo de 77.000 famílias estadunidense, estes ricos parasitas são generosamente recompensados por seus amigos da Casa Branca e de Wall Street.
Quando o presidente Chávez anuncia a nacionalização de um banco é acusado de cometer um crime contra a propriedade privada. Mas os governos burgueses de EUA e Europa têm nacionalizados bancos também. O Federal Reserve, depois de ter enviado quantidades absurdas de dinheiro aos bolsos dos banqueiros, como no caso de Bear Stearns, agora nacionalizou dois gigantes das hipotecas, Fannie Mae e Freddie Mac, às custas do dinheiro dos contribuintes norte-americanos, cedendo outros 25 bilhões de dólares. George Bush e sua administração não têm dinheiro para a saúde nem para a previdência, mas têm muito dinheiro para encher a burra de seus amigos ricos. Nas palavras do famoso escritor estadunidense Gore Vidal, é um exemplo de “socialismo para o rico e livre empresa para o pobre”.
O que nos diz este exemplo sobre a “eficiência” dos banqueiros privados nos EUA? Fannie Mae e Freddie Mac, que são responsáveis por 50% de todas as hipotecas dos EUA, emitiram cinco trilhões de dólares em dívidas e títulos hipotecários. Deste total, mais de três trilhões estão em poder de instituições financeiras norte-americanas e mais de 1,5 trilhões de dólares estão nas mãos de instituições estrangeiras. A aplicação massiva desses recursos em especulação e fraudes representa uma séria ameaça para a estabilidade da economia global. Por isso as autoridades americanas tiveram, na prática, que nacionalizá-las. Porém, ninguém pôs estas operações em dúvida.
Observamos exatamente a mesma coisa ano passado em Grã-Bretanha, onde o quinto maior banco, Nothern Rock, foi nacionalizado pelo governo para impedir seu colapso. Estes banqueiros privados eram tão eficientes que causaram a primeira crise de um banco britânico em mais de 150 anos, formou-se longas filas de poupadores preocupados, que, literalmente, dormiram na fila do banco para retirar seu dinheiro. A nacionalização de Northern Rock custou aos contribuintes britânicos 20 bilhões de libras (40 bilhões de dólares). Ao mesmo tempo, o primeiro ministro Gordon Brown diz aos trabalhadores britânicos que não há dinheiro para aumentos salariais e que todos devem fazer sacrifícios, todos... exceto os banqueiros privados!
Quanto mais se come, maior o apetite
Os trabalhadores venezuelanos e de todo o mundo darão as boas vindas à nacionalização do Banco de Venezuela. Compreenderão que os ataques e calúnias lançados contra Hugo Chávez estão ditados pela hipocrisia, mesquinharia e ódio à revolução venezuelana. Os banqueiros espanhóis, que saquearam e saqueiam vergonhosamente a Venezuela, estavam dispostos a vender o Banco de Venezuela a um banqueiro privado venezuelano, ou seja, um companheiro de crime, mas não estavam dispostos a permitir que o banco viesse a ser recuperado pelo Estado e utilizado para os interesses do povo venezuelano.
Para os marxistas, a questão da compensação por si só não é uma questão de princípios. Há tempos Marx defendeu a compensação aos capitalistas britânicos como uma maneira de minimizar sua resistência a nacionalização, Trotsky contemplou uma possibilidade similar com relação aos EUA. Contudo, a idéia dos reformistas de que a propriedade dos capitalistas deve ser comprada a preços de mercado é totalmente falsa e impossível na prática. Nossa política deve ser: uma compensação mínima somente em caso de necessidade comprovada. Em outras palavras, consideraríamos a compensação para os pequenos acionistas de classe média, pensionistas, etc., mas, de modo algum, enormes somas de dinheiro para os super-ricos que já obtiveram grandes fortunas oriundas do saque a países como Venezuela. O Grupo Santander comprou o Banco de Venezuela pelo preço ridiculamente baixo de 300 milhões de dólares. Esta soma de dinheiro foi recuperada com sobras, não há nenhuma justificativa para pagar a estes um bolívar sequer.
Não obstante, a questão real aqui não é o tamanho da compensação. É o fato de um grande banco ser retirado de mãos privadas. O que realmente temem os capitalistas e os imperialistas é que a tendência da revolução venezuelana a realizar ofensivas contra a propriedade privada torne-se irresistível. A crise do capitalismo significa que um número cada vez maior de bancos e outras empresas privadas entrarão em crise e fecharão nos próximos meses, provocando um profundo aumento do desemprego. Na Venezuela o investimento privado caiu demasiadamente. A economia venezuelana só se mantém graças à inversão do Estado e ao setor público. Isto representa uma ameaça séria para a revolução e pode ter resultados adversos nas eleições de novembro, especialmente se nos atemos ao aumento da inflação.
O argumento de reformistas e estalinistas de que a revolução deve formar uma “aliança estratégica com a burguesia nacional” é uma estupidez perigosa. Todo mundo sabe que a burguesia é o inimigo da revolução e do socialismo. Não é possível formar uma “aliança estratégica” com a burguesia nacional progressista porque ela não existe. Os reformistas e estalinistas gostariam de criar uma burguesia nacional com dinheiro público. Que lógica há nesta proposta absurda? E ainda a apresentam como suposto realismo. Ao invés de mandar dinheiro para os capitalistas privados que o enviariam imediatamente a contas bancárias em Miami, o Estado deveria tomar em suas mãos as forças produtivas e utilizar seus recursos para criar uma economia planificada verdadeiramente socialista. A condição prévia é que as forças produtivas deveriam estar nas mãos do Estado e o Estado deveria estar nas mãos da classe trabalhadora.
Apesar de todas as exortações, os capitalistas não investirão na Venezuela. A única maneira de avançar é a nacionalização. A expropriação de Sidor no início deste ano foi o resultado do movimento dos trabalhadores a partir de baixo. A ameaça de fechamentos de fábricas nos próximos meses, sem dúvida, levará a uma nova onda de ocupações de fábricas e exigências de nacionalizações. A nacionalização do Banco de Venezuela dará um novo impulso à reivindicação dos trabalhadores de expropriação e controle operário. Quanto mais se come, maior o apetite! Por isso os proprietários do Banco Santander querem, a qualquer custo, evitar que sua propriedade passe as mãos do Estado, mesmo tendo o presidente se oferecido a pagar por ele.
No programa de televisão onde o presidente Chávez anunciou a nacionalização do Banco de Venezuela, mencionou Marx e Engels, fez referência à importância da redução da jornada de trabalho, e também analisou a crise mundial do capitalismo. Disse que somente com o socialismo as sociedades podem conseguir sua emancipação. Isso é absolutamente certo. Mas o socialismo só é possível quando a classe trabalhadora toma o poder em suas mãos, expropria os banqueiros, latifundiários e capitalistas, quando começa a administrar a sociedade em linhas socialistas.
A revolução venezuelana começou a tomar medidas contra a propriedade privada. Os marxistas darão as boas-vindas a cada passo em direção a nacionalização. Ao mesmo tempo, chamamos a atenção: as nacionalizações parciais não são suficientes para resolver os problemas fundamentais da economia venezuelana. A nacionalização de todo o setor bancário e financeiro é uma condição necessária para o estabelecimento de uma economia socialista planificada, junto com a nacionalização da terra e de todas as grandes empresas privadas, sob o controle e gestão dos trabalhadores. Isto nos permitirá mobilizar todos os recursos produtivos da Venezuela para resolver os problemas mais urgentes da população.
Portanto, saudamos a nacionalização do Banco de Venezuela como um passo adiante. Mas o objetivo principal ainda não foi alcançado: a eliminação do poder econômico da oligarquia e o estabelecimento de um verdadeiro estado operário socialista. A batalha continua.
Barcelona, 1º de agosto de 2008.
Presidente Chávez recebe, em Madri (Espanha), uma delegação da Campanha Tirem as Mãos da Venezuela!
Para os marxistas era fundamental aproveitar a viagem de Chávez para demonstrar a solidariedade da classe operária e da juventude da Espanha com a revolução venezuelana.
Vitoriosa concentração no Parque del Oeste
Por isso, na primeira hora da manhã, organizamos um ato com representantes do Sindicato dos Estudantes, a Corrente Marxista El Militante e a Campanha Internacional Tirem as Mãos da Venezuela em frente à estátua eqüestre de Simon Bolívar no Parque del Oeste. A este ato-homenagem acudiram cerca de 100 pessoas, contando com delegados sindicais de CCOO e STES.
Estiveram presentes também, membros da Coordenadoria de Trabalhadores Imigrantes, de Aliança País, movimento de Rafael Correa em Equador, da Plataforma bolivariana e Coordenadoria de solidariedade com Cuba, que deram uma saudação aos presentes.
O evento foi muito animado, com consignas que refletiam a enorme combatividade dos presentes, inspirados pelo exemplo revolucionário de Venezuela: “Tirem as Mãos de Cuba e Venezuela”, “Alerta, alerta, alerta que caminha: a luta socialista pela América Latina”, “Nativa ou estrangeira, a mesma classe operária”, fazendo referência à “diretiva da vergonha” recentemente aprovada, “Uh, ah, Chávez não se vá” e especialmente “Ista, ista, ista, Venezuela socialista”. Três faixas presidiram o ato: “Tirem as Mãos da Venezuela”, “Por uma Federação Socialista de América Latina” e “Que nunca lhe calem Comandante”, em referência às palavras do rei espanhol Juan Carlos.
Ao longo da manhã, distintos meios de comunicação, fundamentalmente venezuelanos acudiram ao ato e podemos conversar com eles. Entre eles, estava Venezuela Televisión e Telesur.
Para encerrar o ato de solidariedade, Juanjo López, secretário geral do Sindicato dos Estudantes e Miriam Municio, porta-voz da campanha Tirem as Mãos da Venezuela, se dirigiram aos presentes para explicar os objetivos da manifestação e a enorme importância da solidariedade internacional. Juanjo López destacou o terror que a revolução desperta nos imperialistas. Têm pânico que ela se estenda por todo o mundo, como já está se ocorrendo. Portanto, tratam de tergiversar sobre o que realmente ocorre na Venezuela: o início de uma profunda mudança na sociedade e a luta pelo socialismo.
Mirim Municio, por sua vez, partiu da atual crise econômica que sacode as potências capitalistas para demonstrar a impossibilidade de que exista um capitalismo com rosto humano. É isso que demonstra a diretiva aprovada recentemente que amplia a jornada de trabalho dos europeus a 65 horas semanais. A única alternativa é, portanto, o socialismo. Por isso, defendemos que a revolução têm que seguir avançando, expropriando as alavancas econômicas que continuam nas mãos dos capitalistas e liquidando o Estado burguês, que trata de boicotar o processo.
Este ato é uma demonstração de que a solidariedade tem que ser uma solidariedade de classe e internacionalista. Um triunfo da revolução na Venezuela será uma alavanca determinante para transformar o mundo.
Simultaneamente, representantes da Tirem as Mãos da Venezuela e do Sindicato dos Estudantes em Mallorca organizaram uma recepção ao presidente Chávez, com uma faixa onde se lia: “Bem-vindo companheiro Chávez, solidariedade com a revolução em América Latina”.
Coletiva de imprensa em La Moncloa
Posteriormente, dois companheiros do comitê de redação do jornal “El Militante”, da Corrente Marxista Internacional na Espanha, puderam participar da coletiva de imprensa que o presidente Chávez e o presidente espanhol Zapatero deram no Palácio de la Moncloa.
Os companheiros pretendiam perguntar sobre as nacionalizações que seu governo está empreendendo em benefício da classe operária e do povo venezuelano. Os capitalistas criticam, espantados, estas nacionalizações, como a de Sidor, no entanto, não têm nenhuma dúvida em resgatar bancos afetados pela crise financeira internacional, empregando dinheiro de todos. Queríamos conhecer a opinião de Chávez sobre essa flagrante hipocrisia, mas lamentavelmente, não tivemos a oportunidade de efetuar a pergunta.
O presidente Chávez deixou claro que na Venezuela está se produzindo um revolução. Assinalou que este processo se dá em toda a América Latina e que quem não vê é porque não quer e quem não sente é porque não quer sentir. Chávez assinalou que nos encontrams imersos em uma enorme crise em todos os níveis: crise alimentar, energética, financeira e inclusive moral. Ressaltou que se tratava, em definitivo, de uma crise de toda uma época. Compartilhamos com o presidente esta análise. E mais, acreditamos que se trata de uma crise global do sistema capitalista, um sistema caduco.
Encontro de Chávez com uma delegação de revolucionários
Na base militar de Torrejón, desde onde o presidente regressaria a Venezuela, Chávez se encontro com uma delegação de representantes do Sindicato dos Estudantes, Tirem as Mãos da Venezuela e a Corrente Marxista El Militante.
O recepção foi calorosa. Convidamos o presidente a retornar a Madri para organizar um evento de solidariedade de jovens e trabalhadores com a revolução venezuelana na próxima primavera, de características similares ao organizado por Tirem as Mãos da Venezuela em Viena, em maio de 2006.
Chávez se interessou pelo Sindicato de Estudantes e nos informou que pela manhã havia visto uma delegação de Tirem as Mãos da Venezuela em Mallorca. Perguntou por Allan Woods, fundador da campanha TMV e dirigente da Corrente Marxista Internacional. Nos disse que havia seguido o giro de Allan Woods por Venezuela, lançando seu último livro: “Reformismo ou revolução – marxismo e socialismo do século XXI, resposta a Heinz Dieterich”.
Também fizemos a entrega ao Presidente de alguns materiais políticos, entre eles o último livro publicado pela Fundação Frederich Engels “ História da Revolução Russa” do grande marxista Leon Trotsky. Chávez valorizou com grande interesse o presente. Nos despedimos ao grito de “Pátria, socialismo ou morte: venceremos”!
Pouco antes do Presidente tomar o avião presidencial rumo à Venezuela nos fotografamos com Chávez, com o punho para o alto, dando vivas à revolução e ao socialismo. O pre
sidente nos animou a continuar a luta e insistiu na necessidade de transformar esse sistema.

Invepal está há um mês e meio parada por falta de matéria-prima
Em outubro de 2005, na abertura do I Encontro Latino-americano de Empresas Recuperada pelos Trabalhadores, realizado em Caracas, na Venezuela, o presidente Hugo Chávez anunciou a nacionalização de algumas fábricas, dentre elas, a Venepal (transformada em Invepal).Economía
Invepal está há um mês e meio parada por falta de insumos
Trabalhadores da empresa esperam que hoje se reiniciem as atividades
Suhelis Tejero Puntes
EL UNIVERSAL
A Indústria Venezuelana Endógena de Papel (Invepal) está há um mês e meio parada por falta de matéria-prima, segundo asseguram os trabalhadores desta planta.
A empresa, que forma parte do grupo de estabelecimentos que foram tomados pelo governo para levar à frente um processo de co-gestão no ano 2005, deteve suas operações várias vezes nesses anos porque a polpa utilizada para fabricar o papel não chega a tempo para continuar a produção. A mesma é importada desde países como Chile e Canadá.
Tal situação, revelou o trabalhador Noel Capote, deveria ser solucionada hoje, quando se espera que a indústria reinicie as operações e, desta vez, espera-se que seja de forma definitiva.
Para garantir isso, Capote assegurou que a empresa irá importar, além de matéria-prima, bobinas de papel para que, no caso da chegada da polpa falhar novamente, Invepal poderá seguir operando e assim não existirá a necessidade de parar o maquinário.
A indústria opera sob o esquema de co-gestão, no qual o Estado tem a maioria acionária (com 51% do pacote), enquanto que a cooperativa Covimpa, que representa os trabalhadores, detém 49%.
Em outros aspectos, o trabalhador de Invepal assinalou que se mantêm os problemas trabalhistas na indústria, pois a cooperativa não pretende absorver aos pouco mais de 300 trabalhadores que não pertecem à mesma, o que gera diferenças com os outros 297 que sim pertencem a Covimpa.
Não obstante, Capote revelou que a cooperativa en Invepal funciona a cargo do Estado, pois os trabalhadores inscritos na mesma pertencem à folha de pagamento estatal e é o governo que cancela seus salários e benefícios e não Covimpa.
Por outro lado, o trabalhador consultado indicou que todavia a empresa não alcança dividendos, situação gerada pelas múltiplas paralisações que enfrentaram desde o início, assim como por problemas financeiros que incluem má gestão administrativa logo no início.
O governo nacional, quando anunciou a criação da papeleira sob o esquema co-gestionário, estimava que em dois aanos a empresa estaria rendendo frutos, mas já correram três e os números seguem no vermelho. Invepal se formou após a expropriação das instalações de Venepal.
Alan Woods fala do seu livro "Reformismo ou Revolução"
Nos vídeos poderás assistir à entrevista concedida ao programa "contragolpe" - um dos mais populares na televisão venezuelana
Parte 1
Parte 2
Relato do encontro de Hugo Chavez con Alan Woods em http://www.marxist.com/alan-woods-invited-chavez-nueva-esparta.htm
Atividade em BH, neste sábado, dia 14
Em seguida o camarada Wanderci Bueno, membro da Esquerda Marxista (http://www.marxismo.org.br), que está em processo de Fusão com Corrente Marxista Internacional (http://www.marxist.com), irá nos colocar a par de suas experiências com o movimento operário da Venezuela (no total, foram quase 2 anos de atividades em fábricas ocupadas e no movimento operário/sindical) e iremos analisar a conjuntura da revolução social da Venezuela, o movimento de fábricas sob controle operário e nacionalizadas, perspectivas do socialismo sob a ótica do marxismo na América Latina, o movimento das fábricas ocupadas no Brasil (Flaskô em Sumaré-SP e CIPLA/Interfibra em Joinville-SC, que estão sob intervenção da Polícia Federal), a conjuntura brasileira e o papel dos revolucionários.
Em seguida será aberto um debate sobre estes temas e sobre outros temas que os participantes poderão colocar.
Livros/Textos
fone (31)8366-0051
Lembrando que estas atividades são financiadas por nós mesmos, quem puder contribuir o faça. Você pode também ter acesso livre a textos marxistas nos seguintes links:
No Volverán! Na Paraíba!
Compareça!
Vitoriosa Conferência Internacional
No dia 31 de Maio, mais de 200 ativistas de oito estados brasileiros (Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo), além de convidados internacionais da Argentina, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Angola, Tanzânia, Quênia e Estados Unidos lotaram o Auditório Franco Montoro, da Assembléia Legislativa de SP (ALESP), na Conferência “Tirem as Mãos da Venezuela” que articula a solidariedade à revolução venezuelana.
Companheiros da Venezuela, Bolívia, Paraguai e Argentina ajudaram a explicar a real situação da luta de classes na América do Sul e a importância do processo revolucionário em curso na Venezuela para os trabalhadores e povos da região, que sofrem com a exploração imperialista.
A luta de classes na Venezuela, os avanços, perigos e contradições da revolução foram avaliadas por Elio Colmenares, ex-ministro da Indústria Ligeira e Comércio, por Ruben Linares, presidente da Federação Nacional dos trabalhadores no transporte de combustíveis e da coordenação da central UNT (União Nacional dos Trabalhadores) e por Nélson Altuve, representando o Conselho de Fábrica da Inveval - fábrica sob controle operário estatizada pelo governo Chávez em 2005 - e a FRETECO (Frente Revolucionária de Trabalhadores de Empresas em Co-gestão e Ocupadas).
Já o companheiro Andrés Mamani, falou em nome da FSTMB (Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia) e trouxe a saudação da COB (Central Operária Boliviana) enviada pelo companheiro Pedro Montes, Secretário Executivo. Explicou ainda que os capitalistas e oligarcas da Bolívia tentam dividir a nação (pretensa autonomia dos departamentos) como forma de derrotar o processo revolucionário. Andrés também explicou os mineiros criticam Evo Morales por não se apoiar nos mineiros e na classe trabalhadora organizada para garantir e avançar a mudança social, mas que acaba lançando camponeses contra o movimento operário e que isto debilita o processo revolucionário e tem permitido os avanços da direita.
Do Paraguai o companheiro Bernardo Rojas, presidente da CUT-Autêntica (a maior central sindical do país), destacou a importância da vitória eleitoral de Fernando Lugo à presidência, como fruto da insatisfação popular com os 61 anos de Partido Colorado no poder e expressão da situação revolucionária da América Latina que chegou ao Paraguai. Também chamou à atenção para a necessidade de renegociar o injusto tratado da Hidrelétrica de Itaipu.
Já a companheira Júlia, da IMPA (metalúrgica argentina sob controle operário desde 1998), falou sobre a importância do movimento das fábricas recuperadas e da recente e vitoriosa luta que travaram para retomar a fábrica, após um despejo judicial violento.
O companheiro Serge Goulart, Coordenador do Movimento das Fábricas Ocupadas, ressaltou que neste dia (31 de maio) fazia um ano que o governo Lula havia pedido e comandado a invasão policial militar das Cipla e Interfibra, fábricas controladas pelos trabalhadores. Sob a falsa alegação de cobrar uma dívida dos antigos patrões Lula e Luis Marinho mancharam para sempre suas mãos e sua história mandando a polícia armada até os dentes contra trabalhadores.
Ressaltou Serge Goulart que, entretanto, a coalizão de Lula com os capitalistas fracassou em tentar liquidar a luta extraordinária destes trabalhadores pela estatização das fábricas. Eles tomaram militarmente as fábricas expulsando os trabalhadores, mas ao invés de matar o movimento eles o tornaram imortal, transformando-o numa bandeira vermelha que eles não poderão nunca apagar da história.
A Conferência recebeu a participação e integração na campanha do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da Casa das Américas além de outras organizações, núcleos do PT, e associações ligadas à luta de solidariedade revolucionária internacional.
Na hora do almoço, jovens organizados na JR (Juventude Revolução) se reuniram no plenário para encaminhar a organização de um acampamento nacional de jovens pela revolução em Julho que, dentre outras questões, tratará da Revolução na América Latina e da agressão/invasão do imperialismo na Amazônia.
Um momento importante foi a discussão sobre o financiamento da própria conferência. A partir de um apelo dos organizadores os presentes contribuíram com diversos valores. O total arrecadado terminou de cobrir todas as despesas da Conferência. Foi uma verdadeira demonstração de independência financeira, base da independência política dos socialistas revolucionários.
Encaminhamentos da campanha TMV
Durante a tarde, uma mesa representando as delegações e organizações nacionais presentes levantou propostas para a continuidade da campanha “Tirem as Mãos da Venezuela”. A palavra também foi aberta ao plenário, o que resultou num rico debate. Destaque para as intervenções de Megan Hise, ativista dos EUA que se colocou contra o imperialismo e a guerra no Iraque e para a camarada Verônica, da Argentina, que falou em nome da Corrente Marxista “El Militante”, seção da CMI (Corrente Marxista Internacional).
Entre as propostas está a formação de uma delegação brasileira para ir à Venezuela no período das eleições para prefeito e governador no país e reunir-se com Chávez convidando-o a vir ao Brasil na Conferencia “Tirem as mãos da Venezuela” de 2009. Esta delegação levará seu apoio às candidaturas do PSUV que enfrentarão mais uma pesada campanha dos reacionários venezuelanos dirigidos pelo governo dos Estados Unidos.
Outra proposta é de que todos os presentes se dirigissem ao Governo Lula para que ele reveja o acordo de Itaipu de forma que pare de lesar a soberania do povo paraguaio irmão.
Para ampliar a campanha decidiu-se, ainda, a realização de conferências estaduais e locais no segundo semestre de 2008 em todo o país.
Uma homenagem foi prestada pela Conferência com intermináveis aplausos saudando a companheira Lili que, com seus 84 anos, participou de toda a Conferência trazendo a todos sua longa tradição de militante comunista e petista de muitas décadas.
Encerrada com muitas palavras de ordem todos os presentes eram unânimes em ressaltar o êxito e o extraordinário clima militante e combativo da Conferência.
Conferência Internacional irá debater revolução na Venezuela e na América Latina
A Conferência da Campanha Internacional “Tirem as Mãos da Venezuela” – em apoio à revolução na América Latina – será no dia 31 de maio, sábado, no Auditório Franco Montoro da Assembléia Legislativa de SP, a partir das 9h30.Delegações de vários estados do país se preparam para participar e já está confirmada a presença de companheiros da Venezuela, Bolívia, Paraguai e Argentina.
Da Venezuela virão militantes da FRETECO (Frente de Trabalhadores em Empresas em Co-gestão e Ocupadas) e da UNT (União Nacional dos Trabalhadores – central sindical).
Da Bolívia, confirmaram: dirigentes da Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros (FSTMB), da Confederação Operária (COB), além de um deputado da Assembléia Nacional pelo MAS (Movimento ao Socialismo, partido do presidente Evo Morales).
Do Paraguai virão representantes das fábricas ocupadas de lá (Cerâmica Cerro Guy e Itagua), da CUT - Autêntica (central sindical) e do PMAS (partido de esquerda integrante da coligação que elegeu Fernando Lugo presidente).
Já da Argentina, estarão presentes companheiros da IMPA, metalúrgica sob controle operário desde 1998, e da Tendência Marxista “El Militante”.
Isso revela que a Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela” vem se espalhando e ganhando força no Brasil e na América do Sul, afinal, existe a necessidade de entender e divulgar o que realmente se passa em nosso continente.
E é através desse trabalho de conscientização que a Campanha Internacional TMV tem agregado militantes, trabalhadores e jovens de dezenas de países, para defender o processo revolucionário em curso na Venezuela e na América Latina dos ataques e calúnias desenvolvidos pelo imperialismo, com o apoio das burguesias locais.
Por isso, participe da Conferência!
Fortaleça a Campanha Internacional “Tirem as Mãos da Venezuela”!
Dia 31 de maio de 2008, a partir das 9h30
No Auditório Franco Montoro da Assembléia Legislativa de SP
Av Pedro Álvares Cabral, 201 (em frente ao Pque Ibirapuera)
Convocam:
Movimento das Fábricas Ocupadas, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Deputado Estadual Raul Marcelo (PSOL), Vereador Breno Cortela (PT – Araras/SP), Vereadora Marcela Moreira (PSOL – Campinas/SP), Vereador Adílson Mariano (PT – Joinville/SC), Movimento Negro Socialista (MNS), Juventude Revolução (JR), Esquerda Marxista (EM), Belo pela Confederação Nacional dos Químicos da CUT e Roque Ferreira pela Federação Nacional Independente dos Trabalhadores Sobre Trilhos da CUT.
Contatos:
(11) 3615-2129
(19) 3864-2624
tiremasmaosdavenezuela@yahoo.com.br
Visite os sites da Campanha TMV:
www.tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com
www.handsoffvenezuela.org
www.manosfueradevenezuela.org
Presidente Chávez visita Sidor e assina contrato coletivo com os trabalhadores. Aumento salarial é de 79,8%!
http://www.aporrea.org/
Com o propósito de assinar o contrato coletivo com o Sindicato Único de Trabalhadores Siderúrgicos y seus Similares (Sutiss), o presidente Hugo Chávez visitou Puerto Ordaz, estado de Bolívar, na segunda-feira (12/05). Segundo informou VTV, a assinatura do contrato corresponde aos anos de 2008 a 2010 e estabelece o aumento salarial de 79,8%, ficando o salário mensal em Bs.F 2.231,00 (ou cerca de R$ 2.677). Também foi concedido um bônus a cada trabalhador de Sidor, devido ao atraso na assinatura do contrato coletivo, equivalente a Bs.F 35,00 (ou cerca de R$ 42).
Antes disso, o presidente participou de um encontro com os trabalhadores, que lhe mostraram algumas das instalações da empresa e explicaram os procedimentos operativos que levam ao processamento da matéria prima na siderúrgica.
Na ocasião, acompanharam o presidente, o Sr. Rodolfo Sanz, ministro do Poder Popular para as Indústrias Básicas e de Mineração e presidente da Corporación Venezolana de Guayana (CVG), além de Francisco Rangel Gómez, governador do estado de Bolívar e Clemente Scotto prefeito do município de Caroní.
Com a visita do presidente Hugo Chávez a Sidor se afirma uma das grandes conquistas alcançadas pelos trabalhadores da indústria, cuja nacionalização foi anunciada pelo Governo Bolivariano a meados de abril passado: a assinatura do contrato coletivo.
Trabalhadores do Brasil em solidariedade aos companheiros do Paraguai
Na campanha, Lugo foi apoiado pelo Partido Movimento ao Socialismo (PMAS), pela central sindical CUT – Autêntica e pelos companheiros das fábricas ocupadas (Cerâmicas Cerro Guy e Itagua).
Infelizmente, esses companheiros não chegaram a ser eleitos como deputados e senadores, mas receberam uma expressiva votação e continuarão a luta por empregos, direitos e pela nacionalização sob controle operário do parque produtivo do Paraguai.
Essa vitória é mais um sinal do giro à esquerda que ocorre em toda a América Latina. Desde o México, passando pela Venezuela até o Uruguai, os trabalhadores se erguem contra a política econômica imperialista, que coloca o mundo à beira de uma crise enorme. Por isso, toda força ao povo do Paraguai!
Nossa participação
O camarada Alexandre, por exemplo, foi convidado pelo PMAS para ser Observador Internacional nas eleições, para ajudar a evitar fraudes, participar da campanha dos companheiros de lá e conhecer melhor a realidade do país.Outros camaradas da Flaskô e de SC foram lá para participar da manifestação histórica de 1º de Maio (foto), dia de luta dos trabalhadores. Apesar da chuva e do forte frio, a nossa delegação disse que tudo correu bem e que os panfletos sobre as fábricas ocupadas tiveram grande aceitação.
No panfleto, os camaradas brasileiros se posicionaram pela revisão do injusto tratado da Hidrelétrica de Itaipu e pela repartição igualitária da energia e recursos gerados pela companhia.
Paraguaios participarão de atividades no Brasil

Além disso, no dia 02/05, foi feita uma reunião com os companheiros das fábricas ocupadas paraguaias para discutir como avançar a luta pela estatização lá e como ajudar a defender os empregos e o controle operário da Flaskô no Brasil.
Ficou praticamente acertado que os companheiros paraguaios venham participar da Conferência da Campanha Internacional “Tirem as Mãos da Venezuela”, dia 31/05, em São Paulo e também do Tribunal Popular para Julgar a Intervenção na Cipla e Interfibra, dias 27 e 28 de junho, em Joinville/SC.
É isso aí, se revolução avança em outros países, ajuda a impulsionar nossa luta aqui!
Vitória! Trabalhadores argentinos retomam fábrica após despejo!

Clique na imagem para ler a matéria publicada no jornal Luta de Classes, edição 10 (http://www.marxismo.org.br/) sobre a IMPA, metalúrgica ocupada pelos trabalhadores desde 1998, que sofreu um violento despejo policial, mas foi retomada ontem (dia 23/04) e voltou a produzir sob controle operário!
Parabéns aos companheiros argentinos!
Vitória de Lugo abre nova situação política no Paraguai
A enorme mobilização que impôs a vitória de Lugo abriu as portas para o vento revolucionário que varre a América Latina invadir o Paraguai.
A burguesia nativa estava apavorada. O partido colorado, no governo há 61 anos, preparava uma fraude espetacular para não ser alijado do governo. Lançaram uma mulher como candidata a presidente para dar a aparência de “renovação”. Em vão. Lugo continuava crescendo!
Articularam a liberação do general golpista, Lino Oviedo, para ter outro candidato “de oposição”. Também não deu certo!
O governo colorado declarou que Lugo não podia ser candidato porque era bispo. Lugo se demite do bispado e reafirma a candidatura organizando uma aliança commo movimento operário, camponês e estudantil. Então o Santo Papa declara, em Roma, que não aceita a demissão de Lugo e o proíbe de ser candidato ameaçando-o com sansões. Lugo ignora a ameaça e após uma manifestação com mais de 120 mil pessoas em Assunção, em 18 de Abril, paralisa o governo e a burguesia e vence as eleições.
A vitória de Lugo, em 20 de abril, mostra como a classe trabalhadora estava cansada de 61 anos da ditadura do Partido Colorado, que converteu o Paraguai num dos países mais pobres e corruptos do mundo.
Fernand Lugo, candidato pela "Alianza Patriótica por al Cambio" (APC), obteve 40,82% dos votos, enquanto a candidata do Partido Colorado, Blanca Ovelar, roubando, comprando, fraudando, não conseguiu mais que 30,72%.
O povo paraguaio não esperou os resultados oficiais para sair as ruas e comemorar. O povo trabalhador quer tomar o destino em suas próprias mãos. "Há muitos anos não se via este sentimento de vitória e euforia por parte do povo", comentava Bernardo Rojas, presidente da CUT-Autêntica, a maior central sindical do Paraguai (existem cinco centrais). No mesmo dia a noite a praça do Panteon, principal ponto de encontro e de manifestações dos trabalhadores, recebeu mais de 100 mil manifestantes cantando e agitando bandeiras, vindos dos bairros e cidades vizinhas de Assunção.
Com uma plataforma política “por trabalho, justiça social, soberania e reforma agrária”, Lugo construiu uma aliança entre vários partidos e movimentos, entre os principais estão o Movimento Tekoyuyá (Igualdade), Partido Movimento ao Socialismo, Partido Liberal Radical Autentico, Partido Democrático Cristão, Partido Democrático Progressista, entre outros. Tendo começado como uma formação de unidade operária, camponesa e estudantil, esta aliança terminou integrando partidos burgueses que, obviamente têm interesses de classe diferentes das massas exploradas.
Assim ao assumir o poder, em 15 de agosto, o primeiro desafio do governo de Lugo será começar a atender as reivindicações populares e começar a resolver o problema do desemprego, que atinge 16% da população. Segundo dados da Direção Geral de Pesquisas, Estatísticas e Censos (DGEEC, na sigla em espanhol), 35,6% da população paraguaia é pobre e 19,4% (mais de 1,1 milhão de pessoas), extremamente pobre. Na área rural, esse percentual chega a 24,4%. Estas questões não tem resolução em um governo de coalizão com a burguesia. Só a continuidade da mobilização e a pressão popular poderão impedir que esta vitória lhes seja rapidamente confiscada.
Forças poderosas trabalham para isso. Como Lugo teve 40% dos votos já se ouvem vozes “inteligentes” anunciando que é preciso um entendimento com os derrotados. Outros, explicam que Lugo não é “revolucionário” e por isso não precisam se preocupar, etc, etc. Como sempre vozes muito “realistas” aparecem para tentar frear, desviar e desmoralizar as mobilizações e a revolução. Mas, o que está em movimento no Paraguai não é só a vontade de um ou de outro dirigente, mas forças revolucionárias profundas, que se expressaram através destas eleições e agora vão buscar se reforçar e desenvolver sua luta.
A principal batalha da classe trabalhadora no Paraguai será neste processo construir um verdadeiro partido político da classe trabalhadora para avançar em direção a resolução das aspirações mais sentidas do povo. Esta é a tarefa dos marxistas, no Paraguai. Por isto uma delegação da Esquerda Marxista esteve durante semanas lado a lado com os trabalhadores das fábricas ocupadas do Paraguai e da CUT-Autêntica, na luta pela vitória de Lugo. A vitória traz grandes perigos e o imperialismo, a burguesia local e vários governos vão trabalhar ativamente para enterrar esta vitória popular.
Começa com Lula e Celso Amorim declarando no dia seguinte que não aceitam rever o Tratado de Itaipu. Isto que durante a campanha Lula foi diversas vezes ao Paraguai para oferecer dinheiro e ajuda ao governo colorado. Recebeu em Brasília o general golpista Lino Oviedo. Mas não teve tempo para receber ou apoiar Fernando Lugo, o único candidato verdadeiramente popular. Um escândalo para um governo que foi eleito pelos trabalhadores. Mas, é isto que acontece quando um partido operário governa com a burguesia.
Rever o Tratado de Itaipu e fazer com que o Paraguai receba os valores reais que tem direito pela energia de Itaipu foi uma das promessas de Lugo. Será também é um dos seus principais desafios.
O Acordo foi firmado, em abril de 1973, pelas ditaduras militares de Emílio Garrastazu Médici, do Brasil, e de Alfredo Stroessner, do Paraguai. O Tratado que aprovou a construção da maior usina hidrelétrica do mundo até então tem a validade de 50 anos e fixa a repartição da energia entre os dois países. Metade fica com o Brasil e outra com o Paraguai. Na verdade a ditadura brasileira impôs aos colegas assassinos da ditadura paraguaia os termos de um acordo que é um verdadeiro assalto.
Como o Paraguai usa apenas 12% do total produzido, ele é obrigado a vender a eletricidade excedente ao Brasil por preços que variam de US$ 22 a US$ 44 o KWH. Um assalto, pois o preço que esta energia é vendida no mercado brasileiro passa dos US$ 80 por KWH. A recuperação da soberania hidrelétrica é fundamental para o povo paraguaio. Itaipu é responsável por 19% do PIB paraguaio, com ingressos nos cofres públicos de cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano. Um reajuste nos preços poderia representar importante alavanca para o desenvolvimento do país. Lula prefere continuar assaltando o povo paraguaio?
Para a classe trabalhadora paraguaia, para os camponeses pobres e a juventude, a vitória sobre a máfia colorada é apenas o começo. Novos desafios estão por vir.
A começar pela resolução da necessidade de construir um verdadeiro partido operário de massa e reforçar a CUT-Autentica buscando construir uma central sindical que una a classe trabalhadora para conquistar as reivindicações, conquistar a ruptura de Lugo com a burguesia e erguer um verdadeiro governo dos trabalhadores para caminhar para o socialismo.
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Holocausto Americano
A Guerra do Paraguai foi o maior e mais sangrento conflito armado internacional ocorrido no continente americano. Estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança (Guerra de la Triple Alianza) na Argentina e Uruguai, e de Grande Guerra, no Paraguai. Quando começou o Paraguai tinha 900 mil habitantes. Quando terminou tinha 180 mil. A quase totalidade de mulheres e crianças.
A Guerra do Paraguai foi realizada pelo Brasil, Argentina e Uruguai, a serviço da Inglaterra, que não podia aceitar o desenvolvimento de uma nação que em 1928 já havia declarado a Educação como obrigatória. Nesta época o Paraguai possuía a melhor estrutura industrial da América Latina. Era preciso apagar do mapa esta nação que ousava romper com os poderosos e se lançar em defesa do Uruguai contra a invasão militar brasileira.
Um dos chefes do massacre, o Duque de Caxias mostra como encarava a tarefa mas era obriagado a reconhecer o valor dos paraguaios e de seu dirigente, Solano Lopez. Em 1867, afirma em um despacho a Dom Pedro II que "soldados, ou simples cidadãos, mulheres e crianças, o Paraguai todo quanto é ele e López são a mesma coisa, uma só coisa, um ser moral e indissolúvel... Quanto tempo, quantos homens, quantas vidas e quantos elementos e recursos precisaremos para terminar a guerra, isto é, para converter em fumo e pó toda a população paraguaia, para matar até afeto do ventre da mulher"...
Atividade em Floripa!
Sábado, 26 de Abril às 17:00
Local: Sintrasem
Rua Nunes Machado, 94 - Edifício Tiradentes - 7º andar - Centro
Haverá exibição do vídeo "No Volverán!" seguido de debate sobre a revolução venezuelana e a situação na América Latina.
Mais informações com André: moura_ferro@hotmail.com
Atividade em Cuiabá - MT
Rua Barão de Melgaço, 3190 - Centro
(próximo à camara de vereadores)
Haverá exibição do vídeo "No Volverán!" seguido de debate sobre a revolução venezuelana e a situação na América Latina.
Mais informações com Ramirez: (65)8416-2719
Solidariedade a Fábrica na Argentina
(traduzido do site: www.cta.org.ar)
No dia 17 de abril de 2008 sucederam-se atos de repressão policial contra os trabalhadores da empresa recuperada IMPA e contra todos os colegas da Associação Nacional de Trabalhadores Autogestionados-CTA, que acompanham a luta pela manutenção da fonte de trabalho mantida de forma autogestionada por parte dos trabalhadores da dita fábrica.
Para contextualizar cabe esclarecer que a empresa autogestionada IMPA tem estado em concordata de credores desde 1997 e pagou 90% da dívida. Ainda que tendo chegado a um princípio de acordo, faz menos de uma semana, com dois de seus credores, o juiz que cuida da causa resolveu pelo despejo de IMPA sem mediar nenhum tipo de negociação prévia e desconhecendo por completo as tratativas e acordos obtidos com ditos credores já citados.
Assim é que ordenou o despejo pela força da fábrica, o qual se concretizou na terça-feira 15 de Abril de 2008, às 22 hs. É assim que no dia de ontem, 16 de abril de 2008, se juntou um nutrido grupo de trabalhadores autogestionados em apoio à fonte de trabalho dos companheiros da IMPA, e pela continuidade trabalhista dos mesmos na empresa que souberam recuperar e pôr novamente em funcionamento faz anos atrás.
E neste dia, e para não sair de seu costume, a Polícia Federal reprimiu ferozmente a todos os colegas que mantinham a vigília na porta da fábrica. Sem mediar nenhuma provocação por parte dos colegas, senão simplesmente a pressão provocada pela presença no lugar e por manter viva a consigna de que “IMPA é dos trabalhadores”, é que a polícia começou sua provocação e repressão mediante jatos de água dos carros anti-distúrbio ao que continuou com os disparos de balas de borracha e gases lacrimógeno sem lhes importar para nada que dessa maneira podiam ferir gravemente, dado o estreito das ruas da zona, não somente aos companheiros que estavam ali senão que também aos vizinhos que conhecem e apoiam aos trabalhadores de IMPA.
O resultado da feroz repressão é que detiveram a 35 companheiros, dos quais 20 são de IMPA e 15 de cooperativas pertencentes a ANTA (Associação Nacional de Trabalhadores Autogestionados).
Por tudo isto solicitamos a todas as organizações, que estejam na senda da luta dos trabalhadores e pela reivindicação e defesa de seus postos de trabalho e por seus direitos, que difundam o sucedido da maneira o mais amplamente possível e também estar atentos a que SE TOCAM A UM NOS TOCAM A TODOS.
Muito obrigado por sua atenção e abraços para todos.
Carta de Solidariedade aos companheiros trabalhadores da fábrica IMPA
Estimados companheiros,
Estimado companheiro Eduardo Vasco Murua,
Acabamos de tomar conhecimento do violento ataque que sofreram na Argentina e imediatamente decidimos organizar uma delegação ao Consulado da Argentina, em São Paulo, para exigir o fim da repressão e a devolução da fábrica aos seus trabalhadores.
Como têm conhecimento aqui no Brasil sofremos a mesma repressão por parte do governo Lula, em 31 de Maio de 2007, que determinou a intervenção nas fábricas ocupadas, Cipla e Interfibra, com um tropa de mais de 150 policiais fortemente armados e que desde então tem adotado medidas para fechar a fábrica. Hoje passam de 300 os demitidos e todas as conquistas da gestão democrática dos trabalhadores foram revogadas, como a redução para 30h da jornada de trabalho com a manutenção dos salários. Um movimento muito importante de resistência e apoio à luta aqui no Brasil e no mundo se levantou contra o ataque fascista e a intervenção. Na época contamos com a importante solidariedade do companheiro Murua da IMPA. Sabemos que a unidade do movimento operário pelo fim da intervenção foi determinante para impedir a invasão da Flaskô cerca de 45 dias depois.
Por tudo isso estamos organizando para os dias 27 e 28 de Junho um Tribunal Popular para Julgar a Intervenção nas Fábricas Ocupadas, no Brasil. Desde já queremos convidá-los a estar presentes com uma delegação da IMPA e de todo o vosso movimento.
Sabemos que toda fábrica fechada é um cemitério de postos de trabalho e por isso os patrões e seus lacaios não podem aceitar que nossa classe se levante contra a barbárie que o capital e seus governos organizam, por isso eles não podem aceitar que existam fábricas tomadas pelos trabalhadores que seguem a luta em defesa dos interesses de seus irmãos pelo fim da exploração de classe. Por isso eles nos atacam, e se utilizam da mais dura repressão para nos tentar dividir, desmoralizar e fazer abandonar nosso caminho de luta para o socialismo.
De outro lado, sabemos que a classe operária tudo pode, se sabe construir sua unidade e não se dobra aos interesses do capital. Os trabalhadores da IMPA têm demonstrado isso mantendo seus empregos nestes 10 anos. Por toda América Latina e no mundo vemos a resistência revolucionária dos trabalhadores cuja ponta de lança é a revolução venezuelana.
Por isso nos somamos à dura luta dos nossos irmãos trabalhadores da IMPA pelo fim da repressão e exigimos que devolvam a fábrica a seus trabalhadores que há mais de dez anos têm lutado pelos seus postos de trabalho.
Estamos à disposição dos companheiros para o que for necessário.
Um ataque a um é um ataque a todos!
Exigimos: Devolvam a fábrica a seus trabalhadores! Fim da repressão na IMPA!
Serge Goulart – Coordenador do Movimento das Fábricas Ocupadas do Brasil
Pedro Santinho – Coordenador da Flaskô (Fábrica sob controle dos trabalhadores/SP)
Caio Dezorzi – Pela Secretaria da Esquerda Marxista
Chávez reestatiza Sidor. Uma vitória histórica para a classe trabalhadora!
À uma hora e 22 minutos da madrugada de quarta-feira, dia 09/04, o vice-presidente Ramón Carrizales anunciou a decisão do presidente Chávez de reestatizar a gigantesca planta siderúrgica Sidor, situada no sul do estado de Bolívar. A decisão foi tomada quando o grupo multinacional ítalo-argentino Techint (que possui a maioria das ações de SIDOR) se recusou a fazer concessões aos trabalhadores no Contrato Coletivo de Trabalho.
Os trabalhadores de Sidor vêm lutando durante mais de 15 meses por melhores salários e condições de saúde e segurança no contrato coletivo. Os principais pontos de controvérsia são os seguintes: 1) aumento de salário, onde a empresa oferecia muito pouco e queria adiar qualquer novo aumento salarial em até 30 meses; 2) o tema da subcontratação, onde os trabalhadores exigem que todos os trabalhadores subcontratados (9 mil de um total de 15 mil) devem incorporar-se à empresa em caráter permanente, 3) deve haver um aumento substancial para os aposentados, que atualmente recebem abaixo do salário mínimo.
Sidor foi privatizada em 1997 sob o governo de Rafael Caldera, quando o ex-guerrilheiro Teodoro Petkoff (na atualidade um destacado líder da oposição de direita) era o encarregado das privatizações. Sidor é agora propriedade da multinacional ítalo-argentina Techint, que tem feito milhões de lucro respaldada pela massiva sobre-exploração dos trabalhadores, e que se traduz em um notável aumento de mortes e acidentes no trabalho. José "Acarigua" Rodríguez, dirigente do Sindicato de Trabalhadores de SUTISS, descreve os dez anos de privatização como de “humilhação e maus tratos por parte da multinacional, que tem indignado os trabalhadores do país”, e culpou a Techint pelos 18 trabalhadores que morreram em acidentes na unidade.
Quando Chávez fes um chamamento à “nacionalização de tudo o que foi privatizado”, em janeiro de 2007, os trabalhadores responderam com greves espontâneas e levantaram a bandeira venezuelana nas instalações de Sidor. Começaram a exigir a nacionalização. Finalmente, depois de muitas negociações e pressões do governo argentino de Kirchner se chegou a um acordo entre Techint e o governo venezuelano. A empresa aceitou vender parte da produção no mercado nacional a preços preferenciais, em troca de evitar a nacionalização. Mas esse acordo não poderia durar. Ao longo de 15 meses de negociação coletiva de trabalho a empresa manteve uma atitude de provocação. Até que a paciência dos trabalhadores se esgotaram e começaram uma série de paralisações em janeiro, fevereiro e março.
Qual foi a resposta do Ministério do Trabalho? Em primeiro lugar tratou de impor uma arbitragem obrigatória aos trabalhadores. Logo, a Guarda Nacional foi enviada pelo governador do Estado de Bolívar para reprimir brutalmente os trabalhadores em 14 de março, durante uma greve de 80 horas. Vários trabalhadores foram detidos, incluindo o líder sindical "Acarigua", e muitos ficaram feridos durante o ataque. A Guarda Nacional atuou de uma maneira particularmente cruel, destruindo automóveis de trabalhadores e outros bens. Os trabalhadores e as massas da região responderam com um claro instinto de classe. Organizaram piquete e reuniões de solidariedade, ameaçaram com greves em outras empresas, etc.Este incidente é o mais grave entre os trabalhadores e a Guarda Nacional durante o governo Chávez, inclusive pior do que quando a policia bloqueou em Aragua os trabalhadores de Sanitários Maracay que iam participar em uma marcha organizada por FRETECO (Frente Revolucionária de Trabalhadores de Empresas em Co-gestão e Ocupadas) em Caracas. Os trabalhadores de Sidor denunciaram o fato de que o comandante local da Guarda Nacional se manteve em estreito contato com a direção da companhia e basicamente estava atuando sob suas ordens. Aqui vemos um dos mais importantes desafios que enfrenta a revolução venezuelana. O velho aparelho do estado, criado e aperfeiçoado durante 200 anos para servir aos interesses da classe dominante, ainda que debilitado pela revolução, segue basicamente intacto e, assim, serve aos mesmos interesses.
Como disse um deputado bolivariano de Guyana: “considero que estes abusos estão muito longes
dos princípios revolucionários promovido pelo Presidente da República”. Este deputado, El Zabayar, que defendeu publicamente a nacionalização de Sidor explicou, além disso que, “há setores dentro do Estado que jogam pelo desgaste e utilizam as autoridades governamentais para assumir uma atitude pró-patronal”. Esse é precisamente o problema: o aparato de Estado segue sendo em grande parte o mesmo e um Estado capitalista não pode ser utilizado para levar a cabo uma revolução socialista.Inclusive depois dessa brutal repressão, o Ministério do Trabalho (que também jogou um papel terrível na luta de Sanitários Maracay), insistiu em chamar um referendo dos trabalhadores para que aceitassem a proposta da empresa. José Meléndez, outro dirigente de SUTISS, criticou duramente o papel do Ministério: “eles nos acusam de ser os causadores dos problemas porque rechaçamos sua votação. Mais de uma vez temos mostrado nosso apoio à revolução, mas isso não significa que vamos permitir que o Ministro do Trabalho siga uma política contra-revolucionária e contra os trabalhadores; o que afinal de contas, só beneficia a direita”. E agregou: “o Ministro disse que estamos contra o processo, que somos contra-revolucionários, mas a verdade é que ele que está arranhando a reputação do Presidente. É o ministro que está atuando a favor da direita, como porta voz da companhia”.
Os trabalhadores corretamente se mantiveram unidos e se opuseram a essa votação e organizaram sua própria votação em 03 de abril, com duas opções: 1) aceitar a oferta da empresa, 2) mandato ao sindicato para continuar as negociações. A imensa maioria dos trabalhadores rechaçou a oferta de Sidor, com o voto contra de 3.338 trabalhadores e somente 65 a favor.
Logo, em 04 de abril, os trabalhadores se colocaram em greve e marcharam de novo à Universidade Bolivariana, em Bolívar, onde o presidente assistia uma cerimônia de graduação e exigiram ser ouvidos. Como resultado dessa pressão, o presidente Chávez interveio em programa de TV ao vivo em 06 de abril, para deixar claro sua posição. Entre outras coisas lembrou que os trabalhadores de Sidor e de outras indústrias básicas de Guyana se opuseram ao lock-out patronal de 2002, “mesmo recebendo ameaças de morte e inclusive quando se cortou o fornecimento de gás de Anaco, marcharam até Anaco e enfrentaram a polícia”. Assinalou que as condições dos trabalhadores eram “horríveis” e que “o governo revolucionário tem que exigir de qualquer empresa, nacional ou multinacional, latino-americana, da Rússia, de qualquer parte do mundo que cumpra com as leis venezuelanas”, referindo-se à lei aprovada em 1º de maio do ano passado que proíbe a subcontratação. Também anunciou que havia dado instruções ao Vice-presidente Ramón Carrizales para que se reunisse com o líder de SUTISS, Acarigua, e logo com a companhia para tratar de resolver a questão.Acrescentou que seu governo “respeita o marxismo, as correntes marxistas, o método marxista” e que é um governo “operário” e que “saberá tomar as medidas necessárias”. Explicou que sempre trata de “buscar um acordo, a negociação e assim sucessivamente, mas a Sidor, a partir do dia de ontem, eu digo já basta”. Chávez também afirmou que sua intervenção foi o resultado da visita que lhe fizeram os trabalhadores de Sidor, que foram à reunião de graduação em Bolívar para conhecer sua opinião no conflito. Assinalou que teve duras conversas com o governador regional de Bolívar durante a repressão da Guarda Nacional para relembrá-lo das “velhas instruções para cuidar dos trabalhadores”.
Essa intervenção de Chávez, através do vice-presidente, de fato, foi uma bofetada na cara do governador regional e sobretudo no Ministro do Trabalho, José Rivero. Ele foi deixado de lado e o governo se alinhou claramente com os trabalhadores. A empresa, que até o momento havia dito que não ia falar com os trabalhadores, aceitou marcar uma nova reunião.
Uma reunião com as três partes, a empresa, o sindicato e o vice-presidente aconteceu em 08 de abril, na qual a companhia fez concessões menores. Logo após a meia-noite, o vice-presidente Carrizales afirmou que a reunião não poderia terminar sem um acordo e pediu à companhia, pela última vez, se ela estava disposta a fazer uma contra-proposta final ao sindicato sobre os salários e quando a empresa se negou, insistiu que essa negativa constaria na ata da reunião. Depois saiu, chamou o presidente Chávez e regressou para anunciar a reestatização de Sidor.
Milhares de trabalhadores, de imediato, começaram a celebrar uma vitória que nem sequer acreditavam ser possível. De fato, a direção do sindicato havia declarado horas antes que, depois da assinatura do contrato coletivo, continuaria a campanha pela nacionalização de Sidor.Este é outro ponto de inflexão na revolução venezuelana e uma clara indicação da direção que deve tomar. Não se trata de uma pequena empresa em bancarrota tomada pelo Estado e sim do único fornecedor de aço do país e o quarto produtor de aço da América Latina. Essa decisão pode provocar uma reação por parte das multinacionais e também por parte do governo argentino, que no passado havia exercido uma enorme pressão sobre Chaves em defesa de Techint. A revolução venezuelana e seus partidários no estrangeiro, em particular na Argentina, devem estar preparados para resistir a essa pressão e lançar uma campanha em defesa da nacionalização. Os trabalhadores de Sidor devem tomar medidas imediatas para por em prática o controle operário a fim de evitar que a companhia incorra em todo o tipo de sabotagens. Devem tomar as instalações, controlar o estoque e, sobretudo, devem abrir os livros de contabilidade da empresa.
Mais importante, essa nacionalização provém principalmente como resultado da pressão dos trabalhadores em luta, que também foram encorajados pelo recente anúncio de Chávez de nacionalizar a produção de cimento do país. Essa é agora uma força de trabalho despertada e mobilizada que exigirá o controle operário. Nas nacionalizações anteriores, incluindo a recente planta de laticínios, Chávez tem insistido aos trabalhadores que devem estabelecer “Conselhos de Trabalhadores” ou “Conselhos Socialistas”. Eles devem ser utilizados pelos trabalhadores e pelo sindicato SUTISS, para o exercício do controle e da gestão operária. Como os trabalhadores venezuelanos sabem muito bem, a nacionalização em sim mesma não garante os interesses dos trabalhadores e do povo. Por exemplo, a PDVSA foi durante mais de 25 anos uma propriedade estatal, onde se desenvolveu uma burocracia enorme que respondia aos interesses da oligarquia e das multinacionais do petróleo.
Bolívar é uma das concentrações mais importantes da classe operária industrial, um fator decisivo na revolução. A vitória dos trabalhadores de Sidor estimulará também os trabalhadores de outras indústrias básicas da região a seguir adiante na luta pelo controle operário democrático.
Conferência Nacional em Defesa da Revolução!
por Serge Goulart
A revolução na Venezuela passa por um momento especial. Há grandes possibilidades de avançar rumo ao socialismo, mas também existem graves problemas que podem paralisar e fazer retroceder a revolução. A enorme pressão internacional para “enquadrar”, isolar e desmoralizar Chávez e o povo venezuelano, a sabotagem econômica dos capitalistas e da oligarquia da Venezuela, bem como o freio que representa a burocracia do governo e do movimento bolivariano, assim como os dirigentes sindicais que desagregam e atomizam o movimento operário, são os principais obstáculos do processo revolucionário.
O governo Chávez deve continuar o caminho da estatização que se iniciou em 2005 com a expropriação de Venepal (hoje, INVEPAL) e da CNV (Construtora Nacional de Válvulas, hoje INVEVAL) e em 2007 com a nacionalização da bacia petrolífera do Orinoco, da CANTV e da Eletricidade de Caracas. O tempo passa e as massas começam a se cansar de discursos. A contra-revolução se reestrutura e se encoraja com o resultado do referendo sobre a reforma constitucional. O governo Chávez precisa passar das palavras aos atos na erradicação do capitalismo na Venezuela iniciando de fato a construção do socialismo.
A principal tarefa dos marxistas na Venezuela, hoje, é construir a organização revolucionária internacional e ajudar a constituição do movimento operário como “classe para si” através dos sindicatos e da reconstrução da UNT, assim como da constituição do PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela) como partido da classe trabalhadora fortalecendo sua ala marxista revolucionária. Além disso, a continuidade da luta da FRETECO (frente de fábricas ocupadas e em luta), junto com organizações populares, camponesas e estudantis, pelo controle operário e as nacionalizações, pela tomada de terras e demais reivindicações, é um importante caminho para ajudar a avançar a revolução.
Mas, é evidente que a revolução necessita do apoio internacional da juventude e da classe trabalhadora para avançar. O cerco do imperialismo é internacional como mostram as viagens de Bush, de Condoleezza Rice, as provocações de Uribe a mando dos EUA, etc. Nessas condições, a campanha “Tirem as Mãos da Venezuela”, assumiu a tarefa de construir uma ampla rede de solidariedade militante no Brasil na defesa do processo revolucionário e de seus avanços. O que inclui informação viva para que mais e mais trabalhadores e jovens saibam o que realmente está acontecendo na Venezuela.
Em SC, já ocorreram atividades em 6 cidades diferentes, com público de 20 a 100 pessoas e representações sindicais e parlamentares. Em PE, foi realizada uma excelente atividade com a presença do Cônsul venezuelano, entidades sindicais e movimentos sociais. Em SP, foi realizado o lançamento nacional, além de visitas e atividades no Consulado e diversas outras atividades agrupando parlamentares e movimentos sociais.
A partir das atividades realizadas no fim de 2007, na Assembléia Legislativa de São Paulo, um Comitê Nacional da Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela” foi formado e está organizando uma Conferencia Nacional em Defesa da Revolução Venezuelana para 31 de Maio de 2008, em São Paulo. Delegações de diversos estados são esperadas assim como da Venezuela, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai. Entre em contato e ajude a construir esta campanha!
Video-atividade em Curitiba
18h30m
Local: Centro Che Guevara
Praça Generoso Marques, 90
Edifício Cláudia, sala 202 - Centro
Mais informações com Fabiano: (41)9109-3049
Nacionalização da empresa de lacticínios "Los Andes" - um passo na direcção certa
Esta sabotagem activa da oligarquia venezuelana contra o processo revolucionário tem sido tão intensa que, inclusivé, obrigou o governo a adpotar medidas desesperadas de importação de produtos alimentares. Por fortuna, os cofres do Estado Venezuelano têm estado bem guarnecidos pela alta de preços do petróleo e assim se tem podido fazer face à situação...
Todavia, não deixa de ser preocupante que, após 9 anos de revolução, um sector estratégico do país continue nas mãos da oligarquia.... Mais! Torna-se escandalosa a gestão burguesa da terra e da indústria alimentar, pois apesar de todos os incentivos e medidas para alcançar a auto-suficiência alimentar, a situação é de escassez e racionamento!!!
A medida agora anunciada, irá permitir que até 40% da produção de leite esteja em mãos públicas - já não privadas! Significa também, uma mudança na linha do governo venezuelano e o reconhecimento tácito que a conciliação com a oligarquia (que a ala direita do chavismo exigiu após a derrota do referendo) é impossível!
Embora não se trate de uma expropriação, mas de uma aquisição... a nacionalização dos lacticínios "Los Andes" veio acompanhada de outras aquisições de empresas do ramo alimentar como a Centro de Almacenes Congelados.
Embora insuficiente, esta é uma medida positiva e daqui a saudamos!
Avante com a Reforma Agrária!
Nacionalização da Indústria Alimentar sob controlo operário!
Pela Planificação democrática dos Recursos!
Notícia integral em http://venezuela.elmilitante.org/content/view/6094/
"No Volverán!" em Rio Preto
Entre os debatedores participará o companheiro Alexandre Mandle da Flaskô (fábrica ocupada pelos trabalhadores em luta pela estatização), advogado dos movimentos sociais na região de Campinas e morou 6 meses na Venezuela (em 2007) e foi inclusive observador internacional no referendo da Reforma Constitucional Venezuelana.
Data: 02/04/2008
Hora: 18:00
Local: Auditório Central do Campus - Ibilce - Unesp S. J. do Rio Preto
Rua Cristóvão Colombo, 2265 - Jardim Nazareth
Atividades confirmadas da Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela” na região de Campinas/SP
1- Exibição do vídeo “No Volverán” para os trabalhadores da fábrica ocupada Flaskô (Sumaré/SP), dia 25/03, terça-feira, por turnos, de acordo com o horário de saída (13h, 16h, 18h30), seguido de um breve informe da situação venezuelana atual;2- Dia 03/04, quinta-feira, às 17h, exibição do vídeo “No Volverán”, na sala PB 07 da UNICAMP, seguido de um debate com o camarada Alexandre, advogado da Flaskô e militante que viveu seis meses na Venezuela (entre junho e dezembro de 2007) e com o camarada Rodrigão, do CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas), militante que visitou a Venezuela em fevereiro;
3- Dia 05/04, sábado, às 19h, exibição do vídeo “No Volverán”, no Museu da Imagem e Som (MIS) em Campinas, também seguido de debate com o camarada Alexandre;
4- Dia 09/04, quarta-feira, às 19h, no Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, debate sobre história e conjuntura atual da Colômbia, com Pietro Alarcón, do Comitê em Defesa dos Direitos Humanos da Colômbia (ver cartaz);
5- Dia 10/04, quinta-feira, às 19h, no Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, debate sobre a revolução na Venezuela e na América Latina, com a presença confirmada do Cônsul Geral da Venezuela em SP, Sr Jorge Luís Duran Centeno (ver cartaz);
Declaração da CMR em solidariedade com os trabalhadores da Sidor
2. Esta repressão produz-se num momento decisivo da luta quando o ministério do trabalho pretendia lançar um referendo dentro da empresa com o fim de suspender a greve. A atitude do ministério de trabalho está sendo enormemente negativa neste conflito como em outros muitos em todo o país. O ministério de trabalho deveria estar tentando ajudar a luta dos trabalhadores pela nacionalização da empresa em vez de mediar com a multinacional argentina Termiun, que conseguiu enormes benefícios com a exploração dos trabalhadores da Sidor e de suas contratadas.
3. Não há conciliação possível entre os interesses dos trabalhadores e os empresários, sejam nacionais e estrangeiros. Não há via intermediária entre o capitalismo e o socialismo. Esse é o caminho que levou à derrota e o desastre no Chile e Nicarágua. A atitude do ministro do trabalho Rivero está prejudicando gravemente o apoio e a confiança da classe trabalhadora no governo do Presidente Chávez. O governo nacional deve fazer uma mudança radical em sua política para os trabalhadores. O Presidente Chávez propôs em 2007 a idéia de nacionalizar a Sidor e tem que passar das palavras aos fatos.
4. A luta dos trabalhadores da Sidor é um exemplo para o conjunto da classe trabalhadora de Venezuela. Para triunfar, deve estender-se e ganhar o apoio da maioria da população e das bases do movimento revolucionário bolivariano. O movimento grevista deve estender-se ao resto de trabalhadores e comunidades lutando pela nacionalização sob controle operário como única saída para a resolução do conflito. A única maneira de garantir as demandas salariais e de melhora nos postos de trabalho é através da estatização da Sidor e de todas as empresas em crises, infra-utilizadas, cujos donos que sabotam a economia, conduzem ao desabastecimento e violentam a constituição desrespeitando os direitos dos trabalhadores. As fábricas devem estar sob controle dos trabalhadores.
5. A nacionalização da Sidor deve ser o primeiro passo para a nacionalização dos monopólios e dos meios de produção sob controle dos trabalhadores e das comunidades, único caminho possível para a construção do socialismo na Venezuela. A burguesia é incapaz de desenvolver o aparelho produtivo do país, e cobrir as necessidades o povo. É uma classe parasita. Só a classe trabalhadora aliada com as comunidades e camponeses pode implementar o desenvolvimento popular do país, e produzir não em função do benefício de uns poucos, senão em função da necessidade social.
6. O governo bolivariano deve continuar o caminho da nacionalização que se inicio em 2005 com a expropriação da Venepal e CNV (Construtora nacional de Válvulas), e em 2007 com a nacionalização da Faixa Petrolífera do Orinoco, da CANTV e da Eletricidade de Caracas. O governo bolivariano deve passar das palavras aos fatos na erradicação do capitalismo na Venezuela e na construção do socialismo.
7. Assim, pela CMR, fazemos um chamado aos sindicatos da UNT (União Nacional dos Trabalhadores) e às correntes dentro da mesma a deixar de lado as diferenças passadas e organizar uma conferência nacional urgente da UNT para unificar as lutas dispersas da classe trabalhadora meio à luta contra a sabotagem econômica, à revolução e ao desabastecimento e que se ponha como finalidade uma jornada nacional de ocupações de fábricas para exigir do governo nacional a nacionalização sob controle operário das empresas em crises, fechadas ou em conflito como Sidor e outras centenas, bem como o desenvolvimento dos conselhos de fábrica como base para o controle operário da produção que, conjuntamente com os sindicatos da UNT, se convertam na coluna vertebral do novo estado revolucionário que a revolução bolivariana precisa para marchar ao socialismo.
Caracas, 14 de março de 2008
Corrente Marxista Revolucionária
Lançamento da Campanha no Rio de Janeiro
Exibição do documentário:
“No Volverán – A Revolução Venezuelana Agora”
Seguido de debate sobre o momento que atravessa a Revolução Venezuelana
25 de Março (terça-feira)
18 horas
Contato: Fernando (21) 9326-8979
Sábado, 15/03, em São Paulo!
Sala de formação da Editora Luta de Classes
Além do debate, será exibido o filme “No Volverán!”produzido pela campanha internacional “Manos fuera de Venezuela”
Contatos: (11)3615-2129 - (11)9965-9423 - (11)9843-4623 - Alex ou Caio
No Volverán!
Os documentaristas viajaram juntos com a delegação internacional da campanha Tirem as Mãos da Venezuela, visitando bairros pobres de Caracas e diversas fábricas sob controle dos trabalhadores na Venezuela, para entender melhor o movimento que pretende por fim ao capitalismo no país e inspira milhões de trabalhadores no mundo todo.
O que a grande mídia não mostra e/ou distorce, a campanha Tirem as Mãos da Venezuela busca trazer à tona neste documentário emocionante. Depoimentos de trabalhadores e verdadeiros lutadores venezuelanos que demonstram uma consciência incrível da luta de classes e das perspectivas para o avanço da revolução.
Abaixo disponibilizamos uma versão em baixa resolução que pode ser assistida online, agora mesmo. Porém, mesmo assim, apelamos para a solidariedade de todos os companheiros e companheiras, para que adquiram o DVD e contribuam financeiramente com a campanha. Basta pedir por email (contato@marxismo.org.br) que providenciaremos uma cópia.
Assista agora, online e também adquira sua cópia em DVD!
Se o vídeo não abrir, acesse o link:
http://video.google.com/videoplay?docid=446792019660089358
Viva a Revolução na Venezuela,
na América Latina e no mundo!
Filme e debate!
O Cineclube Baixa Augusta fica próximo à estação Consolação do Metrô, no sentido centro da Rua Augusta, 1239 em frente à Lanchonete Ibotirama (esquina com a rua Fernando de Albuquerque). Tel:(11)3214-3906.
Participe!
Declaração da Corrente Marxista Revolucionária
Caracas, 04 de março de 2008.
1) A ofensiva do imperialismo norte-americano intensifica-se contra a revolução latinoamericana. O imperialismo observa como se lhe escapa das mãos o controle sobre o continente e está recrudescendo sua campanha contra a revolução. Muito particularmente, o ponto da mira do imperialismo é sobre a revolução Venezuelana e o referencial que está sendo para as massas em toda América Latina. Por isso as manobras e pressões do imperialismo para frear o giro à esquerda dado em todo o continente e especialmente na Venezuela.
2) Nesse sentido, a mediação com sucesso de Chávez na libertação dos reféns, somado à crise interna em Colômbia e a perspectivas da paz empurraram à oligarquia e ao imperialismo a atacar brutalmente às FARC, assassinando a Raúl Reyes que era responsável dessas negociações para a libertação. A mediação de Chávez nesse processo gerou enormes expectativas entre as massas e produziu mais divisões no seio da classe dominante. Ao mesmo tempo, a mediação de Chávez na libertação dos reféns das FARC era uma "pedra no sapato" na tentativa de criminalizar a revolução venezuelana ante as massas trabalhadoras de todo mundo por parte do imperialismo.
3) Os assassinatos de Raúl Reyes e 18 guerrilheiros da FARC dão conhecimento, uma vez mais, a política do estado colombiano e do governo de Uribe de impedir qualquer saída pacífica ao conflito com a guerrilha e, com isso, o desprezo das vidas dos seqüestrados. O governo de Uribe sobrevive sobre a base de incitar a guerra interna e apelar continuamente à luta contra a guerrilha como um médio de atacar e destruir à esquerda na Colômbia. Com este massacre o governo de Uribe e o imperialismo norte-americano pretendiam sabotar as gestões a favor da libertação de reféns e, com isso, dar um passo para a paz em Colômbia.
4) O Governo Colombiano, na tentativa de sabotar o processo de libertação de reféns e a busca de uma saída pacífica, não duvidou em invadir e bombardear o território equatoriano. Para cumprir com esta tarefa, o governo de Uribe teve que cobrir uma montanha de mentiras para justificar o ataque. Num primeiro momento, Uribe assinala que o governo de Equador tinha conhecimento do ataque e que este tinha se produzido depois de um ataque das FARC. Também disse que os guerrilheiros tinham sido abatidos na perseguição pelo exército colombiano, coisa que se demonstrou ser falsa. As tropas do governo de Equador puderam ver como a maior parte dos guerrilheiros mortos estavam de pijama e tinham sido surpreendidos enquanto dormiam pelo bombardeio das forças colombianas. Ante a evidência das mentiras, de Bogotá, o governo colombiano muda o tom e começou a acusar ao governo do Equador de estar apoiando à guerrilha, segundo documentos intervindos no ataque contra as FARC.
5) A táctica do imperialismo norte-americano e seu fantoche em Bogotá esta sendo a de criminalizar os governos do Equador e da Venezuela os associando com a guerrilha com o fim de criminalizar a revolução em ambos os países e preparar novas agressões contra os mesmos, os unindo à guerrilha e ao narcotráfico. A mão do departamento de estado norte-americano é clara tratando de associar a Venezuela e Equador com o terrorismo e a guerrilha.
6) Ao mesmo tempo em que se produzia esta situação, o governo da Colômbia desloca tropas para a fronteira venezuelana. Ante a ameaça que supõe este movimento de tropas, o presidente Chávez deu ordem de deslocar 10 batalhões à fronteira com Colômbia com o fim de prevenir qualquer agressão contra Venezuela ou incursão do exército colombiano contra o mesmo.
7) A classe trabalhadora de toda América Latina e de todo mundo deve estar alerta ante a ameaça de um ataque militar contra Venezuela ou Equador. O imperialismo norte-americano não duvidará em dividir aos povos irmãos de América Latina para enfrentá-los e os submeter; não duvidará em balcanizar a América Latina para manter a exploração imperialista e o sistema capitalista. O governo reacionário de Uribe fantoche do imperialismo norte-americano pode transformar-se no instrumento para uma intervenção militar contra Venezuela e Equador. O governo colombiano, armado até os dentes pelo imperialismo supõe uma ameaça contra a revolução venezuelana e em todo o continente. Em caso de realizar-se qualquer nova agressão por parte de Colômbia tanto o governo venezuelano quanto o equatoriano estariam em seu direito em defender-se com todos os meios em sua mão dessa agressão.
8) O assassinato de Raúl Reyes mostra como a única maneira de conseguir a paz na Colômbia é através do derrubada revolucionária do Governo de Uribe pela classe trabalhadora colombiana aliada com os camponeses de país. Só a luta de massas nas cidades lutando pelo socialismo pode garantir a paz. A luta pela expropriação dos meios de produção da burguesia na Colômbia e a destruição do aparelho do estado Colombiano através da luta de massas da classe trabalhadora pode garantir a vitória. As fábricas devem estar sobre controle dos operários e as terras em controle dos camponeses. A vitória puramente militar contra o estado colombiano é impossível. Mais de 70 anos de luta heróica guerrilheira demonstrou as limitações desta forma de luta e conduziram ao atual impasse. A luta guerrilheira no campo só pode triunfar como auxiliar da luta da classe trabalhadora nas cidades. Só a insurreição das massas operárias armadas na cidade pode pôr fim a este regime reacionário e sangrento.
9) Os marxistas da CMR repudiam o assassinato do Raúl Reyes e a violação do exército colombiano do território equatoriano e apoiamos as ações preventivas tomadas pelos governos dos Presidentes Chávez e Correa. Existem poderosos interesses no seio do aparelho do estado Colombiano para impedir a paz. Cada vez mais a burguesia colombiana está mais dividida pelo peso do paramilitarismo na economia de seu país e no controle do aparelho estatal. A crise por acima é um reflexo de que as massas estão começando a acordar depois de anos de repressão brutal e de uma guerra civil unilateral por parte do aparelho estatal colombiano e seu braço paramilitar. A guerra pode-se converter na saída desesperada por manter Uribe no poder. No entanto, guerra e revolução caminham unidas.
10) Se o imperialismo norte-americano acaba impondo a intervenção do exército colombiano contra Venezuela é necessário que muito particularmente os trabalhadores, os camponeses e os pobres colombianos se lancem contra esta intervenção imperialista. Uma agressão contra Venezuela ou Equador deve ser o toque de corneta da revolução socialista colombiana. Uribe, tratando de apagar o fogo revolucionário em América Latina, deve encontrar-se com que a faísca da revolução socialista se prende em Bogotá.
11) Na Venezuela e Equador, o povo e os trabalhadores poderão ajudar à libertação do povo colombiano e liquidar a ameaça da burguesia colombiana e do imperialismo, aprofundando a revolução socialista na cada um de seus países, expropriando aos capitalistas e construindo um autêntico estado revolucionário. Isto é, marcando o caminho para o oprimido povo colombiano em sua luta pela libertação do jogo do capitalismo e o imperialismo. Essa é a melhor garantia para evitar a guerra e as manobras do imperialismo.
12) Nossas palavras de ordem são:
Não à agressão de Uribe-Bush contra Equador e Venezuela!
Pela unidade dos trabalhadores, camponeses de Colômbia, Equador e Venezuela! Abaixo o governo reacionário de Uribe. Viva a revolução socialista em Venezuela, Colômbia e Equador!
Viva a Federação socialista de América Latina e o Caribe!
Ventos de guerra
Ventos de guerra
Por Luiz Bicalho – Esquerda Marxista (RJ)
No primeiro momento, uma simples operação militar onde o governo da Colômbia anunciava mais uma vitoria militar contra as FARC. Depois, a noticia de que esta ação tinha sido conduzida em território Equatoriano em reação a ataque das FARC vinda de lá. Após a noticia de que os mortos estavam dormindo e que o exercito colombiano havia abandonado 15 corpos e três mulheres feridas. E os ventos da guerra começaram a soprar.
Os fatos: as formas armadas da Colômbia invadiram o país vizinho, o Equador, sem pedir permissão e inclusive sem comunicar antes ao País. O acampamento da guerrilha, onde estava o dirigente das FARC responsável pelas de libertação dos reféns (Raul Reis) foi monitorado por satélites americanos durante uma ligação telefônica celular, apontado para o exercito colombiano, que destruiu o acampamento com aviões (foguetes e metralhadoras) e depois as tropas invadiram para pegar o cadáver de Reis e aprender documentos e computadores. Isto, em qualquer manual de guerra, é um ato de agressão, é começar uma guerra. Os argumentos de que são terroristas e podem ser caçados em qualquer lugar é exatamente o argumento dos EUA para invadir o Iraque, é o argumento para justificar a não aplicação de leis na prisão de pessoas sem direito a justiça, seja em Guantánamo ou no Iraque e Afeganistão. O argumento é o mesmo de Israel aonde um Ministro chega a declarar que é necessário praticar um Holocausto sobre o povo Palestino (Holocausto é o nome dado pelos judeus ao ato de Hitler de determinar o extermínio do povo Judeu. Agora é usado pelo estado sionista contra os palestinos...). Para justificar a invasão do território equatoriano, o governo colombiano vem citando as resoluções 1368 e 1373 do Conselho de Segurança da ONU, que deram respaldo, em 2001, a invasão do Afeganistão pelos EUA.
Na reunião da OEA, O embaixador colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Camilo Ospina, pediu desculpas pelo bombardeio que matou o dirigente guerrilheiro Raúl Reyes, mas afirmou que o objetivo era combater uma "máfia narcotraficante" e que seu país tem "sérios indícios" de que há outros acampamentos das Farc no Equador. Ou seja, ameçou fazer outra invasão.
Os fatos: O presidente Chávez se sente ameaçado e determina a mobilização do Exercito. Os jornais procuram dizer que é mais um ato de loucura de Chávez. E na madrugada de segunda as notas das agencias de noticias começam a pipocar na Internet. A 1h da manha chega a noticia que a Colômbia pede desculpas ao Equador. As 2h da manhã o chefe de Policia da Colômbia declara que encontraram provas entre os guerrilheiros de que haveria encontros entre o guerrilheiro morto e autoridades do governo do Equador, portanto o governo do Equador apóia as Farc. No correr da segunda se ampliam os ataques dizendo que Chaves destinou 300 milhões para as FARC e também fuzis. O chefe de policia da Venezuela mostra provas que o irmão do chefe de policia da Colômbia foi preso na Alemanha por trafico de drogas.
Os fatos: uma declaração de que o governo da França encontrara o guerrilheiro morto para tratar da libertação de reféns é tratada de forma menor na imprensa. O governo americano apóia o governo da Colômbia. Os jornais noticiam que um alto chefe militar americano visitou a Venezuela dois dias antes do ataque.
A droga e o imperialismo
A situação na Colômbia se deteriora já faz muitos anos. Apesar de alguns acharem que o trafico de drogas é mafioso (e ele é) e que por isso não obedece as leis gerais do capitalismo, a situação na Colômbia mostra justamente o contrário. Há muito tempo que se fez da Colômbia um ponto de produção da cocaína, desde a plantação até o refino. E a maioria desta produção é exportada para os EUA. O fato de não existir concorrência levou a construção de verdadeiros bilionários, de cartéis que disputavam o mercado entre si. Só que o mercado começou a produzir os seus sucedâneos, as drogas sintéticas, e a lei da oferta e procura levou o preço da cocaína ao preço normal de qualquer produto: o tempo de trabalho necessário para a sua produção e transporte até o mercado consumidor. E o dinheiro que inundava a Colômbia diminuiu e a guerra fratricida que divida a Colômbia e que atingia, antes de tudo, os dirigentes sindicais que morriam mais que morria a maioria da população tornou-se maior.
Dos diferentes grupos guerrilheiros que atuavam, sobraram as FARC que de grupo que aspirava ao poder passa a exigir uma "zona desmilitarizada", uma zona onde eles seriam o governo. De outro lado, o Estado "tradicional" se dissolvia e se criavam unidades paramilitares que "combatiam" as guerrilhas, mas na verdade funcionavam como verdadeiras milícias fascistas que atacavam toda e qualquer organização da classe trabalhadora.
A eleição de Uribe vem mudar este quadro. Ele faz um programa de erradicação sob o comando dos EUA, que integra ao Estado as milícias vindas dos grupos paramilitares e retoma para o Estado o monopólio da violência. Isto tudo é feito em nome do combate a drogas, mas neste estado e neste quadro são integrados os antigos dirigentes e financiadores dos grupos paramilitares, em particular os traficantes – melhor dito, uma parte destes traficantes que utiliza a sua posição no aparelho de estado para desarticular e destruir os grupos de traficantes rivais.
A guerrilha não é a solução
Nós, marxistas, sabemos que guerrilhas não são a forma de organização da classe trabalhadora. E que depende da classe trabalhadora uma revolução. A existência de guerrilhas só justifica a repressão do Estado. Nós sabemos que em determinada situação a classe trabalhadora, reagindo, pode ser levada a utilizar a violência. As revoluções que derrubaram os governos do Equador, da Bolívia, da Argentina mostram justamente isto: frente à miséria, frente à repressão a classe trabalhadora se organizou e derrubou governos. O que faltou foram partidos revolucionários que organizassem a classe para que ela tomasse o poder. Nós estamos fazendo justamente o trabalho de construir estes partidos, sem cairmos no aventureirismo da guerrilha que não consegue resolver nem ajudar a resolver este problema.
Sejamos claros: nós combatemos todos os governos capitalistas, em particular governos como o de Uribe, ditatoriais e repressivos. Combatemos e faz muito tempo governos como o governo sionista de Israel que utiliza o método de assassinatos seletivos contra o povo árabe. Agora, da mesma forma que somos solidários ao povo árabe frente à agressão sionista, que somos favoráveis ao direito ao retorno dos árabes na palestina, somos favoráveis a uma reforma agrária que dê terra aos camponeses na Colômbia, que exproprie os latifundiários. Isto significa apoiar a Al Fatah na Palestina ou as FARC na Colômbia? Não, definitivamente não. A origem das FARC, o fato de nascerem do Partido Comunista da Colômbia, não os exime de critica. Apesar de se declararem marxistas-leninistas, o que fazem nada tem de comum com Marx ou com Lênin. Lênin combateu duramente aqueles que saíram das fileiras do bolchevismo e quiseram implantar uma guerra de guerrilhas como solução para a derrota da revolução de 1905 na Rússia. As FARC argumentam que frente a uma ditadura não existe outra solução que as armas nas mãos. Mas a historia da revolução russa de 1917 mostra o contrário. A derrubada das ditaduras na America Latina mostra o contrário: foi o renascimento do movimento operário no Brasil, com o método das greves e manifestações que derrubou a ditadura. A palavra de ordem dos guerrilheiros de 68 no Brasil – "só o povo armado derruba a ditadura" levou na realidade a que a juventude mais mobilizada, mais consciente fosse massacrada pela ditadura. E foi o renascimento do movimento operário, as greves do ABC que deram surgimento a um partido operário e derrubaram a ditadura.
Como combater pela paz?
Bush, declarou seu "total apoio" ao chefe de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, e acusou o governo venezuelano de Hugo Chávez de realizar "manobras provocativas" contra a Colômbia. O imperialismo sabe o que quer: pressionar pela destruição da revolução venezuelana "em nome da paz".
O povo colombiano está seguramente cansado de anos desta guerra sem tréguas, da guerra entre quadrilhas, paramilitares, guerrilha. Guerra em que o povo, os dirigentes sindicais, os trabalhadores perdem a vida e que alguns poucos nas mansões de Bogotá e de Miami enriquecem e vivem. O povo Venezuelano, o povo do Equador não deseja a guerra. Sim, nós sabemos, é o governo títere de Uribe o responsável. Mas, como lutar pela paz, como lutar pela unidade dos trabalhadores contra o imperialismo? Antes de tudo é necessário confiança no movimento operário, nos trabalhadores que eles pelo seu próprio movimento derrubarão, mais cedo ou mais tarde, a ditadura de Uribe. É o movimento operário que está hoje na vanguarda da revolução venezuelana, é ele que vai garantir a continuidade da revolução lá. E é do movimento operário que sairão as forças para impedir a guerra e derrotar Uribe.
Nós convidamos todos a lutarem contra a intervenção do imperialismo em nossos países. Convidamos a todos a se juntarem conosco na campanha de tirem as mãos da Venezuela. A repudiarem a agressão do governo fantoche de Uribe contra o Equador e as agressões verbais contra o mesmo Equador e contra a Venezuela. O momento é grave. O tempo urge e urge a tomada de medidas urgentes para impedir o alastramento da situação e o inicio real da guerra.
Atividade da Campanha TMV na calourada da USP!
Exibição do documentário produzido pela campanha, "No Volverán!" seguido de debate com Alexandre Mandle, advogado dos movimentos sociais na região de Campinas que morou 6 meses na Venezuela (em 2007) e foi inclusive observador internacional no referendo da Reforma Constitucional Venezuelana.
Início: 16:00
Local: prédio de História e Geografia da FFLCH - USP
(Cidade Universitária - São Paulo - SP)
Divulgue e participe!
Obama, Cuba e Brasil
Por Luiz Bicalho
No debate de ontem com Hyllari Clinton, Obama foi bem direto sobre como entende a relação com Cuba (noticiado na Folha de São Paulo de 22/02/08):
Obama foi mais direto. "Eu me encontraria sem condições prévias", embora tenha dito que Hillary estava certa em falar tem de haver "preparações". "É importante para os EUA dialogar não só com seus amigos, mas também com seus inimigos. É onde a diplomacia faz mais diferença", completou.
O senador classificou de "fracasso" a política dos EUA para Cuba e disse que o objetivo final é a "normalização" da relação. Os EUA impõem um embargo econômico, financeiro e comercial a Cuba há mais de cinco décadas.
Esta fala tem a sua importância porque Obama pode ser o próximo presidente dos EUA (para ver mais sobre Barak Obama e as eleições americanas, leia em WWW.luizbicalho.wordpress.com). Em outro texto da mesma edição citada, a Folha de São Paulo explica a situação da candidatura Obama:
Obama conquistou ontem sua 11ª vitória consecutiva em prévias desde a Superterça: com 66% da preferência, venceu entre os americanos democratas que vivem no exterior ("Democrats Abroad"), que votam em urnas em 164 países ou pela internet. Os democratas no exterior enviam 11 delegados à convenção democrata, quatro deles superdelegados.
A coalizão de sindicatos "Change to Win", que representa mais de 5 milhões de trabalhadores, declarou ontem apoio a Obama. São 175 mil afiliados só em Ohio, que escolherá seus delegados democratas em 4 de março. O endosso pode enfraquecer Hillary, que precisa ganhar no Estado para manter a viabilidade de sua candidatura. Até agora ela é favorita.
As previsões dão conta que Obama já conta com maioria dos delegados entre os eleitos (existem também os membros da direção partidária dos democratas, deputados e senadores que tem voto sem serem eleitos delegados) e caminha para conquistar a maioria da convenção democrata. E depois de 8 anos de Bush, depois da crise econômica, em particular da crise da hipotecas que está levando a uma onda de despejos de casas com prestações não pagas, é provável que os democratas ganhem. Então, Obama está a esquerda? Como sempre, é preciso analisar com frieza o que ele propõe:
Obama quer "normalizar as relações". Ou, como explica o editorial de ontem da Folha, é preciso que Cuba tenha mais...comercio. É preciso "liberar" a economia. Em outras palavras, como explicou José Dirceu numa entrevista, é preciso seguir a "via Chinesa". E enquanto todos os que sempre foram os maiores admiradores de Castro (e se Castro tem suas virtudes, também tem muitos defeitos, o principal de defender o "socialismo num país só", o que sempre impediu a defesa completa de Cuba) hoje querem dizer que "nada vai mudar". Mas os dirigentes de Cuba continuam dando sinais do contrário, desde convidar o enviado do Papa (exatamente este Papa reacionário que agita a Espanha contra o governo social-democrata em defesa dos herdeiros da ditadura franquista), passando por pedir que Lula ajude a ter empresários para investir no País e terminando por convidar o último premiê alemão oriental, Hans Modrow, para falar da transição em seu país (matéria da Folha de 20/08). Esta é a disposição da "nova" liderança, após a renúncia de Fidel. Isto são os sinais que ela envia. E Obama?
Ele explica claro: "É importante para os EUA dialogar não só com seus amigos, mas também com seus inimigos". Ou seja, Cuba, a economia planificada, são o "inimigo". É preciso dialogar, é preciso comerciar, para derrubar a esperança que a revolução cubana representa. Esta é a disposição de Obama, de fazer a "transição" em Cuba através da pressão e do "dialogo" ao invés da intervenção armada. Marx a muito explicou no Manifesto Comunista que "o que derruba as muralhas da China são o preço baixo das mercadorias". E o capitalismo pode financia-las a preço baixo para destruir a revolução e fazer com que ela seja varrida do coração e das mentes dos trabalhadores latino-americanos que sempre se miraram nela na sua luta em busca da libertação.
Mas, como já dissemos, a ultima palavra não foi dada. Nós estaremos juntos de todos os trabalhadores e da juventude para defender a revolução cubana. E temos certeza que os trabalhadores cubanos aprenderam também com as outras "transições" e seu cortejo de miséria para serem tão facilmente enganados.
Algumas notas sobre a renúncia de Fidel
Por Luiz Bicalho
Em muitos corações e mentes, a morte de uma pessoa significa o fim de tudo o que ele representa. É verdade, uma pessoa pode influenciar e muito o curso dos acontecimentos, para o bem e para o mal. E se esta pessoa dirigiu uma revolução e um pais por muito tempo, se virou o ícone e o ídolo de milhões, no seu pais e fora dele, então a sua saída, o seu afastamento, tem significado. Fidel foi um nacionalista burguês, que pressionado pelos acontecimentos, ao defender o seu país não teve outra saída que não a de estatizar os meios de produção e expropiar a burguesia. Nisto, ele se diferenciou de dezenas de outros “líderes” que colocados entre a cruz e a espada, preferiram se entregar. Fidel não se entregou e com isso garantiu o seu lugar na história e, mais que isso, garantiu que o povo cubano tivesse conquistas que em nenhum outro lugar da América Latina os povos tiveram. Mais: conseguiu mostrar que o socialismo é possível na América Latina. Entretanto, tomou todo o cuidado contra a “exportação” da revolução e muito de suas divergências com Che Guevara vieram disso (sem com isso querermos glorificar Che, que como alguns revolucionários pequenos-burgueses, teve o mérito de tentar expandir a revolução, mas não conseguiu nunca entender a necessidade de organizar a classe operária).
Ninguém duvida que a sua saída levará, no governo, a um caminho em direção a destruição das conquistas da revolução.
Em uma matéria no site do OESP, encontramos:
Frei Betto, que se encontrou com Raúl na semana passada, prevê a continuidade do socialismo em Cuba, "país pobre mas sem miséria", diz.
"A meu ver, iludem-se aqueles que pensam que haja qualquer sinal de volta do capitalismo. Em Cuba, não há nenhum setor organizado, representativo, que queira uma Cuba capitalista de novo", afirmou.
"Quem queria foi embora ou já morreu. Quem está lá é uma geração que foi beneficiada pela revolução em questões básicas de saúde e educação. Em uma Cuba capitalista, em poucos anos voltaria a desigualdade e a miséria", completou.
Com a postura de quem privou de conversas recentes com Raúl, ele acredita que a precária situação econômica deve levar Cuba a algum tipo de abertura, como a ampliação das parcerias estrangeiras, mas longe do estilo chinês, onde há um grande espectro de associações capitalistas.
“Em Cuba, não há nenhum setor organizado, representativo, que queira uma Cuba capitalista de novo”? Será verdade? Mas na China, na URSS, na Europa do Leste foram justamente de dentro dos Partidos Comunistas que surgiram os “setores organizados” que defenderam e organizaram a volta ao capitalismo, inclusive aproveitando-se deste fato para roubar partes da propriedade social em seu próprio proveito, tornando-se milionários da noite para o dia, donos de empresas ou mafiosos.
Nós concordamos com ele: “Em uma Cuba capitalista, em poucos anos voltaria a desigualdade e a miséria”. Mas sabemos que não bastam as boas intenções. Temos confiança é que a classe trabalhadora cubana saiba defender as conquistas de sua revolução, saiba defender-se dos ataques do imperialismo que já começaram.
Bush, puxando o coro depois repetido por todos os líderes dos paises imperialistas declara: “vamos ajudar o povo cubano a retomar a democracia”. De que democracia ele fala? Dos EUA? Onde qualquer um pode ser preso a vida inteira sem julgamento? Da prisão de Guatanamo? Da democracia que “implantaram” no Iraque?
Nós estamos ao lado dos trabalhadores Cubanos, na sua luta contra esta posição do imperialismo, nesta hora difícil. Sabemos que os trabalhadores e juventude terão os seus olhos voltados para Cuba. Quando fazemos a defesa da Revolução Venezuelana (www.tiremasmaosdavenezuela.blogspot.com) estamos mostrando de que lado estamos, de que lado estão os trabalhadores do mundo inteiro. Continuaremos acompanhando o assunto.
O lado deles: o que dizem “analistas”, “economistas”, “especialistas” e outros “istas” pagos pelo Capital:
(extraído de um texto de ESTEBAN ISRAEL – REUTERS)...
Economistas em Cuba descartam reformas econômicas estruturais no curto prazo e apostam em mudanças paulatinas em setores como agricultura.
Para Phil Peters, especialista em Cuba do Lexington Institute em Washington, o impacto da aposentadoria de Fidel ainda é incerto. "Mas suas idéias ortodoxas perderão força em um governo que busca soluções para profundos problemas econômicos criados pela centralização e pelo planejamento excessivo, sem mencionar a falta de liberdade econômica", disse ele.
O gerente de uma empresa multinacional que opera em Cuba concorda. "A transição em Cuba ocorreu um ano e meio atrás. Este é um passo na direção correta de dar continuidade às reformas que a economia tanto precisa", disse ele, que preferiu não se identificar.
Frank Mora, analista político do National War College em Washington, não espera mudanças imediatas. "Cuba não mudará de forma significativa agora nem quando Fidel Castro morrer. Os raulistas entendem os perigos de fazer muitas reformas econômicas rápido demais."
Mora, do National War College, acredita que a aposentadoria de Fidel é a segunda fase de um processo de transição que começou com sua doença em julho de 2006. "A terceira fase chegará quando ele morrer. Em cada etapa, os líderes pós-Fidel estão assumindo mais poder e influência para determinar o futuro de Cuba de uma forma que poderia parecer antiética segundo a visão de Fidel sobre como deve organizar-se o governo de Cuba", disse ele.
Video "Solidarity"
A campanha internacional "Tirem as Mãos da Venezuela" (Hands Off Venezuela) foi iniciada em 2002 em alguns países. No Brasil demos início à campanha em 2007. Porém já há atividades da campanha em cerca de 50 países. Na Europa - e principalmente na Inglaterra, onde a campanha é apoiada por mais de 3 milhões de trabalhadores - os ativistas da campanha já produziram videos, organizaram conferências e delegações que foram até a Venezuela.
Abaixo está disponível um vídeo curto (com áudio em espanhol/inglês e legendas em inglês) de 13 minutos, que traz entrevistas com algumas lideranças da campanha e cenas da visita de Chávez à Londres, quando ele agradeceu diretamente à campanha Tirem as Mãos da Venezuela por todo o apoio internacional.
Também aparecem no vídeo John McDonnel, presidente de honra da campanha internacional e Alan Woods, autor e co-fundador da campanha.
A Revolução Venezuelana na Encruzilhada
11 de janeiro de 2008
A revolução venezuelana tem inspirado os trabalhadores, camponeses e jovens de toda a América Latina e do mundo. Na década passada as massas revolucionárias realizaram milagres. Mas a revolução venezuelana não está concluída. E não pode ser concluída sem expropriar a oligarquia e nacionalizar a terra, os bancos e as indústrias básicas que permanecem em mãos privadas. Depois de quase uma década esta tarefa não foi cumprida e isto representa uma ameaça ao futuro da revolução.
A oligarquia venezuelana opõe-se acerbamente à revolução. Por trás dela encontra-se o poder do imperialismo EUA. Cedo ou tarde a revolução venezuelana ver-se-á enfrentada à alternativa: ou uma coisa, ou outra. E como a revolução cubana foi capaz de realizar a expropriação dos latifundiários e do capitalismo, também a revolução venezuelana encontrará a determinação necessária para seguir o mesmo caminho. E este é de fato o único caminho que existe.
A revolução bolivariana encontra-se agora na encruzilhada. Ela alcançou o ponto crítico em que terão de ser adotadas decisões que terão influência determinante quanto ao seu destino. O papel da liderança é decisivo neste momento. Mas aqui encontramos sua maior fragilidade. Pode-se dizer com segurança que, se existisse um genuíno partido marxista na Venezuela com raízes na classe trabalhadora, a revolução socialista já teria sido concluída há muito tempo atrás. Mas tal partido não existe ou, melhor dizendo, existe apenas embrionariamente. E esta é a questão essencial do problema.
A questão da liderança
Depois de todas as discussões sobre socialismo, as tarefas fundamentais da revolução socialista não foram cumpridas. Essencialmente, este é um problema de liderança. Hugo Chávez mostrou ser um audacioso lutador antiimperialista e um democrata consistente. Mas a coragem não é suficiente para se vencer uma guerra. Também é necessário se dispor de estratégia e táticas corretas. E o que é verdadeiro para as guerras entre nações é também verdadeiro para a guerra entre as classes.
Os reformistas e estalinistas tentam argumentar que “as condições não estão maduras” para uma revolução socialista na Venezuela. Pelo contrário, hoje as condições para uma revolução socialista vitoriosa na Venezuela são infinitamente mais favoráveis do que as existentes na Rússia em 1917. Não devemos esquecer que a Rússia czarista era um país semifeudal extremamente atrasado com uma classe trabalhadora muito pequena – não mais do que dez milhões de uma população total de 150 milhões. Não devemos esquecer que em fevereiro de 1917 o Partido Bolchevique tinha apenas oito mil membros em toda a Rússia. Compare-se isto com os cinco milhões de membros do PSUV e a diferença se torna imediatamente evidente.
O balanço de forças de classe na Venezuela é mil vezes melhor do que aquelas que os bolcheviques tinham em 1917. Mas isto não esgota a questão. Na história das guerras quantas vezes um grande exército composto de soldados corajosos foi derrotado por uma força menor de profissionais experientes conduzida por bons oficiais? Muitas vezes! Nas revoluções, como nas guerras, a qualidade da liderança é, no final das contas, decisiva.
Sob a liderança de Lênin e Trotsky, o Partido Bolchevique, em pouco tempo, teve êxito em assegurar o apoio da maioria decisiva dos trabalhadores e soldados e em conduzi-los à conquista do poder. Conseguiram isto com base na clareza das idéias e métodos marxistas que combinavam firmeza ideológica em todas as questões fundamentais com a necessária flexibilidade tática para ganhar as massas para o lado da revolução.
A existência de um partido e de uma liderança com essas características na Venezuela teria facilitado, sem dúvidas, em muito a tarefa da revolução socialista. Mas este partido não existe e as massas não podem esperar até que seja criado. Os sectários e os formalistas são incapazes de entender as massas, como elas desenvolvem a consciência e se movimentam para mudar a sociedade. Para essas pessoas, a questão é muito simples: basta proclamar o partido revolucionário. Dá na mesma se é um partido de dois ou de dois milhões. Mas as massas não reconhecem pequenos grupos revolucionários e sequer os notam.
A revolução não pode ser dirigida por grupos pequenos de revolucionários como uma orquestra é dirigida por seu regente. Ela tem vida e lógica próprias que não correspondem aos esquemas formalistas dos sectários. A natureza abomina o vácuo. Na ausência de uma firme liderança proletária revolucionária armada com as idéias científicas do marxismo, o leme foi tomado pelo Movimento Bolivariano.
O Movimento Bolivariano inclui em suas fileiras milhões de trabalhadores, camponeses e jovens revolucionários que estão se esforçando energicamente por uma mudança fundamental na sociedade – pelo socialismo. Eles identificam suas aspirações na pessoa de Hugo Chávez, o fundador e líder indisputável do Movimento Bolivariano. Naturalmente! As massas sempre são leais às organizações e líderes que as despertaram para a vida política, deram expressão organizada as suas aspirações e as exprimiram.
Força e fraqueza do Bolivarianismo
Estas são, inegavelmente, realizações do movimento bolivariano. Seu lado forte é que se encontra enraizado nas massas – nos milhões de trabalhadores, camponeses e pobres venezuelanos que nunca tiveram voz antes e que agora a têm. Com esses milhões ao seu lado, dando-lhes voz e esperança, o movimento bolivariano desempenhou um papel muito importante. Mas ao lado de seus pontos fortes, ele tem muitos pontos fracos também.
A fragilidade mais importante do Bolivarianismo é que lhe faltam um programa, uma política e uma estratégia claramente planejados para realizar as aspirações das massas. Isto é compreensível, dada a forma como surgiu o movimento. Ele foi produto não de um programa planejado, e sim de poderosas, mas vagas, aspirações por justiça nacional e social. Isto não constituiu problema no inicio e correspondia completamente à psicologia das massas, que estavam apenas começando a despertar para a vida política. Quando as massas compreenderam que existia a possibilidade de lutar por mudanças, avidamente abraçaram esta tarefa. Isto criou um impulso irresistível que continuou por uma década, sacudindo os fundamentos da sociedade e da política na Venezuela e em outros lugares.
No entanto, dialeticamente, o que era originalmente uma fonte de força em certo momento se transformou em seu contrário. Na ausência de um programa científico e de uma ideologia clara e inequívoca, o movimento encontra-se sob a pressão das forças contraditórias de classe, que se reflete em suas fileiras e particularmente na liderança. Isto produz uma situação instável, com constantes vacilações e hesitações. Estas contradições, que no fundo refletem contradições de classe, estão refletidas na evolução política do próprio Chávez.
O papel de Chávez
Nenhum observador sem preconceitos pode negar que na última década Hugo Chávez evoluiu de modo notável. A partir de um programa democrático-revolucionário, ele entrou repetidamente em conflito com os latifundiários, banqueiros e capitalistas venezuelanos, com a hierarquia da Igreja e com o imperialismo EUA. Em todos estes conflitos ele se baseou nas massas de trabalhadores, camponeses e pobres, que representam o verdadeiro motor da revolução bolivariana, sua única base verdadeira de apoio.
Finalmente, ele se mostrou a favor do socialismo, o que é um desenvolvimento muito importante. Embora a natureza deste socialismo seja tão vaga quanto o restante da ideologia bolivariana, os trabalhadores o preenchem com seu próprio conteúdo de classe. Eles se movimentaram para ocupar fábricas e estabelecer o controle operário. Os camponeses se esforçam por ocupar as grandes propriedades e por realizar a revolução agrária por baixo.
A força fundamental de Hugo Chávez não é a clareza de suas idéias, mas o fato de que ele expressou as aspirações profundamente sentidas das massas. Quem quer que tenha estado presente em comícios de massa em Caracas testemunhou a química eletrizante que existe entre o Presidente e as massas. Eles alimentam um ao outro. As massas vêem suas aspirações refletidas nos discursos do Presidente e este vai mais longe à esquerda tendo por base a reação das massas e, por seu turno, dá um novo impulso a estas aspirações.
A burguesia entendeu esta “química revolucionária” e está se esforçando por quebrar a ligação entre Chávez e as massas. Planejaram o assassinato do Presidente, calculavam que o seu desaparecimento fragmentaria e desintegraria o Movimento Bolivariano. Eles têm organizado conspirações nas camadas superiores do Movimento Bolivariano para substituí-lo por um candidato que poderia ser mais “moderado” – quer dizer, mais maleável às pressões da burguesia. O principal objetivo de derrotar o referendo constitucional não era o de “prevenir a ditadura” (nenhuma das propostas da reforma poderia ser interpretada nesse sentido), mas o de evitar uma nova presidência de Chávez. Isto poderia abrir o caminho para o êxito da conspiração que é conhecida como “chavismo sem Chávez”.
Bem se sabe que a burocracia contra-revolucionária tem tomado medidas para isolar Chávez das massas criando um círculo de ferro em torno ao Palácio de Miraflores. A ameaça de assassinato é real e justifica firme segurança. Mas isto também pode ser usado como um pretexto para os funcionários filtrar e censurar, assegurando que apenas determinadas pessoas tenham acesso ao escritório do Presidente, enquanto outros são excluídos por razões políticas. Através desses meios a pressão das massas e da ala esquerda fica reduzida, enquanto a pressão da burguesia e dos reformistas aumenta.
Por que o referendo foi perdido
Repetidamente, as massas, revelando infalível instinto revolucionário, derrotaram as forças da contra-revolução. Este fato engendrou uma perigosa ilusão na liderança e nas próprias massas de que a revolução era alguma marcha triunfante que varreria automaticamente para o lado todos os obstáculos. Em vez de uma ideologia científica e de uma política consistentemente revolucionária, um tipo de fatalismo revolucionário fascinou a mente dos líderes: que tudo estava indo bem no melhor dos mundos bolivarianos. Independentemente dos erros cometidos pela liderança, as massas sempre corresponderiam, os contra-revolucionários seriam derrotados e a revolução triunfaria.
O corolário deste fatalismo revolucionário era a idéia de que a revolução bolivariana dispõe de todo o tempo do mundo, que o socialismo viria eventualmente, mesmo que tivéssemos de esperar cinqüenta ou cem anos. É irônico que Heinz Dieterich e outros apresentem esta idéia (mais corretamente, este preconceito) como “nova e original”. Na verdade, ela vem diretamente da lata de lixo do desacreditado liberalismo do século XIX. A burguesia, no tempo em que ainda era capaz de desempenhar um papel progressista no desenvolvimento das forças produtivas, acreditava na inevitabilidade do progresso – que hoje é melhor do que ontem e que amanhã será melhor que hoje.
Esta noção (agora completamente abandonada pela burguesia e seus filósofos “pós-modernos”) foi mais tarde incorporada pelos líderes reformistas do movimento internacional dos trabalhadores no período de ascensão capitalista antes de 1914. Os reformistas social-democratas argumentaram que a revolução não era mais necessária; que vagarosa, gradual e pacificamente, a Social-democracia poderia mudar a sociedade até que um dia o socialismo chegaria antes mesmo que alguém percebesse. Estas ilusões reformistas foram despedaçadas pela erupção da Primeira Guerra Mundial e pela Revolução Russa que a acompanhou. Mesmo assim, elas são recuperadas da lata de lixo da história, espanadas e apresentadas como a última palavra do “realismo” do socialismo do século 21.
Um outro corolário é que a revolução bolivariana deve se confinar aos limites das leis e constituições burguesas. Isto é irônico, já que a burguesia venezuelana tem revelado completo desrespeito por todas as leis e constituições. Ela está engajada na sabotagem econômica e em conspirações constantes; ela boicotou as eleições e tomou as ruas em protestos violentos; ela conduziu um golpe de estado contra o governo democraticamente eleito e, a não ser pela iniciativa revolucionária das massas nas ruas, não teria hesitado em assassinar o Presidente e instituir uma ditadura depravada na linha da ditadura de Pinochet no Chile.
Tudo isto é bem conhecido e não há necessidade de repetir. Na defesa de seus interesses de classe, a burguesia não tem mostrado nenhum respeito por leis e constituições. Já para as massas, espera-se que obedeçam a todo ponto e vírgula da legislação existente e que obedeçam “as regras do jogo”, como se este fosse um jogo de xadrez ou de futebol. Infelizmente, a luta de classes não é um jogo e não tem nenhuma regra e nenhum árbitro. A única regra é que no fim uma classe deve vencer e a outra deve perder. E, como os romanos costumavam dizer: Vae victis! (Ai dos vencidos!).
No início estes métodos pareciam funcionar. Por quase dez anos as massas apresentaram-se lealmente em cada referendo e eleição e votaram esmagadoramente por Chávez, pela revolução bolivariana, pelo socialismo. É realmente assombroso que as massas tenham permanecido febrilmente excitadas, ativas, durante tanto tempo. É sem precedentes que uma situação revolucionária tenha demorado dez anos sem encontrar uma solução revolucionária ou contra-revolucionária.
As massas votaram por uma mudança fundamental nas condições de sua própria vida. Isto ficou demonstrado com máxima clareza nas eleições presidenciais de dezembro de 2006, quando as massas deram-lhe a maior votação na história da Venezuela. Este foi um mandato pela mudança. Mas, embora algumas medidas progressistas tenham sido tomadas, incluindo nacionalizações, o ritmo de mudança era muito vagaroso para satisfazer as demandas e aspirações das massas.
Teria sido totalmente possível para o Presidente introduzir uma Lei Habilitante na Assembléia Nacional para nacionalizar a terra, os bancos e as indústrias fundamentais sob controle e administração operária. Isto teria quebrado o poder da oligarquia venezuelana. Além do mais, isto teria sido feito de forma totalmente legal pelo parlamento democraticamente eleito, visto que numa democracia se supõe que os representantes eleitos do povo são soberanos. É próprio dos advogados ficarem disputando sobre este ou aquele ponto. O povo espera que o governo eleito por ele aja em seu interesse e que aja com decisão.
Em vez de uma ação decisiva contra a oligarquia, o que teria entusiasmado e mobilizado as massas, apresentaram um novo referendo constitucional. Mas quantos referendos e eleições serão necessários para realizar o que querem as massas? O povo está cansado de tantas eleições, de tantas votações, de tantos discursos vazios sobre socialismo que lhe é apresentado como um lindo quadro que não corresponde ao que o povo vê todos os dias.
O que vêem as massas? Depois de aproximadamente uma década de lutas elas vêem que as mesmas pessoas ricas e poderosas ainda possuem a terra, os bancos, as fábricas, os jornais, a televisão. Elas vêem pessoas corruptas em posições de poder – governadores, prefeitos, funcionários do estado e do movimento bolivariano; sim, e no Miraflores também – que vestem camisetas vermelhas e falam sobre o socialismo do século XXI, mas que são carreiristas e burocratas que nada têm em comum com socialismo ou revolução.
Elas vêem que nenhuma ação é tomada contra funcionários corruptos que estão forrando os seus bolsos e minam a revolução por dentro. Elas vêem que nenhuma ação é tomada contra os capitalistas que estão sabotando a economia pela recusa em investir na produção e pelo aumento dos preços. Elas vêem que nenhuma ação é tomada contra os conspiradores que derrubaram o Presidente em abril de 2002. Elas vêem latifundiários, que assassinam camponeses ativistas, impunes. Elas vêem os preços subindo nos mercados e vêem os porta-vozes governamentais negando que existam quaisquer problemas. Elas vêem todas estas coisas e se perguntam: foi por isto que votamos?
O papel pernicioso do reformismo
Um pernicioso papel em tudo isto está sendo desempenhado pelos reformistas, estalinistas e burocratas que estão ocupando postos-chave no movimento bolivariano e se esforçam por colocar breques na revolução, por paralisá-la por dentro e por eliminar todos os elementos de verdadeiro socialismo. Estes elementos estão permanentemente pedindo para Chávez não ir mais longe, para ser “mais moderado” e não tocar na propriedade privada da oligarquia.
Desde a primeira vez que Chávez colocou a questão do socialismo na Venezuela, os reformistas e estalinistas têm estado concentrando todas as suas energias em reverter a direção socialista da revolução, alegando que a nacionalização da terra, dos bancos e das indústrias seria um desastre, que as massas não estão “maduras” para o socialismo, que a expropriação da oligarquia alienaria a classe média e assim por diante. O mais consistente advogado e “teórico” desta linha de capitulação é Heinz Dieterich.
Dieterich opôs-se ao referendo constitucional. Pode-se discutir o conteúdo e a oportunidade do referendo. De fato, na nossa visão, não era necessário convocar um referendo. O que era necessário era usar a vitória eleitoral para tomar medidas decisivas contra a oligarquia e a contra-revolução. Mas não era esta a posição de Dieterich e dos reformistas. Totalmente ao contrário: eles se opuseram ao referendo porque se opõem ao movimento em direção à transformação socialista da sociedade. Eles querem deter a revolução e revertê-la para agradar a oposição contra-revolucionária e o imperialismo.
Às vésperas do referendo, Dieterich publicamente se alinhou com o renegado Baduel. Ele exigiu que Chávez se unisse com Baduel; quer dizer, que a revolução poderia se unir com a contra-revolução. Era este, e ainda é, o programa de Dieterich e dos reformistas. Para eles, a derrota no referendo foi como uma dádiva dos céus. A derrota os habilitou a intensificar sua pressão sobre o Presidente: “você vê onde sua obstinação nos levou? Você deveria nos ouvir! Nós somos realistas. Nós entendemos das coisas melhor que você! Você não deve mais se precipitar. Você deve abandonar toda conversa de socialismo e firmar um compromisso com a oposição e a burguesia, ou estaremos perdidos”.
Agora, a estreita derrota no referendo constitucional está sendo apresentada como um impulso em direção ao “centro” – isto é, à direita – e como uma prova de que é necessário aplacar a classe média (isto é, capitular perante a burguesia). Esta é a linha que está sendo assiduamente divulgada por Dieterich e os reformistas. Se Chávez ouvi-los – e há certas indicações de que ele está ouvindo – a revolução será lançada em extremo perigo.
Estes “amigos” da revolução bolivariana trazem-nos à memória os amigos de Jó, que o “confortaram” em sua hora de necessidade chutando-lhe os dentes. Tais “amigos” lembram o velho adágio: “Deus, livrai-nos dos nossos amigos: dos nossos inimigos nós mesmos nos livraremos”.
Um perigoso movimento
Seguindo o conselho daqueles que querem alcançar um acordo com os contra-revolucionários, Chávez concedeu anistia a diversos líderes da oposição conectados com o golpe militar de abril de 2002 e a interrupção da indústria petrolífera que causou prejuízos de 10 bilhões de dólares à economia e quase tiveram êxito em destruir a revolução.
Lembremos que o “decreto Carmona” do governo do golpe dissolveu instituições públicas democraticamente eleitas, como a Corte Suprema e a Assembléia Nacional. Agora, aqueles que escreveram e assinaram este infame documento serão anistiados. Estarão livres para continuar com suas atividades contra-revolucionárias.
Chávez disse que esperava que o decreto de anistia “seria uma mensagem enviada ao país de que podemos viver juntos a despeito de nossas diferenças”. Esta é evidentemente uma tentativa de estabelecer uma política de “reconciliação nacional”, seguindo as conhecidas receitas de Dieterich. É um movimento muito perigoso. Se o golpe tivesse tido êxito – o que teria acontecido se não fosse o movimento revolucionário das massas – quem pode acreditar que os contra-revolucionários teriam se comportado assim? Eles teriam matado Chávez e muitos de seus seguidores e logo iriam dormir com a consciência tranqüila.
De acordo com a lógica dos reformistas, uma atitude conciliatória produzirá o diálogo e compelirá a oposição a adotar uma atitude mais razoável. Este argumento não tem base nos fatos. Em repetidas ocasiões no passado, Chávez tentou fazer isto. O resultado foi exatamente o oposto daquele previsto pelos reformistas. Isto ficou claro depois do golpe de abril de 2002, quando o Presidente ofereceu negociações à oposição. Qual foi o resultado? Não reconciliação nacional, mas sabotagem da economia. Depois disto também, Chávez ofereceu-se para negociar. O único resultado foi uma nova tentativa de derrubar o governo no referendo revogatório.
Mas pode ser que a oposição tenha aprendido suas lições. Pode ser que agora esteja ela inclinada ao compromisso? Como a oposição contra-revolucionária reagiu ao decreto? Correram para abraçar o Presidente? Não! A reacionária hierarquia da Igreja católica chama-o de “discriminatório” e exige que ele deveria ser estendido para beneficiar oficiais de polícia que são culpados de assassinato assim como outros notórios contra-revolucionários, como o quarentão líder estudantil opositor Nixon Moreno, que é procurado por tentativa de estupro de uma oficial de polícia em Merida. Mónica Fernández, que deu ordens para a prisão ilegal do ex-ministro do interior Ramón Rodríguez Chacín durante o golpe, é beneficiária do decreto. Agora, ela reclama que seja estendida a anistia para incluir “políticos exilados” como Carmona, Estanga e Ortega.
Estes criminosos que não demonstraram nenhum remorso ou boa vontade para retificar suas ações, estarão agora livres para continuar suas atividades contra-revolucionárias. Isto tem provocado justificável indignação nas fileiras chavistas. Manuel Rodríguez disse que o Presidente não deveria ter assinado o decreto. “Onde estavam nossos direitos humanos quando eles [a oposição] paralisaram o país?” Perguntou ele.
A Revolução deveria reduzir a velocidade?
“Auxiliado” por seus conselheiros reformistas, o Presidente tem tirado algumas conclusões incorretas do referendo. Durante o “Alô Presidente” de seis de janeiro de 2008, ele disse:
“Estou compelido a reduzir o ritmo da marcha. Eu vinha impondo nisto uma velocidade que estava além das possibilidades e capacidades coletivas; aceito isto, e um de meus erros foi este. A vanguarda não pode perder contato com as massas. A vanguarda deve estar junto às massas! Permanecerei com vocês e dessa forma tenho de reduzir minha velocidade (...).
“Isto não um espírito de rendição ou de moderação. É realismo. Realismo! Calma, paciência, solidez revolucionária. Ninguém deve sentir-se derrotado ou desmoralizado (...).
“Prefiro reduzir a velocidade, fortalecer as pernas, os braços, a mente, o corpo, as organizações populares e o poder popular. E quando estivermos prontos, mais tarde, logo aceleraremos a marcha”.
Estas palavras soarão como música aos ouvidos de todos aqueles burocratas e reformistas que vestem camisetas vermelhas, mas que são fundamentalmente opostos ao socialismo e estão se esforçando por descarrilar a revolução. Essas pessoas estão sempre clamando por “realismo” e pela necessidade de se mover mais devagar. Elas falam sobre socialismo do século 21, mas na realidade gostariam que o socialismo fosse posposto para o século 22 ou 23, ou melhor ainda, indefinidamente. O Presidente continuou:
“São necessários aperfeiçoamentos em nossa aliança estratégica. Não podemos nos deixar descarrilar por tendências extremistas. Não somos extremistas nem podemos ser. Não! Temos de buscar alianças com a classe média, incluindo a burguesia nacional. Não podemos apoiar teses que falharam no mundo todo, como a da eliminação da propriedade privada. Esta não é a nossa tese”.
Já conhecemos de antes estas declarações – nos artigos e discursos de Heinz Dieterich, o ex-marxista que agora se encontra no campo do reformismo e da burguesia. Lendo estas palavras, podemos formar uma idéia clara de qual tendência tem o controle em Miraflores agora. É uma tendência que tem sido trabalhada muito pacientemente e sistematicamente nos últimos anos, intrigando contra o socialismo e a revolução, esforçando-se por isolar Chávez das massas e da ala revolucionária.
Somos nós extremistas? Não, somos revolucionários socialistas, marxistas. Somente os latifundiários, banqueiros e capitalistas podem ver o socialismo como um “extremismo”. Mas eles são minoria na sociedade. A esmagadora maioria do povo vê o socialismo como algo totalmente normal e não como um extremismo. O Presidente disse em mais de uma ocasião que o capitalismo é escravidão. É “extremismo” desejar a abolição da escravidão? Somente os escravistas poderiam dizer isto.
Somos nós favoráveis à abolição de toda propriedade privada? Não, não estamos a favor de tocar a propriedade privada da esmagadora maioria da população: os trabalhadores, os camponeses, pequenos lojistas e a classe média. Não propomos a coletivização do automóvel do vizinho, de sua casa ou televisão, nem de suas esposas e filhos. Estas são as mentiras ridículas que foram usadas pela oposição contra-revolucionária em sua caluniosa campanha pelo voto no “não”.
O que nós defendemos é a expropriação da propriedade da oligarquia: a nacionalização da terra, dos bancos e das indústrias fundamentais, o que representa expropriar menos de 2% da população: não a classe média, mas os super-ricos especuladores e parasitas que nada fazem para desenvolver a economia venezuelana, mas que estão constantemente sabotando a produção, criando escassez artificial e aumentando os preços. Para Dieterich e outros reformistas, colocamos uma questão muito simples: como é possível realizar o socialismo sem expropriar a propriedade da oligarquia?
O PIB da Venezuela está crescendo a 8,4%. Mas existem problemas sérios. A inflação é oficialmente de 22,5%. O aumento dos preços golpeia os setores mais pobres mais duramente que os afortunados. Existe continuamente escassez de comida, afetando produtos básicos como o leite, feijão e frangos. Isto revela a completa inadequação da agricultura privada na Venezuela. Uma terra potencialmente rica e fértil tem de importar mais de 70% de sua comida – uma situação escandalosa.
A escassez de produtos alimentícios básicos como resultado da sabotagem deliberada dos fazendeiros capitalistas e dos monopólios distribuidores desempenhou um importante papel na derrota do referendo da reforma constitucional. Que ações foram tomadas pelos ministérios mais importantes? Logo após o referendo, anunciaram que o controle de preços do leite estava abolido e há a conversa de que o controle sobre uma série completa de outros produtos também será abolido. Novamente, mais concessões à oligarquia.
Há uma solução muito simples para os problemas da escassez de comida: a expropriação de todas as empresas e indivíduos que participam da sabotagem da cadeia de distribuição de comida. Esta medida, que é perfeitamente democrática, poderia ter sido introduzida há muito tempo, mais particularmente a partir da emissão do decreto sobre estoques escondidos e sabotagem há aproximadamente um ano atrás. Toda a terra expropriada, instalações e equipamentos poderiam ter sido colocados sob o controle democrático de comitês compostos por representantes dos camponeses e trabalhadores para garantir a distribuição de comida às massas. Adicionalmente, comitês de aprovisionamento poderiam ser instalados em todos os bairros dos pobres e da classe trabalhadora para exercer vigilância revolucionária sobre a distribuição de comida e para empreender a luta contra a estocagem criminosa, a sabotagem, a corrupção, a extorsão etc.
Estes fatos mostram que a economia de mercado está enfraquecendo a Venezuela. Os latifundiários e capitalistas não poderão resolver os problemas básicos da economia. O único caminho para dar um fim à sabotagem e assegurar que o enorme potencial econômico da Venezuela seja usado em benefício de seu povo é a nacionalização da propriedade da oligarquia e a fundação de uma economia socialista planificada dirigida democraticamente pela classe trabalhadora.
Os conselhos de Lukashenko
Como é feliz a Venezuela por ter tantos conselheiros! Ela tem conselheiros aos montes, conselheiros às toneladas, em caminhões e em trens de carga. Se cada conselho valesse um Bolívar, cada cidadão da Venezuela seria um milionário. Parece que Lukashenko, o presidente da Bielo-Rússia, também está aconselhando Chávez.
Mas antes de seguir o conselho de alguém, deveríamos primeiro examinar suas credenciais. Afinal, não aceitaríamos conselhos sobre o mal que o álcool pode nos causar de um alcoólatra crônico ou sobre os delicados pontos de uma cirurgia cerebral, de um açougueiro. Lukashenko, somos informados, “testemunhou o colapso da União Soviética”. Sim, não somente a testemunhou, mas foi parte responsável por isto. A URSS foi destruída por dentro por uma casta parasitária de burocratas que absorviam uma grande parte do valor excedente produzido pelos trabalhadores soviéticos.
Esta casta burocrática na URSS minou as conquistas da economia nacionalizada planificada através do roubo, da má administração e da corrupção. Quer dizer, eles agiram de modo semelhante à burocracia contra-revolucionária na Venezuela que está estrangulando a revolução mesmo antes de seu nascimento. Lukashenko era membro desta casta burocrática privilegiada na velha União Soviética.
Naquele tempo eles usavam chamar-se de “comunistas” e encontravam-se na tribuna no Dia do Trabalho fazendo discursos sobre socialismo. Agora se converteram aos prazeres do capitalismo e da economia de mercado. Tornaram-se homens de negócio e fizeram fortunas. Na Venezuela, o mesmo tipo de burocratas veste camisetas vermelhas e também se encontra nas tribunas falando de socialismo. Eles têm muito em comum com socialistas como Lukashenko.
Quantos conselhos! E afortunadamente todos eles dirigidos no mesmo sentido: “Não seja tolo, Chávez! Não seja tão apressado! Esqueça o socialismo! Não ouça os trabalhadores e camponeses: eles são tolos! Ouça os rapazes que têm o dinheiro! Convença-os a serem bons patriotas e a investirem na Venezuela. Logo, tudo estará bem!”.
Aparentemente, Lukashenko disse a Chávez: “Os empresários, esta burguesia nacional, você tem de conquistar o seu sentimento nacional, o seu amor pela Nação e Pátria, até mesmo porque são empresários e têm dinheiro. Eles devem investir no país!”.
Se as conseqüências não fossem tão sérias isto poderia ser até engraçado. Não sabemos que burguesia nacional existe na Bielo-Rússia. Mas sabemos que a burguesia venezuelana não está investindo na Venezuela. Sabemos que há fuga de capitais. Sabemos que há sabotagem econômica. Sabemos que há especulação que está esvaziando as prateleiras da comida necessária e elevando os preços. Sabemos que as fábricas estão sendo fechadas e que os trabalhadores estão sendo lançados à rua. É isto o que sabemos. E também sabemos por que e quem é responsável por isto.
Que propõe o presidente da Bielo-Rússia? Propõe que peçamos aos capitalistas venezuelanos para se comportar, para que cessem sua sabotagem e que sejam patriotas. Isto é como exigir pêras de um carvalho. Os capitalistas não se impressionam com lições sobre patriotismo. Eles sempre agem de acordo com seus interesses de classe. É de seu interesse apoiar a revolução bolivariana? Nós temos visto qual tem sido a sua atitude nos últimos dez anos. Somente um cego não vê que a burguesia é asperamente hostil à revolução e a tudo que ela representa.
Não é possível reconciliar os interesses do proletariado com os da burguesia. Ou se apóia os interesses da classe trabalhadora, que forma a grande maioria da sociedade, ou se apóia os interesses da minoria de ricos parasitas – os banqueiros, latifundiários e capitalistas. Mas é impossível apoiar os dois. Pela tentativa de conciliar interesses de classe irreconciliáveis, os reformista, no final das contas, inevitavelmente apóiam a classe dominante contra a classe trabalhadora.
A questão do estado
Chávez anunciou uma “profunda reestruturação” de seu governo, incluindo a designação de um novo vice-presidente e a mudança em 13 dos 27 ministérios. Houve muitas dessas mudanças nos últimos dez anos. Ministros são trocados com velocidade vertiginosa, mas isto nada resolve. O que se requer não é o constante rearranjo no topo, mas a implantação de uma política socialista.
O Presidente deseja dar um fim à corrupção, que ele corretamente considera como um dos mais perigosos inimigos da revolução. De fato, ela é. Mas é impossível resolver o problema da burocracia por meios burocráticos. O único meio para liquidar a corrupção e a burocracia é através da implantação geral do controle e administração proletário, da limitação dos salários dos funcionários ao nível do salário de um trabalhador especializado e da revogação de qualquer funcionário, ministro, governador ou prefeito que não realizar a vontade do povo.
Dez anos depois do início da revolução, o velho aparato do estado, herdeiro da Quarta República, permanece intacto. Este é o problema! Toda a história prova que é impossível realizar uma revolução sem liquidar o velho aparato do estado, que permanecerá como uma constante fonte de corrupção, burocracia e opressão. Mas os reformistas não querem ouvir falar disto. Eles dizem que as massas são incompetentes para governar. Mas quem são as pessoas melhor equipadas para administrar a sociedade sob o socialismo: os burocratas e carreiristas ou o próprio povo trabalhador?
Em Inveval, que foi ocupada e está sendo administrada pelos trabalhadores há alguns anos, há controle operário e todos, dos faxineiros ao diretor, recebem o mesmo pagamento. Não faz muito tempo que Chávez disse que este era o modelo a seguir, e assim é. Não queremos repetir a experiência da caricatura burocrática totalitária do “socialismo” que colapsou na URSS. O que se requer é o retorno ao programa democrático posto em evidência por Lênin e Trotsky – o programa da democracia proletária.
Como perder eleições
A revolução sofreu um retrocesso no referendo constitucional. Mas de forma alguma representou uma derrota decisiva. Muitos fatores podem intervir para transformar a situação nos próximos meses. Em 2008, haverá eleições em todo o país para governadores e prefeitos. É claro que a oposição contra-revolucionária, encorajada pelo resultado do referendo, mobilizará todas as suas forças para ganhar posições nessas eleições. A questão é: podem os bolivarianos mobilizar as massas para derrotá-la?
Chávez está enfatizando a necessidade de agir corretamente para não se perder terreno para a contra-revolução:
“Estejam preparados, porque no fim do ano teremos eleições”, disse ele. “A contra-revolução não descansará um segundo para tentar recuperar terreno. Imaginem por um segundo se isto acontecer”, advertiu ele. O presidente instou pela consolidação do novo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Ele anunciou que o congresso fundacional do novo partido será realizado em 12 de janeiro, e que o antigo vice-presidente Jorge Rodríguez será agora o líder do Comitê de Promoção Nacional. Jorge Rodríguez é visto como um esquerdista.
“Peço a todos para ter a energia e a vontade para logo consolidarmos o novo partido de que precisamos”, disse ele. O congresso deve demorar um mês e decidirá sobre o programa político, estrutura e estatutos do novo partido.
A fundação do PSUV é um passo muito importante, mas só terá êxito se se posicionar firmemente pelo socialismo. Chávez mencionou os cinco “motores” da revolução, seu plano de conduzir o país em direção ao chamado socialismo do século XXI, e insistiu que seu governo continuaria avançando como planejado, mas lamentou que muitas mudanças não seriam possíveis devido ao fracasso da reforma constitucional. “Não podemos continuar avançando com elas porque elas dependem da reforma constitucional”, disse ele.
Mas por que a revolução deveria permitir à oposição ditar o que se pode ou não fazer devido a uma estreita maioria em um referendo? Por que se deveria permitir ao rabo balançar o cão? Esta é uma forma segura de desapontar as massas, que já estão desapontadas com o baixo ritmo de mudança. Isto conduzirá a uma disposição apática e a favorecer as abstenções nas eleições. É exatamente isto o que quer a oposição.
Chávez apelou por uma aliança das “forças patrióticas” no próximo período eleitoral para governadores e prefeitos convocado para outubro deste ano, que envolveria o PSUV, Pátria para Todos (PPT) e o Partido Comunista da Venezuela. O PSUV é um partido de massas com milhões de membros e apoiadores que querem lutar pelo socialismo. Por que necessita aliar-se com o PPT, que é um partido muito pequeno e com uma política oportunista? Pode-se argumentar que um mais um é igual a dois, mas dois homens em um bote remando em direções opostas é igual à paralisia.
Os marxistas venezuelanos apoiarão o PSUV e lutarão no congresso por um programa e uma política socialista. Opomo-nos a alianças com partidos e organizações que não lutam consistentemente pelo socialismo. Opomo-nos a alianças e blocos com a burguesia. Advertimos que a política defendida pelos reformistas de conciliação com as forças da reação não levará à reconciliação nacional e à paz. Pelo contrário, as políticas de colaboração de classe desmotivarão e desapontarão os ativistas do movimento bolivariano, que formam a tropa de choque da revolução. Elas encorajarão as forças contra-revolucionárias, que, para cada passo à frente, exigirão dez para trás. Este é o caminho certo para perder as eleições.
E como ganhar as eleições
O presidente também disse: “devemos formar alianças para fortalecer o novo bloco histórico, como Gramsci costumava dizer. Há exatamente um ano atrás ganhamos as eleições com 63% dos votos, mais de sete milhões de eleitores. Ali, temos uma forte base”.
Sim, há um ano atrás mais de sete milhões votaram por Chávez e isto é, certamente, uma muito forte base. Mas a questão deve ser colocada: por que quase três milhões desses eleitores não votaram no referendo constitucional? Dieterich diz: porque Chávez foi muito longe, muito longe, e deve, por isso, ir mais devagar. Mas este argumento é falso até a medula.
A oposição não ganhou o referendo constitucional; foram os bolivarianos que o perderam. Depois de esforços sobre-humanos, a oposição apenas incrementou os seus votos em cerca de 200 mil, enquanto que os chavistas reduziram os seus votos em cerca de três milhões. Isto não prova que há uma virada para o “centro”, mas, pelo contrário, que há uma enorme e crescente polarização entre as classes. Isto também mostra que existem elementos de cansaço e desilusão nas massas que formam a base do movimento bolivariano.
A derrota do referendo constitucional foi uma advertência de que as massas estão se tornando cansadas de uma situação em que a conversa sem fim sobre socialismo e revolução não tem levado a mudanças fundamentais em suas condições de vida. As massas têm sido muito pacientes, mas sua paciência está se exaurindo. A noção de que elas sempre seguirão os líderes – esta falsa e perigosa noção do fatalismo revolucionário – é completamente vazia.
Pelo contrário! É o lento ritmo da revolução que está causando desilusões entre crescentes camadas das massas. Para elas, o problema não é que ela tenha ido longe demais, mas que ela vá de forma lenta e insuficiente. Se esta desilusão das massas continuar, levará à apatia e à desesperança. Isto preparará uma contra-ofensiva das forças da reação que pode minar a revolução e preparar uma séria derrota. Chegou a hora de ir das palavras à ação, de tomar medidas decisivas para desarmar a contra-revolução e expropriar a oligarquia.
Socialismo – o único caminho!
É inevitável a derrota? Não, naturalmente não. A revolução pode ser vitoriosa, mas somente sob a condição de que a ala estalinista-reformista de Dieterich seja politicamente exposta e derrotada. O movimento deve ser purgado de burocratas, carreiristas e elementos burgueses e se apoiar firmemente sobre um programa socialista. Sob estas condições, ela pode vencer; doutra forma, não.
Quando Simon Bolívar levantou a primeira bandeira da revolta contra o poder do Império Espanhol, isto parecia para muita gente ser completamente impossível. Sem dúvida, se Heinz Dieterich estivesse vivo naquele tempo, ele teria vertido o seu desprezo pelo Libertador, como faz agora com os marxistas. Já Bolívar, começando com um pequeno grupo de partidários, eventualmente, triunfou, exatamente como Chávez, cuja causa parecia de início sem esperanças, triunfou porque mobilizou as massas para a luta contra a oligarquia. A batalha ainda não foi concluída e a vitória não está garantida. Ela nunca está garantida. Mas uma coisa está clara: o único caminho ao êxito é despertar as massas para a luta revolucionária.
Ou a maior das vitórias ou a mais terrível das derrotas: são estas as alternativas diante da revolução bolivariana. Os que prometem um curso fácil, o curso do compromisso de classe, estão na realidade desempenhando um papel reacionário, criando falsas esperanças e ilusões e desarmando as massas diante das forças contra-revolucionárias, que não têm nenhumas ilusões e estão se preparando para derrubar Chávez tão logo as condições o permitam. O único caminho para prevenir isto é pela liquidação do poder econômico da oligarquia, pela expropriação dos latifundiários, banqueiros e capitalistas e pela introdução de um plano socialista de produção.
Dieterich e os reformistas argumentam que agir assim seria provocar os imperialistas e reacionários. Isto é um absurdo. Os imperialistas e reacionários têm demonstrado por suas ações que não necessitam de provocação alguma para agir. Eles estão agindo constantemente para destruir a revolução. A noção de que eles cessarão os seus atos contra-revolucionários se nós “mostrarmos moderação” e conciliarmos com os reacionários é uma bobagem muito perigosa. Pelo contrário, tal comportamento servirá apenas para incentivá-los e encorajá-los.
Naturalmente que, isolada, a revolução venezuelana não terá êxito, no final das contas. Mas ela não permaneceria isolada por muito tempo. Uma Venezuela revolucionária deve fazer um apelo a todos os trabalhadores e camponeses da América Latina para seguir o seu exemplo. Dadas as condições que existem por todo o continente, esse apelo não cairia em ouvidos surdos. O exemplo de um estado democrático dos trabalhadores na Venezuela teria impacto ainda maior que o da Rússia em 1917.
Dada a enorme força da classe trabalhadora e o impasse do capitalismo em todos os lugares, os regimes burgueses da América Latina cairiam rapidamente, criando as bases para uma Federação Socialista da América Latina e, finalmente, para o socialismo mundial. Na base de um plano comum de produção e da nacionalização dos bancos e monopólios sob controle e administração operária, seria possível unir realmente as forças produtivas de todo o continente, mobilizando, desta forma, colossais forças produtivas. O desemprego e a pobreza se tornariam coisas do passado.
A jornada de trabalho poderia ser reduzida imediatamente a 30 horas semanais sem redução de salário. Demonstrando a superioridade dos métodos socialistas, isto teria conseqüências imensas em todo o mundo. Mas o que é ainda mais importante, como Lênin explicou, isto daria o tempo necessário a toda a classe trabalhadora para administrar a indústria e o estado. Logo um plano socialista de produção, controlado do topo à base pela classe trabalhadora, conduziria a imensos aumentos na produção, a despeito da redução das horas de trabalho. A ciência e a técnica, liberadas das correntes da exploração privada, desenvolver-se-iam de forma sem precedentes.
A democracia não teria mais o seu presente caráter restrito, mas se expressaria na administração democrática da sociedade por toda a população. Seriam colocadas as bases para um enorme florescimento da arte, da ciência e da cultura, inspirando toda a rica herança cultural de todos os povos de todos os continentes. Isto é o que Engels chamava de salto da humanidade do reino da necessidade ao reino da liberdade.
Este é o verdadeiro socialismo do século XXI: o único caminho à frente para a revolução venezuelana.
Londres, 11 de janeiro de 2008.
Revolução Venezuelana e o "esquerdismo"
Introdução
A Revolução é a prova suprema para qualquer tendência revolucionária que se proponha auxiliar as massas oprimidas na transformação da sociedade. É na arena da Revolução que uma corrente política tem de demonstrar o quão acertadamente absorveu as idéias do socialismo e as lições da História no período preparatório anterior.
A revolução venezuelana está pondo à prova todas as tendências que se consideram socialistas, revolucionárias e até mesmo “trotskistas”. Está deixando claro que tendências e correntes servem à revolução e ao desenvolvimento da consciência política dos trabalhadores, na Venezuela e internacionalmente, e quais são aquelas que constituem um obstáculo ou servem inconscientemente à reação e aos seus propósitos contra-revolucionários, com práticas e posições políticas equivocadas.
O papel dos revolucionários
Um partido revolucionário não caluniará as coisas existentes, exigindo da realidade condições objetivas ideais que lhe permitam desenvolver-se com o mínimo esforço. Nunca existiram condições ideais, nem na Venezuela, nem na Revolução Russa, nem em nenhuma circunstância histórica. Um partido revolucionário tomará a realidade tal qual ela é, analisará as suas contradições internas (as forças opostas no conflito e a sua relação mútua), prevendo o desenvolvimento mais provável dos acontecimentos nessa realidade para assegurar as melhores condições de triunfo para a Revolução.
Um partido revolucionário é, acima de tudo, um grupo de acção. E o partido revolucionário sempre tratará de utilizar as ferramentas que provêem da situação concreta para agitar e mobilizar as massas, fazendo avançar o movimento até ao seu objectivo final. Nisto consistia o famoso “realismo revolucionário” de Lenine que muitos evocam, mas poucos compreendem cabalmente.
Justamente, a tarefa de se situar na realidade tal qual ela é e de aproveitar cada oportunidade presente para enraizar-se no movimento de massas, ganhar a sua confiança, crescer e desenvolver-se junto delas, convertendo-se no porta-voz mais resoluto e conseqüente, constitui a própria tarefa da construção do partido revolucionário. Os sectários queixam-se amargamente da realidade tal qual ela é e exigem da História que lhes dê tudo, sem a necessidade de arregaçar as mangas e meter as mãos no barro. Por isso, é habitual que os sectários sempre apareçam como espectadores duma revolução, atribuindo-se a si mesmos o papel de “grande fiscal” que tudo julga sem que, em nada de significativo, intervenha nesse grande drama humano que constitui um processo revolucionário.
Na Venezuela, a primeira tarefa de um revolucionário é situar-se no campo da Revolução. Estar ao lado das massas, na sua barricada, para lá de quem sejam os seus “líderes acidentais”. No caso venezuelano, o movimento real das massas (não o ideal, aquele que ditam certos “manuais”) é o chamado “Movimento Bolivariano”. Da mesma maneira que o movimento revolucionário na Rússia de 1917 girou em torno dos sovietes dos operários, camponeses e soldados de toda a Rússia. Nele conviviam revolucionários e reformistas, marxistas, social-demcoratas e anarquistas... e até alguns elementos burgueses isolados!
Os bolcheviques nunca duvidaram sobre qual seria o campo revolucionário, embora estivessem em minoria no seu seio. Aceitaram o domínio da ala reformista, enquanto explicavam pacientemente aos sectores mais avançados das massas quais eram as verdadeiras tarefas da Revolução. Quando sentiam que a revolução estava em perigo, por vezes como consequência directa das próprias acções dos líderes reformistas soviéticos, sempre permaneceram ao lado das massas, apelando a esses dirigentes para uma Frente Única que derrotasse os inimigos comuns, mostrando-se como os elementos mais lutadores e abnegados. Foi dessa maneira que os bolcheviques, num período relativamente curto, de apenas alguns meses, puderam conquistar uma maioria sólida no movimento revolucionário e nos sovietes. Isto foi o que decidiu o triunfo da revolução russa em Outubro de 1917.
A nossa posição
Os marxistas por todo o mundo, agrupados na Corrente Marxista Internacional, deram desde o princípio um apoio incondicional à revolução venezuelana e reconheceram no chamado “movimento bolivariano”, a expressão genuína das massas oprimidas da Venezuela. Desde o começo da revolução – faz agora 9 anos -, os marxistas foram capazes de prever, como uma das variantes possíveis, a evolução do movimento bolivariano em direcção ao socialismo – é o que tem ocorrido.
Temos defendido a revolução venezuelana em todos os foros e instâncias da luta de classes e do movimento operário internacional. Impulsionamos, unitariamente com outros camaradas das mais diversas sensibilidades, a Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela”, que está activa em cerca de 40 países pelos 5 continentes e se converteu, por mérito próprio, na principal campanha de solidariedade com a revolução venezuelana existente no mundo.
Temos difundido no movimento operário internacional as impressionantes conquistas da revolução venezuelana, talvez pequenas e de pouco interesse para os pedantes pequeno-burgueses que se disfarçam de temíveis revolucionários, mas que foram e são gigantescos para os trabalhadores, camponeses e para os pobres das cidades e campos da Venezuela.
Na Venezuela, atualmente, toda a população tem acesso gratuito à saúde; o analfabetismo foi erradicado e abriram-se as portas da universidade aos filhos dos trabalhadores e camponeses; os produtos básicos de consumo são subvencionados pelo Estado; multiplicaram-se os fundos para pensões e outros gastos sociais; o controle dos recursos petrolíferos foi alcançado, garantindo-se que 80% da renda petrolífera permaneça no país e seja usada principalmente para o desenvolvimento das infra-estruturas básicas e para programas de desenvolvimento social.
Porém, atrevemo-nos a dizer que estes passos em frente nas condições de vida das massas empalidecem perante uma conquista muito mais preciosa: o despertar da consciência e da dignidade de milhões de homens e mulheres comuns das classes oprimidas. Milhões de homens e mulheres que descobriram que tinham voz própria, que não esgotam a sua existência entre quatro paredes, seja em casa ou no local de trabalho, mas que participam de assembléias incontáveis e nas manifestações diárias, que militam nos seus bairros e empresas, que descobriram a ignomínia do capitalismo e do imperialismo e que se pode lutar contra isso! Milhões de homens e mulheres que exigem uma participação crescente no controle e decisão sobre o destino de suas vidas. Esta é a fonte de onde emana a força revolucionária das massas venezuelanas, das “massas chavistas”.
Os sectários fora do campo revolucionário
Mas os sectários estão descontentes com o presidente Chávez e com o movimento bolivariano pelo lento avanço da Revolução nas suas tarefas socialistas, pela política confusa e vacilante da sua direcção e pela presença na mesma de elementos reformistas. Porém, os sectários não se conformam em mostrar ruidosa e estridentemente a sua reprovação. Vão mais além e negam-se a ver no movimento bolivariano, no movimento real das massas trabalhadoras, o campo da Revolução. Como não aceitam a sua direção actual, desertam do campo de batalha e se declaram “neutros” entre os dois lados em disputa: o do movimento das massas venezuelanas (o movimento bolivariano) e o da contra-revolução burguesa e imperialista. Para os sectários, ambos os campos são, por igual, inimigos do movimento das massas trabalhadoras venezuelanas, ou seja, do movimento de massas “ideal”, que não tem corpo nem vida real, salvo nas suas cabeças.
Leon Trotsky, que entendia alguma coisa de revoluções, disse a este respeito: “O pensamento idealista, ultimatista, “puramente” normativo, deseja construir o mundo à sua própria imagem e simplesmente afasta-se dos fenômenos que não lhes agradam. Os sectários, ou seja, aqueles que são revolucionários somente na sua imaginação, guiam-se por normas idealistas vazias. Dizem: «estes sindicatos não nos agradam, não faremos parte deles; este Estado operário não é do nosso agrado, não o defenderemos». Constantemente prometem recomeçar a História de novo. Construirão um Estado operário ideal, quando Deus ponha nas suas mãos um partido e um sindicato ideais. Mas até que não chegue esse momento feliz, farão birra à realidade. Uma grande birra, que é a expressão suprema do “revolucionarismo” sectário. (León Trotsky: Nem Estado operário, nem Estado burguês? 25 de Novembro 1937).
É um escândalo e uma vergonha que os grupos sectários percam todo o seu tempo a “deitar abaixo” o governo venezuelano e que não dediquem uma só linha dos seus escritos e discursos a mencionar os avanços que a Revolução trouxe. Quase sempre, até se esquecem de combater a burguesia venezuelana! Para eles, Chavez é o alvo a abater!
Mas onde os sectários se “cobriram de glória” foi com a sua posição sobre a Reforma Constitucional na Venezuela. Entre as várias propostas que enfureceram a oligarquia local, o imperialismo e os sectários, destacavam-se:
a) A promulgação da jornada laboral de 6 horas e semanal de 36;
b) O outorgar de plenos direitos sociais (pensões, subsídio de desemprego, saúde, etc.) aos trabalhadores “informais”;
c) A proibição expressa de privatização da segurança social, do regime de pensões, do sistema rodoviário e a afirmação do controle estatal da exploração, distribuição e comercialização dos hidrocarbonetos e minerais;
d) A proibição dos latifúndios e a sua transferência para o Estado e comunidades camponesas;
e) A afirmação expressa da prioridade da propriedade social e estatal sobre a privada;
f) A introdução de mecanismos de poder popular (conselhos comunais, Assembléias, comissões de trabalhadores, estudantes, etc.), nos quais se incorporavam as massas na tarefa de participação e controle social, cerceando as atribuições do Estado burguês;
g) Legalização das milícias populares como parte integrantes das Forças Armadas.
Uma organização revolucionária séria deveria, em primeiro lugar, saudar os avanços da Revolução, pôr-se à disposição do movimento de massas e intervir no processo para levá-lo adiante. Mas, claro, também deveria explicar pacientemente o programa socialista que consiste na nacionalização das alavancas fundamentais da economia (bancos, monopólios, latifúndios) sob controle democrático dos trabalhadores, ao mesmo tempo que deveria advertir sobre o caráter limitado das medidas tomadas se não houver uma ruptura decisiva com o capitalismo, se não se criarem organismos de poder operário e popular nas fábricas, escolas e bairros. Naturalmente, também deveria combater o reformismo e a burocracia no seio do movimento bolivariano.
É verdade que a Reforma Constitucional impulsionada por Chavez não supunha uma ruptura com o capitalismo, mas sim amenizava parcialmente as suas posições nas estruturas económicas e no aparato estatal. Todavia, para lá das limitações que se pudessem assinalar, era indubitável que a Reforma propunha medidas progressistas que facilitariam a mobilização e organização das massas trabalhadoras para aprofundar a revolução em direcção ao socialismo tal como, a título de exemplo, já ocorrera no anterior Referendo Constitucional ou na vitória presidencial de Chávez no ano passado: seria um sinal, um estímulo para a ação.
Todas e cada uma destas medidas constituíam uma arma formidável nas mãos das massas trabalhadoras e dos revolucionários para mobilizar, organizar e aprofundar o processo, exigindo no dia seguinte, a transformação da “letra morta” da Constituição na realidade viva para avançar na melhoria das condições de vida das massas e da sua auto-organização democrática.
Mas o “No” ganhou e quem ganhou com ele, quem fez a festa? A oligarquia, os sectores mais reacionários da sociedade venezuelana e o imperialismo. Com eles, os sectários que defenderam o “No” também soltaram foguetes! Mas por acaso, o movimento revolucionário avançou um passo que fosse nestes últimos dias? Ou a quem moralizou o resultado do referendo, à oligarquia ou às massas revolucionárias? A quem fortaleceu?
Um revolucionário sério não ficaria (não ficaram!) a chorar pelos cantos pelo carácter limitado e incompleto da Reforma Constitucional, mas colocar-se-ia (colocaram-se) junto das massas para exigir a sua aplicação imediata, auxiliando estas a compreender quem no campo da Revolução efectivamente quer o seu avanço e quem, usando “boinas rojas”, actua como a “quinta coluna”, travando e sabotando a Revolução por dentro.
O facto expressivo de que os elementos reformistas no seio do movimento bolivariano tenham vindo a clamar, “alto e em bom som”, pela necessidade de não “avançar tão depressa”, de “sermos mais prudentes”, pois “o povo não está preparado”, etc., etc. fala por si…
Seria um passo em direção à ditadura?
Um dos argumentos favoritos da burguesia era que a Reforma da Constituição seria um passo prévio para a instalação dum Estado “totalitário” e suponha um corte nas “liberdades democráticas”.
Qualquer trabalhador ou jovem consciente conhece perfeitamente a hipocrisia que se escondia nessas palavras. Para os poderosos, tudo o que puser limites à “liberdade” de explorar, negociar e lucrar é um atentado à “liberdade”! São os mesmos que sempre apoiaram as ditaduras sanguinárias na América Latina ou que defenderam a invasão do Iraque, do Afeganistão ou do Haiti! Estes são aqueless que organizaram um golpe de Estado contra Hugo Chávez em Abril de 2002!
Hugo Chávez ganhou 8 consultas eleitorais de todo o tipo (presidenciais, legislativas, consittuintes, referendárias, etc.). Há um ano atrás foi eleito presidente com mais de 63% dos votos! Quem se der o trabalho de ler a Constituição Bolivariana verificará que é a Constituição que mais garantias proporciona ao povo. Esta reforma ampliava esse quadro.
Todavia, o escandaloso não foi que os inimigos dos trabalhadores e dos povos do mundo vociferassem desesperados contra a “falta de democracia” na Venezuela, mas que nisso fossem acompanhados por algumas correntes da “esquerda revolucionária” que repetiram, palavra por palavra, as calúnias contra Chávez.
Ah, sim! De entre os 69 artigos cuja reforma estava a escrutínio, também existia um que previa a possibilidade de QUALQUER presidente eleito poder recandidatar-se sem limites de mandato em eleições livres e democráticas.
Deixando de parte os exemplos da Rainha Elizabeth II que há 50 anos é o chefe do Estado britânico sem eleição alguma, do presidente americano Franklin Roosevel que foi eleito para quatro mandatos ou um Cavaco Silva que em Portugal foi primeiro-ministro durante 10 anos e só não cumpriu de seguida outros 10 como Presidente da República porque… não foi eleito; deixando até de parte o fato de que, quer se goste, quer não, Chávez não tem, neste momento (e não sabemos como será em 2012) substituto à altura do prestígio e autoridade que alcançou no seio das massas… “chavistas”; deixando tudo isto de parte, cabe ainda perguntar há quanto tempo estes grupos sectários, tão preocupados com a rotatividade de funções e com a “liberdade”, são dirigidos pelos mesmíssimos líderes anos e anos a fio? Quando não há décadas!
Pelo seu sectarismo, todos estes grupos, na Venezuela, colocaram-se ombro com ombro com a contra-revolução e é com esta, não com as massas revolucionárias, que hoje discutem a “revolução” – que para eles se resume a derrubar o governo Chávez! Hoje foi assim na Venezuela, assim será amanhã em Portugal! Não esqueçamos o processo revolucionário do pós-25 de Abril, no qual os grupos da “esquerda radical”, pura e dura até o fim, se encontraram, nos momentos decisivos, com a contra-revolução, nos seus comícios e no seu golpe militar (25 de Novembro)!
O chicote da contra-revolução
Lenine costumava dizer que, por vezes, a Revolução necessita do chicote da contra-revolução! Na Venezuela, a Oposição obteve uma “magra vitória”! Conseguiram apenas mais 100.000 votos do que há um ano quando foram esmagados por Chávez. Verdade: conseguiram arregimentar o voto dos “profissionais liberais”, dos pensionistas nostálgicos, das donas de casa, dos estudantes “meninos de bem”, dos lojistas fanatizados, das beatas da igreja, dos sectores mais atrasados do povo venezuelano. Porém, do ponto de vista da luta social, toda esta gente vale pouco mais do que nada.
A Revolução dispõe de enormes reservas sociais: a grande maioria dos trabalhadores, camponeses e jovens está com o processo revolucionário, ainda que, desta vez, 3 milhões de “chavistas” tenham ficado em casa.
Isto constitui um sério aviso à Revolução. É claro que dentro do campo “chavista”, os reformistas e carreiristas, sabotaram activamente a campanha, aterrorizados como estavam e continuam estando com o aprofundamento da Revolução que inevitavelmente os varrerá com os seus privilégios. Baduel, ex-ministro da Defesa “chavista” que agora se encontra do outro lado da barricada foi apenas a ponta do iceberg visível. Que numa concertação espontânea diante de Miralfores (Residência de Chávez), no dia seguinte ao referendo, a base “chavista” tenha tido como palavra de ordem “limpieza general”… é elucidativo!
Todavia, como revolucionários devemos levar ao movimento a explicação maior para a derrota eleitoral do último domingo: enquanto não se expropriar a oligarquia e colocar os recursos do país, sob gestão democrática dos trabalhadores e do povo através dos seus conselhos e comissões de base unificados em nível nacional, não obstante todas as melhorias, nenhuma transformação significativa, radical e duradoura se conseguirá. O resultado do referendo vem colocar em evidência o fato de que a Revolução ainda não se tornou irreversível!
Enquanto os capitalistas e latifundiários mexerem os fios da economia (de uma economia capitalista!), irão usar os seus poder e posições para sabotar a economia. Por exemplo: à tabelação de preços, respondeu a oligarquia com a desorganização, açambarcamento, especulação e mercado negro que dificultam às massas a obtenção dos gêneros primários de que necessitam – como aconteceu ao governo Allende. Os mesmos capitalistas que se recusam a investir, que retiram capitais do país e encerram empresas.
Ao fim de 9 anos de Revolução, um sector do movimento popular demonstrou cansaço e apatia por mais um processo eleitoral (o país tem conhecido, em média, um por ano). Quer menos palavras e mais ação! Os sectários dirão agora: “foi o que sempre dissemos!”
Não! O que sempre disseram foi que o governo Chávez era um governo burguês, incapazes como são de compreender que esse governo só se formou graças à luta popular, que ele é fruto desta e seu tributário! “Mas o chavismo não rompeu com a burguesia”. Mais uma vez são incapazes de compreender que o “chavismo”, enquanto movimento, é bastante heterogêneo: no topo não duvidamos da existência de muitos carreiristas e reformistas incapazes de “romper” com a burguesia, mas na base do movimento temos as massas populares que efectivamente têm feito a Revolução! E quanto mais os revolucionários reforçarem a ala esquerda do “chavismo”, tanto mais depressa as massas “chavistas” romperão com a burguesia e com os reformistas que falam de “socialismo” e tentam cavar a sepultura da Revolução.
No início da Revolução Russa, o movimento operário e popular agregava-se em torno dos "sovietes" nos quais os bolcheviques estavam em profunda minoria. Mas qual foi a posição de Lénine? Virar as costas ao movimento de massas e aos modos e estruturas como este se expressava?
A citação é um pouco extensa, mas vale a pena... Nas suas Teses de Abril, Lénine escrevia sobre as tarefas que os bolcheviques deveriam empreender:
" 4) Reconhecer que, na maior parte dos Sovietes de deputados operários, nosso partido está em minoria e, por agora, numa ampla minoria, diante do bloco de todos os elementos pequeno-burgueses e oportunistas - submetidos à influência da burguesia, e que levam esta influência ao seio do proletariado. Que compreende desde os Socialistas Populistas e os Socialistas Revolucionários até o Comitê de Organização (Cheidze, Tsereteli, etc) Steklov, etc, etc.
“Explicar às massas que os Sovietes de deputados operários são a única forma possível de governo revolucionário e que, por isso, enquanto este governo se submete a influência da burguesia, nossa missão só pode ser a de explicar os erros de sua tática de uma forma paciente, sistemática, persistente e adaptada especialmente as necessidades práticas das massas.
“Enquanto estivermos em minoria, desenvolveremos um trabalho de crítica e esclarecimento dos erros, propagando ao mesmo tempo, a necessidade que todo o poder do Estado passe aos Sovietes de deputados operários. Fazendo assim com que, a partir de sua experiência, as massa corrijam seus erros."
Na Venezuela, o movimento operário e popular não se congregou em torno de "sóvietes", mas em torno do "bolivarianismo" com os seus círculos, comités, "batallones", conselhos comunais e, mais recentemente, em torno do PSUV... Apesar das revoluções terem "leis universais", também possuem, cada uma delas, características e traços próprios. Todavia, se substituirmos "sovietes" por "bolivarianismo", teremos a "receita" leninista para actuar junto do movimento de massas, pois da mesma forma que os "soviétes" emergiram como fruto da revolução, o mesmo ocorreu com o " movimento bolivariano"...
Todavia, pelos seus erros de análise, pela sua cegueira “ideológica”, estes grupos “esquerdistas” que sempre se recusaram a fazer parte do movimento popular tal qual ele existe, falam agora não para as massas “chavistas” – aquelas que têm feito a Revolução – mas para a extrema-direita, para a reação e para a oligarquia com quem estiveram nas desordens provocadas pelos estudantes “meninos de bem”; com quem estiveram no Referendo e seguramente estarão noutras batalhas contra o “perigo chavista” – porque para os sectários, Chavez é o perigo!
Mas deixemos “os mortos enterrar os seus mortos”! Se este referendo teve um mérito foi o de colocar de sobreaviso as massas revolucionárias. Provavelmente, irá radicalizar a base “chavista”: agora os activistas do movimento ganharam plena consciência da necessidade de depurar das suas fileiras os oportunistas e aqueles que fazem “carreira”; agora os activistas do movimento ganharam uma consciência mais aguda da necessidade de construir o seu partido – o PSUV – e de serem eles os condutores do processo nas fábricas, nas escolas, nas empresas, bairros e campos.
Não transformamos a derrota no Referendo numa vitória, mas continuamos confiantes na capacidade do povo venezuelano em aprender esta dura lição e em transformar a sociedade! A revolução continua!
Nenhum compromisso com a Oposição! Nenhum passo atrás!
Afastamento dos oportunistas e carreiristas do movimento bolivariano!
Expropriação da oligarquia!
Avante pelo socialismo!
Como foi a atividade da Grande São Paulo
Também se discutiu a falta de empenho de autoridades e burocratas em fazer a campanha pelo Sim e o principal, o porquê de tantas abstenções. Por fim, apareceram também outros elementos de balanço. Pedro Santinho, do Conselho de Fábrica da Flaskô e José Carlos Miranda, ex-candidato a presidente do PT e coordenador do Movimento Negro Socialista também intervieram nesse sentido.
O companheiro Tiago, assessor do Deputado Estadual Raul Marcelo (PSOL), lembrou que “na Venezuela é guerra, da mídia, do governo dos EUA, da oligarquia e temos que estar juntos para explicar, que dentro de um processo complexo, há uma alternativa socialista para a América Latina e é impressionante que inclusive companheiros da esquerda não se deram conta disso”.Já Izaías Almada, escritor, autor do livro “Venezuela: Povo e Forças Armadas”, integrou-se na Campanha TMV, presenteando-a com um exemplar de seu livro e afirmou que “quando a gente não vê materialidade, passamos a duvidar até do que acreditamos e isso é um perigo para a revolução”, referindo-se a alto nível de abstenções devido à distância entre as condições de vida do povo e as expectativas de transformações sociais alimentadas durante 9 anos de luta. Tratando das Forças Armadas, disse: “Baduel está mostrando de que lado está.
Afinal, ele não participou do golpe de 2002 e não ficou preso como Chávez e seus companheiros. Além disso, ele tem aparecido várias vezes na mídia para comentar que o Não ganhou, mas se Chávez continuar insistindo em fazer as reformas, será um golpe. Não um golpe de Chávez, mas um golpe de direita, nós sabemos, e é muito perigoso mesmo o processo que o imperialismo prepara na Venezuela, Bolívia, Equador... Mas, essa derrota possibilita também uma reorganização mais avançada do que existe e prepara novas estratégias de enfrentamento com a oligarquia da Venezuela”.Como passar à ofensiva?
José Antonio Hernandez
A vitória do “No” foi uma “vitória” parcial da burguesia, mas não significa o fim da revolução. Apesar dos resultados eleitorais, a correlação de forças continua sendo bastante favorável ao movimento revolucionário.
Isto demonstra-se pelo eloquente facto da oligarquia utilizar um sector reformista do movimento bolivariano para propor a “reconciliação” – vejam-se as últimas declarações de Baduel, por exemplo. Toda a pressão da burguesia se fará nesse sentido e com ela estará a ala direita do bolivarianismo. Não há outro modo, por enquanto! Por enquanto, a oligarquia sabe que não tem força para derrubar o governo; por enquanto, a oligarquia sabe que uma tentativa de golpe de estado seria derrotada pelas massas; por enquanto…
A polarização à esquerda e à direita continuará a acentuar-se, sobretudo dentro do movimento bolivariano. À direita, pressionam Chavez para a “reconciliação nacional”, mas este dá indicações de que não quererá ceder – afirmou já que “com o passado não há possibilidade de diálogo”. Quanto à burguesia, claro! Intensificará a sua sabotagem económica – veja-se a descoberta de toneladas de leite em pó açambarcadas, enquanto escasseia nos mercados populares… A burguesia usa o seu poder económico para semear a apatia, o cansaço e a descrença entre o povo. Não por acaso, no último referendo, 3 milhões de chavistas ficaram em casa…
Todavia, nenhuma revolução na história se decidiu por “Referendo”. De resto, é possível voltar a mobilizar esses sectores do movimento revolucionário que, desta vez, não foram a votos. A ala direita do movimento bolivariano considera que essa abstenção é resultado dum avanço demasiado rápido da Revolução, que é necessário fazer “marcha-atrás”, etc., etc.
Todavia, à esquerda, as massas estão passando por outra fase da escola da luta de classes. Agora vêem as coisas de modo mais claro. A ideia da “boliburguesia” é agora melhor entendida. Há uma radicalização entre as bases chavistas. – que culpam os burocratas e arrivistas infiltrados no movimento de massas de terem contribuído para a derrota através da sua incompetência, cobardia, quando não consciente sabotagem.
Por outro lado, a ideia do controlo operário e ocupações de fábricas estende-se cada vez mais entre camadas de trabalhadores. Essa vanguarda deve ser dotada dum programa genuinamente revolucionário e socialista. Daí ser necessário construir uma corrente marxista que agrupe os verdadeiros activistas e revolucionários dentro do PSUV e do movimento bolivarianos, para que se cumpram as tarefas que faltam na Revolução.
O movimento operário, o movimento da classe trabalhadora, é um elemento chave da equação. Enquanto a classe não se colocar à frente da Revolução, esta continuará a ter os seus problemas - a Revolução não pode ser obra dum único homem.
Infelizmente, o papel dos principais dirigentes sindicais da UNT tem sido o de dividir os trabalhadores incapacitando-os para a acção. É necessário desenvolver um programa e plano de luta. Por exemplo, se a UNT tivesse gizado e posto em marcha a ocupação pelos trabalhadores da Polar (há força para fazer isto e muito mais) e pô-la a produzir sob seu controlo, bem como ao conjunto da agro industria, criando conselhos de trabalhadores, seria possível garantir a distribuição de géneros, terminando assim com a escassez “produzida” pela sabotagem capitalista. Ter-se-ia já dado um enorme exemplo de como se constrói o socialismo…
O eixo da luta operária deve ser a toma e ocupação de fábricas (e de terras com os camponeses), criando, desde baixo, conselhos Operários e uni-los com os Conselhos Comunais e Estudantis. A UNT deve convocar uma Assembleia Nacional para dicutir um tal plano e programa.
É sobre esta base, sobre a base da acção e da luta que será possível unificar a classe trabalhadora em torno do programa de transição para o socialismo. A ideia de que é possível, por si, unir e mobilizar a classe trabalhadora exclusiva ou principalmente através de processos eleitorais, é uma ilusão e ilusões pagam-se caro! É através da luta que se forja a consciência e unidade da classe.
Pelas consignas:
¡Toma y ocupación de fábricas y tierras!
¡Control obrero de la producción!
¡Limpieza general, fuera la burocracia!
¡Pasemos la escoba!
¡Viva la Revolución Socialista!
Patria , Socialismo o Muerte, Venceremos!!!!!!
ATIVIDADE DA CAMPANHA EM SP
Nós havíamos convocado um ato de rua em solidariedade ao povo venezuelano e em defesa do voto SIM à Reforma Constitucional proposta pelo Governo Chávez. Mas no referendo do dia 02/12, o voto NÃO venceu por 50,7% contra 49,3%. Uma diferença de apenas 125 mil votos em quase 9 milhões de eleitores. O povo venezuelano perdeu uma batalha, mas a luta de classes continua e, na Venezuela, apesar desta derrota, continua favorável ao povo trabalhador.
A revolução em curso na Venezuela não será televisionada. A grande mídia busca fazer de tudo para ocultar, esconder do povo brasileiro a revolução venezuelana. Distorcem fatos e manipulam imagens para tentar nos convencer de que há um ditador na Venezuela, que o Governo de Chávez é antidemocrático e chegam até a sugerir que o Brasil se prepare para uma guerra contra a Venezuela! Nada mais falso e cretino! Não podemos nos deixar levar pelo que diz a Globo, revista VEJA, O Estado de SP, e etc. Está certo Lula quando responde que a democracia que hoje existe na Venezuela deve ser respeitada – enquanto figuras “muito democráticas” como Sarney e Maluf bradam contra a “ditadura de Chávez”!
Na Venezuela o povo oprimido por séculos cansou dos velhos governantes de sempre. O povo cansou de trabalhar para aumentar a riqueza dos ricos venezuelanos e dos Estados Unidos, enquanto que tinha cada vez menos comida para seus filhos. E Chávez, eleito pelo povo por duas vezes consecutivas, governa servindo aos interesses do povo! Revertendo o dinheiro da venda do petróleo para aumentar o salário dos professores em 40% e dos profissionais da saúde em 60%. Investe na educação, saúde, habitação, saneamento, cultura! E, ao contrário do que mostra a Rede Globo, Revista Veja e etc., a população sai às ruas aos milhões em apoio às medidas de Chávez. A Reforma Constitucional, que não passou no referendo, entre outras coisas, reduziria a jornada de trabalho de todos para 6 horas diárias; proibiria a existência de latifúndio e distribuiria a terra ao povo. Chávez reconheceu a derrota e disse que por enquanto não conseguimos, mas a luta pelo socialismo continua!
Mas por que não houve a vitória no referendo? Não foi porque a direita aumentou sua força não. A direita teve o mesmo número de votos que teve em outras eleições quando foi derrotada pelo povo em luta. Mas desta vez a esquerda é que não foi votar. Uma abstenção de 44% praticamente igualou as forças eleitorais da esquerda com a direita. Entretanto, a luta segue e a palavra final não será das urnas. A revolução será decidida nas ruas, escolas, fábricas, etc. Se o referendo ganhasse sabíamos que a reação do imperialismo americano aliado aos grandes capitalistas e latifundiários da Venezuela seria violenta e imediatamente teríamos que organizar uma forte resposta solidária aos trabalhadores da Venezuela. Mas agora não é o caso e, portanto, propomos mudar o caráter de nosso encontro. Vamos nos reunir pra discutir os próximos passos.
Junte-se à campanha em solidariedade à revolução venezuelana TIREM AS MÃOS DA VENEZUELA!
Vamos nos reunir para compartilhar pontos de vista sobre a revolução e o que fazer!
Dia 8 de Dezembro (Sábado) às 11h
Sala de formação da Editora Luta de Classes
Av. Santa Marina, 440 – Sala 4 – Água Branca – São Paulo – SP
(ao lado da estação Água Branca da CPTM, apenas uma estação depois do Metrô Barra Funda – integração gratuita)
Será exibido o filme “No Volverán!”
produzido pela campanha internacional “Manos fuera de Venezuela”
Comitê Nacional da Campanha “Tirem as Mãos da Venezuela”
Contato em São Paulo: (11)9843-4623 - (11)6601-3012 – (11)3615-2129 - Caio
Derrota no Referendo da Venezuela. Que significa?
Cerca da 1 da manhã, após uma longa espera, o Conselho Eleitoral Venezuelano anunciou os resultados. Por escassa margem, o Não ganhou. Logo depois, o presidente Chavez aceitou os resultados. Afirmou que a Reforma proposta não fora aceite "agora", mas que continuaria a lutar pelo socialismo.
O resultado, tal como seria de esperar, foi saudado com júbilo pela oposição de direita e todas as forças reaccionárias. Pela primeira vez numa década, conseguiram ganhar. O regozijo entre a alta classe média de Caracas era patente: "Por fim mostrámos que Chavez podia ser derrotado, por fim a deriva para o comunismo foi travada, por fim demos uma lição aos radicais".
A alegria dos reaccionários é simultaneamente prematura e exagerada. Num simples relance é possível verificar que a força eleitoral da oposição mal cresceu. Se comparamos estes resultados (com 86% dos votos escrutinados) com os resultados das eleições presidenciais de 2006, a oposição teve cerca de mais 100.000 votos, mas Chavez perdeu 2.8 milhões. Estes votos não se transferiram para a oposição, mas para a abstenção. Isto significa que o apoio da contra-revolução não aumentou significativamente em relação ao seu máximo obtido há cerca de um ano atrás.
Como a imprensa burguesa informa a opinião pública
Todo um conjunto de factores contribuiu para este resultado. A burguesia tem nas suas mãos poderosos instrumentos para moldar a opinião pública. Organizaram uma total mobilização dos Média reaccionários numa histérica campanha de mentiras e difamações contra Chavez, a Revolução e o socialismo. Esta campanha do medo teve, indubitavelmente, um efeito sobre os sectores politicamente mais atrasados da população.
A pressão foi constante. A Igreja Católica, liderada pela reaccionária Conferência Episcopal pregou desde os púlpitos contra Chavez e o "comunismo ateu". Permanentemente pagaram duas páginas de publicidade no Ultimas Noticias, um dos jornais mais lidos no país, clamando que o Estado iria retirar as crianças aos seus pais para ficarem sobre custódia do Estado e que a liberdade religiosa seria abolida!!!
Em Carabobo, o jornal regional Notitarde publicou uma primeira página afirmando "hoje tomarás uma decisão e será para toda a vida"... Por baixo uma fotografia dum talho vazio com uma bandeira cubana e um retrato de Fidel com a legenda: "isto é como o socialismo em cuba funciona hoje".Tudo isto, ao menos, expõe a hipocrisia dos Média internacionais segundo os quais "não existe liberdade de imprensa na Venezuela". Esta ruidosa campanha atingiu um crescendo há uns meses atrás quando o governo decidiu não renovar a licença de transmissão à RCTV, um canal televisivo da extrema-direita que mais não era do um ninho de conspiradores que desempenharam um papel chave no golpe de 2002.
O problema não foi a Revolução não ter limitado os direitos democráticos da oposição e ter amordaçado a "livre imprensa". O problema é que a Revolução tem sido demasiado generosa com os seus opositores, demasiado tolerante, demasiado paciente, demasiado "cavalheiresca". Deixou demasiado poder nas mãos da oligarquia e dos seus agentes. Deixou uma arma nas suas mãos que ela tem usado muito eficazmente para sabotar a revolução e, em última instância (se deixarmos) destruí-la!
Abstenções
Tudo isto é verdadeiro, mas não responde à questão. Porque ganhou o "não". O principal elemento da equação foi a abstenção: um grande número de “chavistas” não se deu ao trabalho de votar [votaram menos eleitores no "Sí" do que militantes do novo partido lançado por Chavez (PSUV) - nota do tradutor]. A questão tem de ser respondida: "porque não votaram?" Os burocratas e a classe média cinicamente culpam as massas da sua alegada apatia. Isto é completamente falso. As massas constantemente votaram por Chavez em todas as eleições e referendos. Votaram massivamente no último Dezembro. Mas agora mostram sinais de cansaço. Porquê?Após toda a conversa sobre socialismo, a oligarquia continua firmemente entrincheirada e usa o seu poder, dinheiro e influência para sabotar e minar a Revolução. Os golpistas de 2002 ainda estão em liberdade. Os Média da extrema-direita continuam a difundir as suas mentiras. Camponeses activistas são assassinados e ninguém faz nada sobre isto.
Apesar das reformas do governo, que indubitavelmente auxiliaram os pobres e desprotegidos, a maioria da população continua a viver na pobreza ou com grandes dificuldades. A sabotagem dos capitalistas e latifundiários tem provocado a escassez de produtos básicos. Tudo isto tem um efeito sobre a moral das massas.A esmagadora maioria das massas continua a apoiar Chavez e a Revolução, mas há claros sintomas de cansaço. Após 9 anos de agitação, as massas estão cansadas de discursos, paradas e manifestações, também de incontáveis eleições e referendos.
Querem menos palavras e mais acção: acção contra os latifundiários e capitalistas, acção contra os governadores e funcionários corruptos.Acima de tudo querem acção contra a quinta coluna da ala direita chavista, que enverga camisas vermelhas e fala de "socialismo do séc. XXI", mas que se opõem ao socialismo - de facto - e que estão a sabotar a revolução por dentro. A não ser que o PSUV e o movimento bolivariano seja "purgado" destes elementos, destes burocratas reformistas e carreiristas, nada será conseguido.
A Quinta Coluna
Os burocratas mais uma vez mostraram a sua total inabilidade em organizar uma séria campanha de massas. Falharam em responder às mentiras da oposição. Falharam na explicação dos muitos pontos do Referendo Constitucional que beneficiariam a classe trabalhadora, tal como as 36 horas semanais. Mas como poderiam fazê-lo, se eles mesmo se opõem a tais políticas socialistas? Esta"quinta coluna" é bem conhecida da base militante do movimento - e também dos seus inimigos.
A Time Magazine escarnecia:"Mesmo certos aliados de Chavez querem por travões na derrapagem radical do presidente. Muitas das propostas, argumentam, dizem menos respeito ao fortalecimento do poder popular, do que em concentrar poder nas mãos de Chavez. Entre as propostas: eliminar os mandatos presidenciais; pôr o Banco Central sob controlo presidencial; e a criação de vice-presidentes regionais.
Líderes provinciais como Ramón Martínez, socialista e governador do Estado de Sucre, considera esta ideia uma ignóbil centralização da autoridade federal ao mesmo tempo que uma traição da Revolução Bolivariana de Chavez. «Esta revolução era suposta criar mais pluralismo na Venezuela, não criar um mega-estado como na antiga URSS» - afirmou Martinez"
Quem quer que seja que ler estas linhas percebe que não houve uma campanha séria. Martinez não é um socialista, mas um líder de PODEMOS, esses renegados que partiram o movimento bolivariano na véspera da campanha eleitoral de modo a agitar uma violenta campanha pelo voto "não". Esta conduta não deveria surpreender ninguém. Mas não foi um caso isolado.
Em Apure, o governado não fez nada para organizar uma campanha e muitos outros comportaram-se de igual modo. Os burocratas meramente repetiram a mesma campanha desastrosa que organizaram há um ano aquando das eleições presidenciais.Um camarada de Mérida descreveu-a nestes termos: "Foi uma campanha estúpida, na qual os cartazes afirmavam que votar em Chavez era votar no amor, enquanto que a campanha da direita era histérica e caluniosa. A posição berrava que tudo seria tirado ao povo, que se tivessem duas casas, uma ser-lhes-ia retirada, se tivesse dois carros, um seria levado, que os recém-nascidos seriam levados para serem propriedade do Estado socialista"...
Após o resultado ter sido anunciado, houve uma enxurrada de telefonemas para a Rádio Nacional de Venezuela e outras estações, nas quais muitos culpavam a burocracia "chavista2 de não se ter esforçado o suficiente pelo "Sí". Muitos queixavam-se dos governadores e alcaides "chavistas" que não tinham organizado nenhuma campanha e que, pelo contrário, tinham activamente sabotado o movimento.
Estes burocratas temiam tanto as reformas como a oposição. Correctamente perceberam que as massas veriam este referendo como um acertar de contas, não apenas com a velha oligarquia, mas também contra os reformistas e elementos da nova burocracia dentro do movimento bolivariano.
As tácticas de BaduelAs declarações da oposição após o anúncio dos resultados foram altamente significativas. O primeiro "comentador" foi o líder do movimento reaccionário dos estudantes "bem", o terceiro foi Rosales, o candidato da oposição que perdeu pesadamente para Chavez no último Dezembro. Mas o segundo "comentador" da oposição, foi não outro senão o General na reforma e ex-ministro da defesa Baduel, sobre o qual tanto se tem escrito...Que é que Baduel disse? Falou da reconciliação nacional e ofereceu-se para negociar com Chavez. Renunciou a todas as intenções de organizar um golpe. Em resumo, ofereceu uma cara sorridente e uma mão amiga...
Esta é claramente uma táctica "esperta" e confirma a suspeita de que Baduel é um contra-revolucionário inteligente. Esta nova táctica da contra-revolução também reflecte a verdadeira correlação de forças que, apesar do resultado no referendo, continua a ser muito desfavorável à direita.
A Revolução não deve depositar nenhuma confiança na "mão amiga" da contra-revolução. Lembrem-se das palavras de Shakespeare: "existem punhais nos sorrisos dos homens"! A oferta de reconciliação é uma armadilha. Não pode haver reconciliação entre revolução e contra-revolução, porque não pode haver reconciliação entre ricos e pobres, entre exploradores e explorados.A única razão para esta mudança táctica é que a oposição não pode derrotar Chavez por "acção directa". Encontram-se demasiado fracos e sabem-no. Os mais estúpidos elementos da contra-revolução embriagam-se no sucesso obtido. Mas após uma bebedeira de euforia virá uma manhã de ressaca. A "vitória" foi obtida pela margem mínima: apenas conseguiram captar mais 100.000 votos e, principalmente, esta luta não se ganha apenas nas urnas.
O gordo burguês, a sua mulher e filhos, o pequeno lojista histérico, os estudantes ricos e mimados, nostálgicos pensionistas da IV República, os especuladores, ladrões, as velhas beatas manipuladas pela hierarquia reaccionária da Igreja, os "respeitáveis cidadãos da classe média" cansados da "anarquia": todos estes elementos parecem uma enorme massa eleitoral, mas na luta de classes, o seu peso é, praticamente, igual a zero.
A correlação de forçasA verdadeira correlação de forças foi mostrada pelos comícios em Caracas no final da Campanha. Tal como em Dezembro de 2006, a oposição revolveu os céus e a terra para mobilizar uma massa que se parecesse com uma larga assembleia. Todavia, no dia seguinte, as ruas da capital foram invadidas por um mar vermelho. Os dois comícios mostraram que a base activista dos "chavistas" é 5 ou 8 vezes maior do que a da oposição.A imagem ainda é mais clara no que diz respeito à presença da juventude! Os estudantes da extrema-direita são a tropa de assalto da extrema-direita. Têm sido a principal força a organizar confrontos violentos. Eles conseguiram juntar, na melhor das expectativas, cerca de 50.000 "meninos bem". Mas os estudantes chavistas reuniram, depois, 200.000 ou 300.000 no seu desfile. Nesta área decisiva da luta - a juventude - as forças activas da revolução em muito ultrapassam as forças da contra-revolução.
Do lado da Revolução está a esmagadora maioria dos trabalhadores e camponeses. Esta é a questão decisiva! Nem uma única luz brilha, nem uma única roda gira, nem um único telefone toca sem a permissão da classe trabalhadora. Esta é uma força colossal assim que for organizada e mobilizada para a transformação socialista da sociedade.
E o Exército? E o Exército? Reformistas como Heinz Dieterich estão sempre a invocar este tema como um disco riscado. Sim, o exército é a questão decisiva. Mas o exército sempre reflecte as tendências dentro da sociedade. O Exército Venezuelano viveu uma década de tormenta revolucionária. Isto deixou a sua marca!Não pode haver dúvidas que a esmagadora maioria dos soldados comuns, filhos dos trabalhadores e dos camponeses, são leais a Chavez e à Revolução. O mesmo será verdade para os sargentos e os mais baixos escalões do oficialato. Mas quanto mais subimos na hierarquia, menos clara a situação se torna. Nas últimas semanas surgiram rumores de conspirações e alguns oficiais foram presos. Isto é um sério aviso!
Entre os oficiais muitos serão fiéis a Chavez, outros serão simpatizantes da oposição ou secretamente contra-revolucionários... Mais provavelmente serão oficiais de carreira "apolíticos", cujas simpatias tombarão para um ou outro lado, dependendo do clima geral da sociedade.O facto de que o general Baduel tenha decidido adoptar um prudente e conciliatório tom, mostra que não existe uma séria base para um golpe de Estado agora. Os contra-revolucionários mais inteligentes (incluindo os agentes da CIA) compreendem que ainda não estão reunidas as condições para um novo golpe como em 2002. Porquê? Porque qualquer tentativa de lançar um golpe nesta fase traria as massas para a rua, preparadas para lutar e, se necessário fosse, para defender a Revolução!
Nestas circunstâncias, o Exército Venezuelano seria uma ferramenta muito pouco fiável para orquestrar um golpe de Estado. Conduziria a uma guerra civil e os reaccionários não estão confiantes de a poderem ganhar. E quem pode duvidar que a derrota de tal intento significaria a imediata liquidação do capitalismo no país?
Por estas considerações muito práticas, Baduel está a assumir a posição que assume. Na realidade está a jogar por tempo, esperando que as condições objectivas sejam favoráveis à contra-revolução. Temos de admitir que estes cálculos são certeiros. O tempo não joga a favor da Revolução!
O pernicioso papel das seitas sectárias
Baduel está agora a argumentar pela convocação duma Assembleia Constituinte. Esta é precisamente a palavra de ordem que muitas seitas esquerdistas estão a levantar! Os ultra-esquerdistas encontraram-se a fazer a campanha na companhia da contra-revolução e isto não deverá constituir nenhuma surpresa.
O papel de Orlando Chirinos e outros pseudo-trotskistas que apelaram ao povo para não votar ou mesmo votar contra foi absolutamente pernicioso. Estes senhores e senhoras estão tão cegos pelo seu ódio sectário a Chavez que já não conseguem diferenciar entre revolução e contra-revolução. Isto elimina-os completamente do campo progressista - quanto mais revolucionário! Mas deixemos os mortos enterrar os seus mortos"!
Os contra-revolucionários e imperialistas compreendem muito melhor a situação do que os palhaços sectários e esquerdistas. As massas foram despertas para a vida política com Chavez e são-lhe ferozmente fiéis. A burguesia tentou tudo para remover Chavez e falhou. Cada tentativa esbarrou no movimento de massas.Resolveram então dotar de paciência e jogar o "jogo da espera". Chavez foi eleito por seis anos e ainda tem cinco à sua frente. O primeiro passo da burguesia foi certificar-se de que ele não se poderia candidatar depois disso. Essa era importância do referendo do seu ponto de vista. Calculam que, se forem capazes de se verem livres de Chavez, o movimento se fragmentará em mil pedaços e assim poderão recuperar o poder.
A oposição é cautelosa porque está ciente da sua fraqueza. Sabe que não tem a força suficiente para passar à ofensiva. Mas na base da "reconciliação nacional" está a tentar com que Chavez "acalme" os ânimos" e o seu programa. Se conseguirem irão desmoralizar a base social de apoio do "chavismo", enquanto que os burocratas e reformistas se sentirão fortalecidos.
É uma táctica inteligente, mas existe um problema: apesar do resultado do referendo, eles estão condenados a suportar Chavez até 2012/13 e nenhuma outra eleição importante se levanta no horizonte.Numa situação como a venezuelana, muita coisa pode acontecer em 5 anos. Essa é a razão porque eles querem convocar uma "Assembleia Constituinte". Se conseguirem ganhar outro referendo, irão tratar de mudar a Constituição, de modo a permitir eleições antecipadas que espera ganhar - provavelmente com Baduel a candidato.
Porque estão tão confiantes de que podem ganhar? Porque a Revolução não foi levada até às últimas consequências: porque importantes sectores económicos continuam nas suas mãos e porque existe um limite tolerável pelas massas até que elas caiam na apatia e desespero.
Medidas necessárias precisam-se
Há alguns anos atrás (Maio de 2004) escrevi:"Basearmo-nos exclusivamente na vontade das massas para fazer sacrifícios é um erro. As massas podem sacrificar o dia de hoje, pelo amanhã apenas até certo ponto. Isto tem de estar sempre presente. Em última instância, a economia é decisiva".
Estas observações conservam toda a sua força. Num artigo datado de 27 de Novembro de 2007, Erik Demeester citou estatísticas dum recente relatório do Serviço Estatístico Venezuelano que revelava o que muita gente já sabia: a escassez de produtos de primeira necessidade está tornar-se incomportável. O estudo estabeleceu que o leite, a carne e o açúcar se tornaram muito difíceis de encontrar. Outros produtos como frangos, óleo de cozinha, queijo, sardinhas e feijão preto são também raros. Os analistas que compilaram o relatório entrevistaram 800 pessoas em cerca de 60 lojas e supermercados diferentes, tanto do sector público como do sector privado.
73% dos locais visitados não tinham leite em pó para a venda. 51% Já não tinham açúcar refinado, 40% não possuíam óleo de cozinha e 26% não tinham feijão preto - um alimento muito comum na dieta venezuelana.Dois terços dos consumidores sentiram a escassez de produtos, duma maneira ou outra, nas lojas que costumavam frequentar. Bichas de horas (às vezes até 4 horas) para se poder comprar leite não são mais uma excepção... Como o camarada Demeester assinalou, isto faz lembrar o Chile no qual a sabotagem económica foi usada contra o governo da Unidade Popular de Allende nos anos 70.
Para as massas, a questão do socialismo e da revolução não é abstracta, mas muito concreta. Os trabalhadores e camponeses da Venezuela têm sido extraordinariamente fiéis à Revolução. Têm demonstrado um elevado grau de maturidade revolucionária, vontade de lutar e capacidade de sacrifícios. Mas se a situação se arrasta demasiado tempo sem uma ruptura decisiva, as massas começarão a cansar-se. A começar pelos sectores mais recuados e inertes, um ambiente de apatia e de cepticismo começará a instalar-se!Se não houver um objectivo claro à vista, começarão a dizer: "já ouvimos todos estes discursos, mas nada de fundamental mudou. Qual é o sentido de votar se tanto coisa ficou por mudar? Para quê lutar?" Este é o maior perigo da Revolução. Quando só reaccionários pressentem que a maré revolucionária está a esvaziar, passarão de imediato à contra-ofensiva. Os elementos mais avançados da classe encontrar-se-ão isolados. As massas deixarão de responder aos apelos. Quando o momento chegar... a contra-revolução atacará!Aqueles que argumentam que a Revolução foi longe demais, que é necessário parar com as expropriações e chegar a um compromisso com Baduel para salvar a Revolução estão COMPLETAMENTE enganados. A razão porque um sector das massas começa a ficar desiludido não é porque a revolução tenha ido já longe demais, mas porque está sendo demasiado lenta e não foi suficientemente longe!
A crescente escassez de produtos básicos e a inflação afecta, sobretudo, a classe trabalhadora e os pobres que são a base do "chavismo". É isto que está a minar a confiança e a moral das massas e não a revolução "avançar demasiado depressa". Se aceitarmos os conselhos de reformistas como Heinz Dieterich, seguramente destruiremos a Revolução. Estaríamos a actuar como um homem equilibrado num ramo e fazendo piruetas no mesmo.
Eleições e Luta de Classes
Os Marxistas não se recusam a ir às eleições - essa é a posição dos anarquistas, não do marxismo. Por geral, a classe trabalhadora deve utilizar toda e qualquer possibilidade democrática que lhe permitida para reunir forças, conquistar uma posição após outra aos seus inimigos e preparar-se para tomar o poder.
A luta eleitoral tem jogado um papel importante na Venezuela ao unir, organizar e mobilizar as massas. Mas tem os seus limites. A luta de classes não pode ser reduzida a abstracções estatísticas ou aritméticas eleitorais. Nem o destino da revolução é determinado por leis ou Constituições! Revoluções são ganhas ou perdidas não nos escritórios de advogados ou em debates parlamentares, mas nas ruas, nas fábricas, nas cidades e nos bairros pobres, nas escolas e nos quartéis. Os reformistas defendem que os trabalhadores devem respeitar todos os pruridos legais. Mas não há assim tanto tempo, Cícero exclamou: Salus populi suprema est lex ("A vontade do povo é a Lei Suprema". Poderíamos acrescentar: A Revolução é a Lei Suprema.
Os contra-revolucionários não demonstraram nenhum respeito pela Lei ou pela Constituição em 2002 e se tivessem sido bem sucedidos no golpe tê-la-iam mandado para o lixo. E, todavia, agora berram acerca da defesa dessa mesma Constituição!Mesmo depois do referendo, Chavez tem suficientes poderes para expropriar os latifundiários, banqueiros e capitalistas. Tem o controlo da Assembleia Nacional e o apoio dos decisivos sectores da sociedade venezuelana.
Um decreto-presidencial a declarar a expropriação dos latifundiários [em grande parte está por fazer - nota do tradutor], dos banqueiros e dos capitalistas receberia um entusiástico apoio entre as massas.Os níveis de abstenção que entregaram a vitória à oposição são um aviso. As massas estão a exigir acção decisiva, não mais discursos! Pode ser que esta derrota tenha o efeito contrário! Pode levantar as massas a novos níveis de luta revolucionária. Lénine referia que a revolução, por vezes, necessita do chicote da contra-revolução. Temos visto isto antes, nos últimos 9 anos na Venezuela.
Não se pode fazer uma omoleta sem se partirem alguns ovos, nem podemos lutar com um braço amarrado atrás das costas. A Revolução não é uma partida de Xadrez com as suas claras e definidas regras. É uma luta entre antagonistas com irreconciliáveis interesses de classe.
Medidas decisivas são para defender a Revolução e desarmar a contra-revolução!A vitória no referendo do "No" será um choque salutar. A base social de apoio do chavismo está furiosa e culpa a burocracia, a quinta coluna reformista que culpam, acertadamente, pelo revés.
Estão a exigir medidas que contra a ala direita do movimento. Isso é absolutamente necessário!Os nossos slogans devem ser:
Nenhum recuo! Nenhum acordo com a Oposição!
Avante com a Revolução!
Expulsão dos carreiristas e dos burocratas!
Expropriação da oligarquia!
Armamento do povo trabalhador para combater a reacção!
Viva o socialismo!
Revolucionários concentram-se em Miraflores
O Comando Zamora reconhece que o resultado será renhido e apela à paciência de todos - sobretudo dos sectores oposicionistas que, repetidamente, ao longo dos últimos anos têm procurado destabilizar os processos eleitorais.
Por toda a jornada eleitoral, as massas populares ocuparam as ruas de Caracas e outras cidades - o melhor modo de dissuadir qulquer tipo de incidente.
Seja qual for o resultado a apurar, desde já cabe apontar que:
a) ao contrário da "democrática"União Europeia", na Venezuela o povo é chamado a pronunciar-se sobre a sua Constituição
b) a base social de apoio da revolução bolivariana continua forte e mobilizada
c) a percentagem de abstenção provavelmente mais elevada do que em anteriores escrutínios, poderá indicar algum cansaço pelos repetidos resultados eleitorais. A hora é de acção! É necessário aprofundar a revolução, transformando em realidade o socialismo venezuelano.
Seja qual for o resultado, a revolução continua na ordem do dia: uma vitória do "Não" não significará o fim da mesma. Todavia, não podemos ignorar que uma tal vitória seria - objectivamente - uma batalha derrotada do movimento revolucionário. Pelo contrário, a vitória do "Sí" - tal como aconteceu no primeiro referendo contitucional de 1999 ou na eleição presidencial de 2006 - resultará num giro à esquerda da situação política e um impulso poderoso para a acção das massas revolcuionárias, apoiadas por mais esta vitória eleitoral.
E que não haja dúvidas: não apenas nas urnas de voto, mas sobretudo em cada fábrica, conselho comunal ou escola, nas cidades e campos da Venezuela, que se joga o futuro do processo revolucionário.
Para Hugo CHAVEZ Frias
Profeta armado da Revolução:
És a chave com que se abre
O porvir duma nação.
Com a audácia dum Bolivar
Forjada no templo dos heróis,
Há-de o Novo Mundo brilhar
Com esse fogo de mil sóis.
Como Cristo és desprezado
Por fariseus e vendilhões,
Mas nessa terra levantada
Está contigo oh Desejado,
Na seara nova por ti mondada,
A fé desperta de muitos milhões!
F.
Viva a Revolução do Povo Venezuelano!
Nota das Fábricas Ocupadas em apoio a Reforma
.
O caminho apontado apesar das inevitáveis confusões e equívocos políticos, fruto da ausência de um verdadeiro partido revolucionário marxista, vai em direção a um regime de propriedade coletiva e planificada
.
Chávez dá um novo impulso à revolução venezuelana apresentando 33 reformas à Constituição. Os reacionários gritam que uma ditadura se instala, o que só pode provocar o riso de qualquer um que conhece a situação da Venezuela e que conhece o reino de “liberdade e democracia” imposto sob a base da corrupção e das baionetas pelos regimes “democráticos” capitalistas.
"A revolução desmascara seus inimigos"
A REVOLUÇAO DESMASCARA SEUS INIMIGOS

Para a burguesia, tudo pode ser admitido e mudado, menos 3 coisas: sua propriedade privada dos meios de produção, seu Estado e sua tropa de coerção e repressão (o Exército). A reforma veio mexer exatamente nessas 3 coisas
Por Wanderci Silva Bueno, da Venezuela
Gente pouco desatenta não ligou essas declarações com o que viria depois. Muller Rojas, general aposentado e destacado por Chávez para dar inicio à construção do PSUV, sai criticando a profissionalização do exército e defendendo que as tropas deveriam ter o direito de participar da vida política e participar em partidos, se afiliarem ao PSUV. Argumentava ainda que a defesa da nação contra a ameaça imperialista à revolução deveria ser feita pelo povo em armas e pela milícias do povo. Chávez, tentando manter Baduel sob controle, faz uma manobra desesperada e perigosa: sai em público negando o marxismo, o papel da classe operária, e defende o profissionalismo das FAs, aparentemente se alinhando com Baduel. Muller se retira do comando do PSUV, mas não abre mão de sua luta e de suas idéias.
"Eu vi a RCTV. Vibrei pelo seu fim!"

Saudações Socialistas!
CAMPANHA: TIREM AS MÃOS DA VENEZUELA.
Obs: Nosso Blob agradece aos companheiros da Associação Nossa América/Rio e Círculo Bolivariano Abreu e Lima por enviar este artigo.
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Cristian Góes é secretário de Comunicação da CUT Sergipe
04.07.2007 Por: CUT Portal Nacional
Sem dúvida alguma, um dos fatos mais importantes sobre a mídia em 2007 é a não renovação da concessão pública pelo governo venezuelano do presidente Hugo Chávez da emissora Rádio Caracas de Televisão (RCTV). O fechamento desta empresa é um golpe sim, mas não contra a liberdade de imprensa. É um golpe certeiro contra o criminoso oligopólio da mídia na América Latina. Ao contrário do que se prega desesperadamente, o fechamento da RCTV é uma ação em favor da democracia.
Durante oito dias, em 2005, assistir a RCTV. Jamais tinha visto uma emissora de tv chegar ao cúmulo de pedir, sem qualquer cerimônia, a morte do presidente Chávez. Vibrei pelo seu fechamento e compreendo o pavor da rede Globo, da Folha de S. Paulo, da Veja, do Estadão, da\n grande mídia da América Latina e dos demais meios que reproduzem sem criticidade alguma as notícias de cima para baixo, sem saber realmente o que acontece. O pior é que eles formam a opinião de muita gente boa, que engole tudo como se fosse verdade.
Lamentavelmente asseguro que, com o presidente Lula, os oligopólios da mídia no Brasil estão salvos, não correm o menor perigo de cumprir a Constituição. Vão continuar tranqüilamente manipulando, omitindo e mentindo. É isso que se chama de democracia? Infelizmente, no Governo Lula, o oligopólio da mídia jamais terá suas concessões públicas questionadas. Pelo contrário, os grandes veículos estão fortalecidos pelo governo, que além de despejar alguns bilhões nos cofres da grande mídia privada, torna-se ventríloquo dela contra Chávez e, para solidificar as relações espúrias com ela, ainda persegue e criminaliza rádios e tvs comunitárias.
Como no Brasil, as emissoras de rádio e tv na Venezuela são concessões públicas e têm obrigações públicas com o público. O problema é que o público nem sabe e nem vai saber disso por elas. Os donos de emissoras não são donos delas em sua essência. De dez em dez anos, para rádios, e de quinze em quinze, para tvs, as concessões perdem a validade e podem ser ou não renovadas. A questão é, com a atual legislação das Comunicações, fica praticamente impossível questionar essas concessões públicas de rádio e tv. Assim, essas concessionárias do serviço público fazer o que querem sob o manto da libertinagem de imprensa.
Na RCTV, por exemplo, os noticiários, os programas de auditório, as músicas naquele junho de 2005, tudo volta-se para a morte, morte física mesmo, do presidente. Os telespectadores, numa clima de emoção



